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160 anos de Espiritismo

160 anos de Espiritismo

     A possibilidade de uma integração entre os polissistemas culturais material e espiritual é algo decorrente da lei natural, e, como tal, ocorre desde a aurora da civilização. Em cada época e cultura os fatos mediúnicos foram apreendidos e interpretados de diferentes formas, tendo variado sua compreensão de acordo com o alcance possível do período.
    Em meados do Século XIX,  manifestações de diversas naturezas chamavam a atenção de curiosos e pesquisadores ao redor do mundo. Alguns casos célebres, como o das irmãs Fox no interior dos Estados Unidos são ainda hoje objeto de estudo e serviram, à época, para despertar ainda mais interesse para o que estava por vir.
    A cidade de Paris era o principal centro cultural do mundo e era até natural que boa parte das grandes ideias e descobertas da época ali fossem gestadas. A época era propicia já que muitas das ciências hoje estudadas tiveram origem ou passaram por enormes avanços justamente naquele período.
    As chamadas mesas girantes eram moda e despertavam bastante interesse desde pessoas que buscavam entretenimento, até pesquisadores e cientistas que buscavam compreender o que se passava e desmascarar os eventuais aproveitadores e charlatões que eventualmente tentassem criar embustes. O fato de aqueles fenômenos terem se revelado de origem espiritual trouxe uma infindável série de questionamentos que iam aos poucos sendo esclarecidos.
     O pedagogo Hippolyte León Denizard Rivail, discípulo do eminente professor Pestalozzi, e ele próprio autor de vários livros didáticos, encontrou nesse meio uma farta fonte de pesquisa e reflexão, e pôs-se a trabalhar incansavelmente para catalogar, sistematizar e codificar as importantíssimas lições que ia recebendo de vários espíritos orientadores. Em 18 de abril de 1857, publicou sob o pseudônimo Allan Kardec a primeira edição do “Livro dos Espíritos”, dando início ao Espiritismo.
    Desde então o Espiritismo tomou forma e cresceu exponencialmente, contando hoje com milhões de adeptos, estudiosos e divulgadores ao redor do globo. A seriedade e a solidez do trabalho de Kardec fazem com que sua obra ainda hoje sirva de porta de entrada para qualquer pesquisa Espírita servindo ainda como nosso principal sustentáculo para a compreensão da Doutrina dos Espíritos.
    O pioneirismo, a dedicação e a firmeza de propósito do Sr. Allan Kardec são merecedores de respeito e elogios. Contudo, o próprio codificador sabia que estava apenas lançando as bases para algo que ainda deveria ser muito mais estudado e melhor compreendido. Passados já 160 anos deste pontapé inicial, é preciso nos atermos em compreender a mensagem de Kardec e contextualiza-la de acordo com o momento presente.
     Tudo no Cosmos , inclusive cada um de nós, está sujeito a uma Lei de Progresso, sendo certo que o nosso entendimento das coisas vai gradativamente melhorando e se transformando. Se pararmos para pensar o quanto a humanidade evoluiu mos últimos 158 anos nas mais variadas searas de conhecimento, certamente ficaremos maravilhados. Nesse sentido, é até evidente que as ideias espíritas não podem restar engessadas e servir como simples objeto de repetição.
     Pelo contrário! A constante reflexão se mostra premente. É preciso estarmos atentos para fazermos sempre juízo crítico das leituras que fazemos e das mensagens trazidas pelos espíritos. É preciso pensarmos constantemente nas práticas e ideias debatidas nos Centros Espíritas que frequentamos. É preciso não nos deixarmos levar pela esparrela contida em determinadas obras de efeito, novelas e outros programas televisivos que abordam a temática espírita de forma deturpada e acabam prestando – talvez de forma não intencional – um desserviço à seriedade com que o Espiritismo deve ser tratado.
     Ainda há muito a ser compreendido e esclarecido nas próximas décadas e séculos, e devemos – todos nós – aprender a prezar pelos bons caminhos que já conseguimos trilhar. Se queremos ir em frente é preciso coragem, paciência, dedicação e muita disciplina. É com esse conjunto de virtudes que devemos buscar homenagear  ao codificador do Espiritismo e á importante obra por si codificada.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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