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O trabalho e a vida

O trabalho e a vida

     Muitas pessoas têm a deturpada visão do trabalho como sendo algo fastidioso, como uma simples necessidade de cumprimento – quase sempre a contragosto – de obrigações desprovidas de um sentido maior e que visam tão somente sua subsistência. Contam os minutos para as próximas férias e aguardam ansiosamente pelo dia de sua aposentadoria para nunca mais terem sequer que pensar em trabalhar.
     Essa visão parcial e extremamente negativa do significado do trabalho acaba por deturpar todas as relações sociais e cria um imenso contingente de pessoas que passam a maior parte de suas vidas angustiadas e reprimidas, sonhando com um futuro distante e idílico que talvez nunca chegue.
     Considerando que passamos a maior parte de nossas vidas realizando trabalhos, é necessário que essa relação seja bem compreendida e que seus objetivos e benefícios fiquem bastante claros.
     Segundo podemos depreender pela visão de mundo trazida pela Doutrina dos Espíritos, a principal razão de ser de nossa encarnação na Terra é a de realizarmos o aprendizado e a depuração necessários para que possamos – cada um segundo suas necessidades e de acordo com o seu alcance possível – galgar mais alguns passos em nossa escalada evolutiva.
     Esse aprendizado será tanto melhor quanto mais ricas e intensas forem as experiências que vivenciarmos em nossa jornada. De outra sorte, a partir do bom exercício das funções que desempenhamos, estaremos contribuindo para a construção de uma sociedade mais harmônica, próspera e justa, desde que o façamos sempre de forma proba e sem medir esforços para darmos o nosso melhor.
     É preciso que tenhamos em mente que não há trabalhos melhores ou piores já que cada um possui diferentes habilidades e distintas oportunidades em sua vida, segundo seus méritos e necessidades, e, em uma sociedade complexa como a nossa, cada uma das diferentes funções exercidas tem uma grande importância para o funcionamento do todo.
     Também é importante percebermos que quando falamos em trabalho não estamos nos referindo somente ao nosso meio de subsistência material, mas também a cada uma das atividades que desempenhamos no sentido de produzir algo novo e diferente, de promover o bem-estar social, de nos mostrarmos úteis seja lá no que for.
     Realizamos trabalhos ao nos comprometermos com uma atividade voluntária, ao frequentarmos um Centro Espírita (daí porque muitos chamarem as reuniões de ‘trabalhos’), ao realizarmos uma atividade intelectual, ao organizarmos e gerirmos a nossa residência, assim como em um sem número de outras situações que podem ser oportunamente elencadas por cada um dos leitores.
     Ao começarmos a pensar no trabalho dessa forma mais ampla, gradativamente nos daremos conta da imensa seriedade que devemos ter e dos esforços que devemos empenhar em cada uma de nossas atividades. Pouco a pouco nos convenceremos que ao contrário de ser algo ruim – como alguns insistem em pensar – o trabalho é uma dos grandes motivos de nossa passagem pela Terra, posto que é através dele que desempenharemos o papel a que nos propusemos, servindo, pois, como mola propulsora de todo o aprendizado que devemos realizar.
     Quanto melhor for a auto-avaliação que formos capazes de fazer de nossos limites e potencialidades, melhores serão as escolhas que tomaremos, o que nos permitirá sempre uma maior satisfação em cada tarefa realizada.
Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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