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Fomos, somos e seremos

Fomos, somos e seremos

     É comum percebermos – especialmente entre os neófitos ou os meros simpatizantes do Espiritismo – uma visão do processo reencarnatório como sendo algo substancialmente idílico, romantizado e fantasioso. Muitos se perdem em tentativas insistentes de rememorar com exatidão quem foram e o que fizeram em alguma encarnação pretérita, parecendo olvidar-se de que seja lá quando ou onde for, nunca deixaram de ser quem sempre foram – eles mesmos – e que estão no presente momento em sua melhor versão – posto que trabalhamos no Espiritismo a ideia de uma Lei de Progresso contínuo.
     Imaginam que ao se aproximar da Doutrina dos Espíritos conseguirão encontrar num estalar de dedos respostas prontas e acabadas para todos os seus questionamentos e que poderão justificar qualquer acontecimento de suas vidas em uma situação correlata que pretensamente lhes haveria ocorrido em uma encarnação pretérita, como se a Justiça do Creador se operasse de uma forma sobremodo simplista, genérica e linear, assim como na já de há muito ultrapassada Lei de Talião.
     Ao refletirmos sobre o tema, é importante percebermos que a reencarnação não pode ser pensada apenas com esses interesses imediatistas de descobrirmos se já fomos nobres ou plebeus, europeus ou africanos… Muito mais do que nos atermos às minúcias de sabermos exatamente o que fomos e quais papéis já desempenhamos, é importante termos a firme certeza de que já fomos, de que exercitamos a experiência encarnatória centenas, milhares, quiçá milhões de vezes e que é o somatório dessas experiências que compõe a síntese do que somos.
     Ademais, além de percebermos que já fomos, que já experimentamos experiências materiais um sem número de vezes, e que isso nos levou a ser o que somos, também não podemos esquecer de que a regra da reencarnação também vale para o futuro e que ainda seremos muitas e muitas vezes.
     Por óbvio que o que já fomos não pode mais ser alterado de nenhuma forma e que todos os nossos erros e acertos obrigatoriamente continuarão a compor o nosso ser. Podemos, contudo, planejar e programar aquilo que seremos doravante através da semeadura que ora estamos fazendo.
     Diferentemente da postura escapista adotada por alguns ao tratarem da reencarnação, a proposta trazida pela Doutrina dos Espíritos é a de fornecer os instrumentos e as instruções necessárias para que – através de uma melhor compreensão dos mecanismos da existência – possamos alcançar um pleno desenvolvimento de nossas potencialidades aqui e agora, sempre mirando um porvir mais profícuo.
     A reencarnação não pode ser utilizada para mero deleite de nossas curiosidades ou para encontrarmos justificativas simplistas para nossas dificuldades e imperfeições. Não é olhando só para trás que encontraremos o caminho do equilíbrio e da harmonia, mas sim olhando para frente. Quando nos autoconhecemos de forma suficiente, nos tornamos capazes de compreender nossos limites e potencialidades, e, com isso, passamos a conseguir planejar melhor os nossos próximos passos desse caminhar contínuo que é a vida independentemente dos eventuais tropeços que tenhamos deixado pelo caminho.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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