[kads group="topo-1"]


Ajuste de foco

Ajuste de foco

     Um dos primeiros – e mais relevantes – desafios que temos em nossas vidas é do de alcançarmos aquilo que nos propusemos fazer ao longo da presente encarnação.
     Como bem sabemos, antes de encetarmos uma nova experiência material, passamos por um processo de planejamento através do qual nos é dada a oportunidade de – com o auxílio de instrutores superiores – selecionar algumas situações pelas quais haveremos de passar, particularmente no sentido missionário, probatório ou de expiação, a fim de que possamos espraiar o conhecimento adquirido, consolidar nosso aprendizado pretérito ou burilar nossas imperfeições, visando sempre maximizar o sentido de aprendizado.
     Contudo, ao reencarnarmos, passamos por um natural e salutar processo de esquecimento que nos permite um melhor aproveitamento desse aprendizado prático a que seremos submetidos. Não deixamos, porém, de ser quem sempre fomos e guardamos em nosso íntimo a lembrança desses nossos objetivos traçados.
     Na medida em que conseguirmos fazer um acesso melhor e mais claro desses nossos propósitos particulares, naturalmente poderemos tomar melhores decisões no sentido de alcançá-los, o que decerto permitirá uma existência mais repleta de êxitos e equilíbrio. Para tanto, é imprescindível trabalharmos sempre – e cada vez mais – o sentido do autoconhecimento, posto que esse alcance se faz necessariamente em nosso íntimo e não pode ser simplesmente introduzido à força por terceiros.
     Concomitantemente a esse exercício constante de alcance de nós mesmos, de nossos limites, potencialidade e desafios, temos que conciliar a gestão de nossa vida material, os nossos meios de subsistência, de angariação de bens, etc. Por mais que saibamos que os bens materiais não se constituem em fins em si mesmos, mas em meios para alcançarmos um algo a mais nesse sentido de aprendizado e satisfação espiritual, é preciso que façamos a percepção de que é somente uma vida equilibrada e bem focada que permitirá o pleno desenvolvimento desses propósitos.
      O que devemos sempre esquadrinhar a cada instante de nossas vidas é o alcance de uma existência comedida, ponderada e equilibrada. Não há sentido e nem mérito em não nos esforçarmos para alcançar certa estabilidade financeira que nos possibilite justamente a satisfação dessas necessidades de ordem espiritual. Uma vida de extremas privações e de ascetismo impede (ou ao menos dificulta grandemente) que a pessoa tenha foco e estabeleça objetivos especialmente de médio e longo prazo.
     No outro extremo, uma vida apenas de gozos, deleites e excessos materiais também é perniciosa porque faz com que percamos o foco sobre aquilo que realmente tem valor. Os que possuem muito mais do que precisam tendem a se desviar grandemente do caminho que deveriam seguir e a se julgar superiores aos demais. Sua empáfia lhes consome e lhes torna cegos à realidade espiritual.
     Como visto, é válido pensarmos a vida – especialmente na questão financeira – como uma questão de ajuste de foco. Para que possamos alcançar em sua plenitude o sentido de evolução a que nos havíamos proposto, não podemos ter tão pouco a ponto de jamais conseguirmos alcançar um foco, vivendo exclusivamente em busca da satisfação de nossas necessidades básicas biológicas, nem tampouco podemos ter tanto além do necessário a ponto de perdermos o foco para o que importa de fato, de nos ofuscarmos pelo brilho das aparências.
     Esse ajuste fino de foco é algo que deve ser diariamente construído de forma integrada aos exercícios de autoconhecimento. O que não podemos nunca esquecer é que ambos os extremos – tanto o da extrema pobreza quanto o da extrema riqueza são potencialmente perniciosos, cabendo a cada um de nós alcançar o sentido do equilíbrio.

Compartilhe:

Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

Todos os Posts de: Rodrigo Fontana França