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Álcool não combina com gravidez

Álcool não combina com gravidez

Bebidas alcoolicas prejudicam a absorção de vitaminas pelo bebê e, ainda, podem causar doenças graves

Por Denise Morini – reportagem publicada na SER Espírita impressa n. 14

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Diversos estudos relacionam problemas de saúde em bebês com consumo de álcool durante a gestação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 20% dos nascimentos em que há registro de defeitos congênitos, estão relacionados à ingestão de bebidas alcoólicas. O Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) traz a informação de que o consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação pode afetar o bebê e que isto deve ser evitado até mesmo durante a amamentação, já que o álcool também pode ser repassado à criança neste período.
De acordo com o CEBRID, cerca de um terço dos bebês de mães dependentes do álcool, que fizeram uso excessivo durante a gravidez, são afetados pela “Síndrome Fetal pelo Álcool – SFA”. Os recém-nascidos apresentam sinais de irritação, mamam e dormem pouco, além de apresentarem tremores (sintomas que lembram a síndrome de abstinência). As crianças severamente afetadas e que conseguem sobreviver aos primeiros momentos de vida, podem apresentar problemas físicos e mentais, que variam de intensidade conforme a gravidade do caso.
De acordo com o médico Edson Tristão, as bebidas alcoólicas interferem na absorção de vitaminas e nutrientes fundamentais para o bom desenvolvimento do bebê. A carência de nutrientes como ferro, ácido fólico, cálcio e vitamina B12 pode gerar má-formação no corpo da criança – incluindo os órgãos internos – e pode ainda comprometer parte dos sentidos. “A bebida alcoólica durante a gravidez deve ser proscrita. Os organismos materno e fetal não precisam de álcool, que é prejudicial mesmo em pequenas doses”, sentencia o médico.
O desenvolvimento do bebê depois que nasce também pode ser prejudicado quando houve ingestão de álcool durante a gravidez. A criança pode ter déficit no coeficiente intelectual, pode ser hiperativa e ainda apresentar dificuldades de aprendizagem. Em casos mais graves, o álcool pode até provocar um aborto.
Segundo a obstetra Rosani Zabot, o bebê com SFA apresenta algumas anomalias faciais, déficit intelectual, problemas de aprendizado e problemas comportamentais. A OMS estima que 12 mil bebês por ano, em todo o mundo, nasçam com a síndrome fetal do álcool. Os sintomas ficam mais evidentes quando a criança tem entre 3 e 4 anos de idade.

BEBER FAZ MAL PARA O CORPO E PARA O ESPÍRITO

Do ponto de vista espírita, fazer uso de bebidas alcoólicas não é recomendável de uma maneira geral, pois a substância afeta não só o corpo, mas também o espírito. Afeta o corpo porque pode trazer danos, desde um simples mal estar, até um coma alcoólico e o desencarne. O consumo de álcool contínuo pode trazer doenças graves, principalmente no fígado, como a cirrose.
O espírito Leocádio José Correia (um dos orientadores do portal SER Espírita), por meio do médium Maury Rodrigues da Cruz, tem citado com frequência a influência maléfica das bebidas alcoólicas no feto. Ele afirma que até mesmo a Síndrome de Down pode ser explicada, em parte, pelo uso de bebidas alcoólicas.
Portanto, a ideia de beber “socialmente” também não combina com a gestação, como lembra a médica Rosani. “Grande parte das mulheres consome álcool antes de saber que está grávida. Mas, quando se pensa em engravidar, essa mamãe em potencial já deve abandonar o hábito, mesmo que beba apenas socialmente”, aconselha Rosani. A obstetra cita uma médica espanhola, María Luisa Martínez, para explicar o que acontece com a criança no útero materno, quando a mulher ingere álcool. Rosani conta que “segundo a doutora Martínez, as bebidas alcoólicas penetram no feto através da corrente sanguínea materna. Mas, o álcool vai ser eliminado duas vezes mais rápido do sangue da gestante do que do bebê, que precisa realizar uma tarefa para a qual não está preparado”.
Tanto Rosani quanto Tristão lembram que a participação da família no processo de gestação é fundamental para dar apoio e suporte emocional para a futura mãe. “O melhor argumento para convencer uma grávida a não beber é a saúde do próprio filho. Cabe a ela optar por uma criança sadia ou com déficits e que terá a necessidade de reforço a vida inteira. A família deverá estar sempre muito presente para ajudar a gestante a evitar o hábito”, pondera Tristão.
Para Rosani, “a família deve cuidar com carinho da grávida durante as 40 semanas de gestação. O clima de harmonia e de colaboração é fundamental para evitar o risco do consumo de álcool”.

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