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Espiritismo não é achismo

Espiritismo não é achismo

Desde quando codificado por Allan Kardec, já se tem claro que o Espiritismo é uma doutrina de significações múltiplas, abrangendo os três grandes eixos da macro-cultura humana, quais sejam, filosofia, ciência e religião. Trata-se de um vastíssimo campo de estudos e aprendizado que deve ser tido e havido com seriedade, espírito crítico, rigor formal e um forte desejo de compreensão.

Nosso objeto de estudos é sobremodo complexo posto que abrange a totalidade da experiência humana e ultrapassa grandemente a limitada realidade material. É preciso que – ao menos aqueles que se proponham fazer um estudo sério e detido do Espiritismo – guardem consigo em cada uma de suas considerações e conclusões a necessidade de empregar nesses estudos o máximo de seriedade possível a fim de não cairmos na armadilha de somente requentar ideias por vezes ultrapassadas, ou de fazermos uma leitura rasa e deturpada de ideias importantes mediocrizando sua disseminação.
Já vai passando o tempo em que o Espiritismo era associado somente a fenômenos, à análise das diversas nuances da mediunidade, à simples busca de comunicação com os desencarnados. É preciso fazermos uma visão mais completa e abrangente da Doutrina dos Espíritos com maior dedicação a aspectos de ordem intelectual, construtiva e transformacional.
Uma melhor compreensão de aspectos como o livre-arbítrio e o autoconhecimento permite uma transformação bastante positiva na vida das pessoas  e evita arrependimento e angústias. Uma análise pormenorizada e contextualizada das leis morais possibilita um entendimento ao mesmo tempo prático e profundo de alguns aspectos filosóficos da vida. Um detido estudo de cada um dos cinco princípios elementares do Espiritismo – Deus, Jesus, livre-arbítrio, reencarnação e comunicação entre os polissistemas (mediunidade) – acarreta uma visão mais abrangente e coerente do Espiritismo e do mediunato espírita. A compreensão das profundas lições trazidas por Jesus enseja uma existência mais harmônica e equilibrada.
É o aprendizado que possibilita mudanças de comportamento. São as mudanças de comportamento que nos impulsionam para o novo. É a impulsão para o novo que enseja o progresso. É o progresso aquilo que mais devemos almejar em nossa trajetória espiritual.
O Centro Espírita não pode significar um mero espaço de utência e repetição de ideias anacrônicas e engessadas. Deve ser visto como um laboratório do saber, como a Universidade do povo, como um lugar de constante encontro consigo mesmo e construção de um porvir cada vez mais claro, coerente e equilibrado.
Precisamos sensibilizar a todos para que aprendam a pensar, e não simplesmente lhes incutir o que devem pensar. Precisamos nos habituar a refletir, e não mais simplesmente repetir. Precisamos nos aperceber como agentes fomentadores de transformação, e não como pacientes sempre à espera de uma solução milagrosa. Precisamos aprender a buscar as perguntas certas, e não apenas esperarem respostas prontas.
A participação da comunidade espírita em debates públicos, em fóruns de discussão, em grupos de estudo, na seara acadêmica, em equipes de voluntariado, enfim, em qualquer oportunidade de crescimento intelectual e moral é da mais extrema importância para seguirmos crescendo e nos aprimorando.
Devemos aprender a  identificar essas oportunidades de diálogo e aprendizado e a ter a coragem de participar ativamente desses momentos. Oportunidades perdidas não voltam atrás e a participação de todos nesse objetivo de crescimento intelectual é fundamental.
Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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