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Espiritismo: unidade cogente entre ciência. filosofia e religião

Espiritismo: unidade cogente entre ciência. filosofia e religião

É comum encontrarmos ainda hoje no meio Espírita discussões sobre a natureza do Espiritismo. Seria ele apenas mais uma dentre as tantas religiões existentes? Seria somente uma nova área de pesquisa científica, em que se pode comprovar, demonstrar e mensurar as relações existentes entre encarnados e desencarnados? Ou será que seria exclusivamente um novo método de análise filosófica que permite uma melhor compreensão dos porquês da vida?

 

Ao longo da história da humanidade houve em determinados períodos uma dissociação entre as três grandes áreas do conhecimento humano, quais sejam, ciência, filosofia e religião. O que outrora caminhou junto sem que houvesse nisso nenhum problema ou espanto passou a percorrer vias distintas e que em algumas ocasiões chegaram a ser vistas como inconciliáveis, o que, aliás, já deu azo a grandes desentendimentos.

 

Convencionou-se achar que a religião se resume em meros aspectos externos tais como dogmas, ritos, símbolos, liturgias e hierarquias. Enquanto isso há muitas pessoas que acreditam ingenuamente que a filosofia se resuma a discussões abstratas e de pouca ou nenhuma aplicação prática e que a ciência se exaure em medições e avaliações daquilo que é perfeitamente tangível e passível de controle e repetições, o que certamente limita enormemente sua abrangência.

 

Contudo, não se pode negar que cada uma desses três grandes eixos da macrocultura humana tem em comum o seu fim último que é a busca da verdade. Mesmo que por métodos distintos, ciência, filosofia e religião buscam cada uma delas compreender e explicar as razões de ser da nossa existência e de tudo aquilo que nos cerca, o ‘por quê’, ‘como’ e ‘para quê’ de cada aspecto da realidade.

 

Chamamos ‘cogente’ algo que é racionalmente necessário, que é peremptório, que deve necessariamente ser observado. Se ciência, filosofia e religião são caminhos absolutamente complementares, evidentemente que qualquer análise séria e criteriosa da realidade – aqui considerada em seu viés mais amplo abrangendo tanto o polissistema cultural material quanto o espiritual – deve obrigatoriamente ter em conta cada um desses três aspectos.

 

Não há, pois, sentido falar-se que o Espiritismo seria só religião ou só ciência ou só filosofia, ou que algum desses aspectos deva preponderar sobre os demais.

 

Se em algum momento deturpou-se o real sentido da religião ou o da filosofia ou o da ciência, isso não é motivo para deixarmos de lado algum desses preciosos mecanismos de busca da compreensão de tudo o que existe.

 

Não podemos cair na armadilha de tentarmos produzir um conhecimento novo e uma visão mais ampla e coerente da realidade nos valendo para tanto do mesmo conhecimento fragmentado e disjuntivo que preponderou outrora. Se quisermos enxergar mais longe, devemos ousar buscar aquilo que há em comum entre as diversas formas de conhecimento que existem, precisamos começar a compreender tudo aquilo que se apresenta sob uma ótica sistêmica e uma visão transdisciplinar e integrativa, que ultrapasse a extremada compartimentalização do conhecimento a que estamos acostumados desde o início de nossa vida escolar.

 

A mensagem trazida pelos espíritos se baseia justamente nessa necessidade de passarmos a compreender a realidade com um novo viés, nos sensibilizando a alcançar esses novos conhecimentos a partir de uma leitura integrada do mundo. É certo que o caminho a ser percorrido é ainda árduo e bastante longo. Contudo, um primeiro e importante passo a ser dado é o de compreendermos a fulcral importância da conjugação indissociável entre religião, filosofia e ciência.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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