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Massa crítica

Massa crítica

Ao contrário do que alguns possam imaginar, os espíritos não vêm à Terra para nos trazer respostas prontas e acabadas sobre todos os nossos questionamentos com relação ao porvir e nem para revelar à humanidade questões filosóficas ou científicas que já não tivéssemos maturidade para alcançar e compreender por nós mesmos.

 

Suas manifestações também não servem para que eles tomem decisões em nosso lugar, posto que isso seria contrário a um dos cinco princípios basilares do Espiritismo, qual seja, o livre-arbítrio.

 

Parece-nos sempre pertinente trazer para reflexão o seguinte aforismo trazido pelos espíritos orientadores da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE):

 

“O Espiritismo ensina a pensar, e não o que pensar”

 

Quando fazemos uma análise mais detida do conteúdo das mensagens mediúnicas, compreendemos que os espíritos manifestantes nos mostram constantemente caminhos a serem seguidos, despertando nossa atenção para questões que vínhamos negligenciando, ou mesmo apontando novos rumos para avançarmos em nossa incessante e absolutamente particular tarefa de busca pelas razões de ser de nossa existência.

 

Conquanto – assim como bons professores – os espíritos apontem o caminho, quem deve seguir o trajeto e superar todos os obstáculos que lhe são inerentes somos nós e mais ninguém. Compete exclusivamente a nós – os alunos – a tarefa de internalizar e desdobrar as lições trazidas de modo a alcançar os melhores resultados possíveis a partir desses preciosos ensinamentos.

 

Ao refletirmos um pouco sobre essas questões, começamos a nos aperceber da real função dos Centros Espíritas, que não devem ser vistos como uma versão contemporânea dos oráculos gregos, mas sim como espaços de intensos debates e troca de ideias no sentido da construção do novo, do alcance de uma visão cada vez mais ampla e profunda da realidade, como verdadeiras Universidades do Povo que permitam ações efetivas no sentido de fomentar em cada um aquilo que ele tem de melhor.

 

Com isso, cada um a seu tempo poderá perceber a importância de refletir ao invés de simplesmente repetir e, gradativamente, através da prática do autoconhecimento alcançará pleno domínio sobre seus limites e potencialidades. Pouco a pouco nos perceberemos como agentes capazes de ser e fazer a diferença para melhor, e não mais seremos simples pacientes que aguardam inertes que a mudança lhe seja simplesmente entregue de mãos beijadas por agentes externos.

 

Para alcançarmos essa pretendida mudança de mentalidade, é preciso que nos habituemos a ler mais, a debater mais, a refletir mais e a agir mais. Somente quando houver um número suficiente e qualificado de pessoas agindo e pensando de uma determinada forma – ou seja, quando houver massa crítica suficiente – é que as alterações efetivamente virão.

 

Se não nos dispusermos a refletir intensamente sobre as lições trazidas pelos espíritos e não nos unirmos para a partir delas podermos empreender ações efetivas em nossa sociedade, esses ensinamentos serão absolutamente ineficazes. De nada adiantaria recebermos dos espíritos os instrumentos e as instruções para a mudança se não nos dispusermos a fazer deles o melhor uso possível.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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