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Não faça com os outros…

Não faça com os outros…

    Devemos nos habituar a ser extremamente rígidos e até mesmo intransigentes para com as nossas próprias atitudes, e o mais possível compreensivos e condescendentes perante o agir de terceiros. Em que pese essa assertiva se constituir em fator elementar em todos os sistemas religiosos e morais já criados na Terra, sendo também constantemente lembrada por orientadores espirituais, a maioria de nós tem ainda uma extrema dificuldade em pô-la em prática.
    Muitas vezes um simples boato, uma mera expressão mal colocada ou mesmo uma implicância gratuita e imotivada já são suficientes para execrarmos pessoas, lhes tolhendo qualquer possibilidade de esclarecimento ou correção de rotas.
    Esse hábito de prejulgarmos os outros com base em informações vagas, incompletas e muitas vezes equivocadas é algo que devemos buscar abolir de nosso dia-a-dia e do seio de nossa sociedade.
    Quantas pessoas já não tiveram o rumo de suas vidas seriamente prejudicado com base em fofocas, maledicências ou mesmo excessos de determinados setores da mídia? O que fazer quando determinadas acusações que fazemos (ou assistimos passivamente que outros façam) vierem posteriormente se verificar como falsas? Há como reparar os erros perpetrados em desfavor desses indivíduos?
    Há certas coisas que não voltam atrás. Palavras proferidas e acusações descabidas estão entre elas. Depois de feito o estrago na vida de pessoas, não é fácil repará-lo e as marcas de uma atitude inconsequente podem repercutir pra sempre.
    Quando se trata de uma acusação pública, o cuidado deve ser ainda maior. O desenvolvimento das regras de convívio social consagrou algumas regras de cunho jurídico que são da mais extrema importância para o equilíbrio das relações interpessoais tais como o devido processo legal e a possibilidade de a pessoa se defender amplamente de qualquer acusação. Não podemos simplesmente condenar pessoas de forma sumária e impor-lhes a pecha de maus ou de inúteis sem que antes lhes seja oportunizado defender-se e comprovar a falsidade da acusação.
    Todos estão sujeitos a ser vítimas de injustiça, inclusive nós próprios. Os que colaboram com essa mentalidade de lançar anátemas, acusar e condenar pessoas previamente, com base em meros boatos, devem ter consciência que esse mesmo rigor com que atacam os outros por vezes de forma imerecida pode futuramente servir em seu desfavor.
    Jamais podemos olvidar que somos todos absolutamente falíveis e que um dos principais motes de nossa passagem pela Terra é justamente fazermos o aprendizado necessário para minorar um pouco essas potenciais falhas.
    É evidente que as falhas comprovadas e demonstradas são passíveis de reprimendas ou outras consequências mais sérias, mas, repita-se: não podemos admitir que irmão nossos sejam sumariamente condenados e tenham suas vidas devastadas com base em boatos e fofocas.
    Somente quando formos capazes de compreender e aplicar da forma efetiva a máxima de não fazermos ao outro o que não desejamos para nós próprios é que de fato poderemos nos imaginar tolerantes e caridosos.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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