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A verdadeira riqueza

A verdadeira riqueza

Há pessoas que gastam a maior parte de suas vidas (ou mesmo a sua integralidade) exclusivamente buscando amealhar cada vez mais bens materiais. Vivem como se o dinheiro fosse um fim em si mesmo e se comprazem apenas com a multiplicação de seu patrimônio, sem que isso acarrete sequer a análise de outras questões que não estejam diretamente relacionadas ao dinheiro.

Será mesmo que tal forma de abordagem se mostra como a mais coerente sobre a vida? Faz sentido focarmos apenas no ‘ter’ e deixarmos de lado outros fatores tão importantes como, por exemplo, a família os amigos, o lazer, a saúde e também aquelas reflexões mais profundas de ordem existencial?

Primeiramente não é demais lembrar que na vida um dos grandes segredos é tentarmos sempre buscar o equilíbrio em tudo. A cada instante de nosso dia-a-dia devemos nos perguntar se estamos tendo uma existência harmônica a fim de conseguirmos o quanto antes extirpar eventual desajuste. Se focarmos somente no lado financeiro o desequilíbrio é evidente posto que estaríamos deixando de lado todas as outras questões importantes. Estamos certos de que sem essa necessária divisão de nossas atenções para os vários aspectos relevantes da vida, jamais poderemos nos sentir plenamente satisfeitos.

Ademais, não podemos olvidar do fato de que todos nós teremos obrigatoriamente que deixar a Terra em algum momento. Ao retornarmos ao polissistema cultural espiritual carregaremos conosco somente o conjunto dos valores morais que alcançamos e do bem que fizemos e teremos que deixar pra trás a integralidade dos bens materiais que amealhamos.

Ora, se todos podem ter essa absoluta certeza e se sabemos que o tempo de duração de uma encarnação aqui na Terra é absolutamente ínfimo em relação a nossa vida na eternidade, qualquer pessoa coerente, ao fazer tal percepção, deve se preocupar em buscar aquilo que realmente importa e que permanecerá com ela para sempre. Sob essa perspectiva ampliada, se torna fácil perceber de que não há valia em nos esforçarmos para possuir bens materiais muito além do necessário, pois invariavelmente tudo isso será deixado para trás.

Isso quer dizer que devemos desde logo renunciar a todos os bens terrenos e passar a viver como ascetas buscando apenas os valores espirituais? Evidentemente que não! Para cada um de nós há um propósito específico de estarmos encarnados e, se vivemos na matéria e em sociedade, é certo que devemos saber nos utilizar de todos os meios disponíveis para desenvolver tal desiderato da melhor forma possível. Não há mal algum na posse de bens materiais e na busca de algum conforto que possibilite a realização de nossos propósitos desde que – como dito – a coisa seja feita de forma equilibrada e os bens materiais sejam vistos não como fins em si mesmos, mas meios para alcançarmos algo maior.

 Como dito, as posições extremadas são sempre complicadas e devemos buscar a harmonia, o equilíbrio. Da mesma forma que a busca desenfreada da extrema riqueza material é complicada, também o é o total afastamento das questões sociais e materiais.

Há uma frase muito interessante de Chico Xavier que nos alerta que algumas pessoas são tão pobres que tudo o que tem é dinheiro. Com essa reflexão podemos perceber que muito mais importante do que sermos financeiramente ricos é sermos ricos de saúde, de amizade, de cultura, de alegria, de virtudes, de sinceridade, de compaixão, de inteligência,… Enfim, de tudo aquilo que seguirá conosco para toda a eternidade.

Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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