[kads group="topo-1"]


O que sou?

O que sou?

O que tenho é tudo o que sou
Ou o que sou é tudo o que eu tenho?
Na batalha entre o ter e o ser
Precisei me estabelecer.

Depois de muito indagar
Consegui alcançar
Que mesmo quando eu fenecer
A consciência há de permanecer.

Eis que então me apercebi
Que de tudo o que já vivi
O que ficou foi o que sou
E não o que adquiri.

O que é da matéria é efêmero
Mas sinto que sou perene
Se me perceber como espírito
Dos percalços sairei indene.

Mas por que então buscar
Apenas ter e acumular
Se quando o tempo passar
Nada disso vai restar?

Somente carregarei comigo
Aquilo que compõe meu ser
Valores, experiências, amigos, …
É para isso que vale viver!

Talvez o ter seja um meio
Enquanto o ser seja um fim
Se eu tiver isso como esteio
O ter jamais mandará em mim.

Se desde a mais tenra idade
Tivesse essa chave da felicidade
Quem poderia imaginar
Aonde eu conseguiria chegar?

De nada adianta me angustiar
Com o que deixei de vivenciar
É sempre tempo de recomeçar,
Mas para isso é preciso mudar!

Após tanta reflexão
Tomei uma importante decisão
Desisti de só reclamar
E resolvi me aprimorar.

Me encontrei comigo mesmo
E busquei me conhecer
Acabei ficando surpreso
Quando consegui de fato me ver.

Eu não era aquele corpo esbelto,
Paramentado e requintado,
Era muito mais do que aquilo
E agora enxergava o outro lado.

Entendi que o senso estético
Transcende a beleza exterior
E se aproxima do noético
Quando consigo entender o amor.

Agora percebo o que sou
Um espírito em busca de si
Guardarei para sempre comigo
O instante em que assim me apercebi.

Rodrigo  Fontana França

Compartilhe:

Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

Todos os Posts de: Rodrigo Fontana França