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Cristinismo redivivo

Cristinismo redivivo

     Sendo Jesus um dos cinco princípios basilares que servem como pilares de sustentação para o edifício lógico-axiológico Espírita, se mostra oportuno fazermos uma constante análise acerca da força de suas ideias e da incomensurável transformação por si realizada em toda a humanidade.
     Em razão de nossas tradições culturais, há determinadas datas – assim como a presente em que é celebrada a Páscoa – em que essa reflexão se mostra ainda mais pertinente, posto que há um imenso contingente de pessoas buscando realizar reflexões semelhantes, cada uma a seu modo e se valendo do ferramental de ideias e valores que optaram por seguir.
     Segundo os ditames Espíritas, não albergamos a significação simbólica, sagrada e ritualística dada à Páscoa por outras religiões Cristãs. Muito mais importante do que nos debruçarmos sobre como Jesus desencarnou, nos parece ser a compreensão de seu exemplo de vida e a tentativa de aplicá-lo em nosso dia-a-dia.
     Defendemos a ideia de um Cristianismo redivivo, no qual se consiga trazer a lume o real significado das lições trazidas pelo mestre. Não acolhemos ideias salvacionistas pelas quais a missão de Jesus teria sido purgar todas as imperfeições da humanidade – passadas e futuras – posto que trabalhamos um sentido de evolução constante, bem como a ideia de que o aprendizado deve ser experimentado por cada qual em seu particular.
     Como dissemos, o grande mérito de Jesus foi se colocar como um exemplo dignificante e moralizador que serviu, vem servindo e continuará servindo ainda por muito tempo para o nosso aprimoramento. Os ‘prodígios’ por si realizados não se devem à sua natureza “divina” como alguns atestam, mas sim ao seu altíssimo grau evolutivo que foi alcançado de forma gradual e merecida.
     É da mais extrema importância que passemos a entender Jesus como esse exemplo que para a maior parte de nós é ainda muito distante, mas, ainda assim, passível de ser alcançado. Em que pese tenha estado sujeito às mesmas mazelas e vicissitudes enfrentadas por qualquer de nós, Jesus soube mais do que ninguém vivenciar e fazer prevalecer a força de suas convicções, ensinando pelo seu exemplo de absoluta humildade, desprendimento, amor ao próximo e defesa de uma visão mais espiritualizada da existência.
     Em cada um dos enormes desafios que enfrentou, sempre se manteve sereno e impassível justamente por ter alcançado a firme percepção da vida por um viés suficientemente amplo e profundo que lhe permitia não se exasperar em nenhuma situação, nem mesmo ante os maiores enfrentamentos que se pode imaginar tal como a punição brutal e injusta que lhe foi imposta, tendo que pagá-la com sua própria vida material.
     Ao longo dos séculos, sua mensagem foi muitas vezes deturpada e afastada diametralmente de seu sentido original, o que faz necessário trabalharmos no sentido de repristiná-la, ou seja, trazermos de volta o seu sentido original.
     Além de compreendermos a essência dessa mensagem e desses exemplos, a maior homenagem que podemos fazer a esse nosso irmão que nos serve de guia em todas as nossas atitudes é justamente buscarmos internalizar e vivenciar a força dessas ideias.
     A única demonstração real e efetiva dessa gratidão que sentimos se dá a partir do momento em que – após muita reflexão – formos capazes de compreender a força desse exemplo que transformou e transforma consciências desde seu desencarne, e, mais do que isso, adotarmos como meta fazermos o máximo possível para seguirmos esse exemplo a cada instante de nossas existências.
     São os nossos pensamentos e atitudes, e não nenhuma espécie de ritualística ou simbolismo, que irão revelar o grau de compreensão que cada um de nós foi capaz de fazer das lições do mestre Jesus.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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