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Fé – sintonia com o Creador

Fé – sintonia com o Creador

No trânsito da Terra, todos nós somos instados a enfrentar e superar uma série de desafios, com vistas a atingir a necessária depuração moral e espiritual. Não raro, especialmente quando passamos por intensas provações, muitos são os que afirmam ter perdido sua fé em Deus, eis que consideram injustos os percalços que lhes foram apresentados. Vários chegam a pensar: ‘Se houvesse um Deus de amor, não poderia ele permitir o sofrimento, sobretudo o sofrimento do inocente’.

Contudo, podemos afirmar que essa suposta incongruência existente entre a Justiça Divina e o sofrimento de pessoas de bem é, em verdade, fruto de uma visão parcial e equivocada.

Considerando que o objetivo de todos nós ao passar pelo estágio da Terra é alcançar a máxima evolução possível, para nos depurarmos tanto moral quanto espiritualmente, torna-se fácil percebermos que todas as provações pelas quais passamos são meios necessários para que se atinja tal desiderato.

Nunca é demais lembrarmos que se Deus representa o supra-sumo de todas as virtudes, dentre as quais a Justiça, evidentemente que tudo aquilo que nos acontece está absolutamente de acordo com tal Lei. O que muitas vezes nos falta é a capacidade de fazer a percepção da vida sobre esse viés mais amplo, aos olhos do espírito e pelo prisma da eternidade.

Aquele que conseguiu alcançar o verdadeiro significado da fé, jamais perde a coragem ou frustra-se com os obstáculos e as adversidades, eis que não traz em si nenhuma dúvida, mas tão-somente a certeza da existência de Deus.

Em que pese afirmarmos a necessidade de uma fé congruente e raciocinada, como forma de atingir seu verdadeiro significado, não podemos olvidar que a fé não pode ser compreendida de forma simplesmente teórica e estática, devendo, pois, ser vivida, para que possa ser alcançada em sua plenitude.

Podemos tirar uma lição bastante interessante sobre essa experiência com a fé, através da vivência do jovem Albert Einstein, que aos 12 anos penava para conseguir uma resposta satisfatória sobre a existência de Deus. Apesar de ser judeu, estudava em uma escola católica na qual seu professor tentava definir Deus cientificamente, mas o fazia de modo completamente lacônico e incongruente. Ao questionar seu pai, recebia as mesmas respostas prontas que há milênios já constavam no Talmud, e que para ele nada significavam. Certa feita, passou várias semanas de cama para recuperar-se de uma doença, tendo ganho uma bússola para que se distraísse. Após dias divertindo-se com a agulha que apontava invariavelmente para o norte, sempre mirando uma força invisível, Einstein conseguiu compreender Deus como uma força infalível e invisível do Universo, o que contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento de sua percepção religiosa.

Como visto, não há como se impor a fé a outrem, ou mesmo tentar alcançá-la exclusivamente por meio de abstrações ou ilações demasiado complexas. Essa sintonia com o Creador deve ser sentida e vivenciada, deve ser experimentada por cada indivíduo no momento em que este estiver apto a fazer o despertar da consciência.

Uma interessante analogia[1] que pode ser traçada para bem compreendermos a força da fé se dá ao analisarmos um pedaço de ferro magnetizado. Após magnetizado, o ferro continua a ser ferro, como antes. Todavia, a partir desse momento, todos os seus átomos convergem para o pólo magnético, e polarizam qualquer ferro que dele se aproxime, obrigando-o a tomar a mesma atitude. Sua natureza não muda, contudo, após magnetizado, adquire novas características.

Da mesma forma se dá com o homem que alcança o verdadeiro significado da fé. Conquanto ele continue a ser o mesmo homem – pai, mãe, filho, negociante, industrial, funcionário público, educador, filósofo, ou qualquer outra ocupação que tenha –, a partir dali todos os seus atos convergem para um mesmo propósito de amor, bondade e fraternidade.

A grande diferença se dá pelo fato de que enquanto na natureza existe uma infinidade de substâncias não magnetizáveis, qualquer indivíduo traz em si a potencialidade para essa transformação, a qual se operará na exata medida e intensidade que ele queira.

[1] Trazida por Huberto Rohden na obra “Em comunhão com Deus”.

Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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