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O valor da igualdade

O valor da igualdade

Frequentemente os espíritos orientadores nos lembram sobre a nossa condição de sermos iguais perante Deus, e ao ouvirmos nestas mensagens ou por outros meios esse esclarecimento até podemos de imediato concordar. Afinal, é uma afirmação com fundamento lógico. Mas será que após a concordância imediata refletimos a respeito? O que significa mais praticamente o fato de sermos iguais entre nós? O que significa sermos iguais perante Deus? Afinal, quando olhamos em volta o que vemos é a diversidade, a partir da singularidade de cada um.
Quem sabe pudéssemos começar refletindo sobre o que nos faz iguais perante Deus… Mas antes podemos adotar o referencial que Deus se expressa nas leis naturais que organizam tudo, inclusive a nossa própria existência. Em outras palavras, vivemos sempre efeitos decorrentes de causas… e o que liga os efeitos às suas causas são leis naturais, algumas conhecidas, como as leis da física, da química… muitas outras ainda não. E qual é a origem das leis naturais? Deus… causa primária de todas as coisas.
Assim nossa igualdade perante Deus se revela no fato de que sempre estaremos sujeitos da mesma maneira às relações justas estabelecidas pelas leis naturais. Por exemplo: não há como negociar com a “lei da gravidade”. Todos nós, independentemente de nossa condição social, física, econômica ou cultural, estamos sujeitos à lei da gravidade da mesma forma.
E faz parte da lista de “leis naturais” às quais estamos da mesma forma sujeitos outras como: a lei da evolução, a lei do amor. Entrando em detalhes, cada um de nós sempre evoluirá. A cada escolha que fizermos viveremos resultados justos à ela, e assim faremos reflexão e ajuste de comportamento; todos evoluiremos continuamente, sendo esta uma característica intrínseca ao ser, ao existir. E todos amamos e somos amados. E amaremos mais e seremos mais amados. Resultado este natural do processo evolutivo, representado na prática por uma visão mais ampla a nosso próprio respeito e a respeito de outras pessoas. Através da evolução nos capacitamos a amar mais.
Mas podemos ir além nos exemplos da igualdade entre nós. Além de evoluirmos e amarmos… somos livres, fazemos sempre o nosso melhor, temos expectativas, fazemos planos, nem sempre alcançamos de primeira o que desejávamos, sentimos alegria, vivemos a felicidade, sentimos dor. E quando conseguimos alcançar, mesmo que por alguns instantes, a consciência da igualdade entre nós, conseguimos olhar a outra pessoa como desejamos ser olhados. Conseguimos ver que há na outra pessoa um ser igual a nós, que mesmo no erro buscava o que julgava ser melhor. Conseguimos ver um ser que alcançará o que já alcançamos, e que em outros aspectos já alcançou muito mais do que nós conseguimos fazer.
Enxergar-se no outro nos ajuda muito nas avaliações e práticas cotidianas. Ajuda-nos a materializar em nossas ações os referenciais éticos que acreditamos; a entregar o que gostaríamos de receber. Na soma de nossas ações compomos a sociedade na qual vivemos, e se julgamos que há o que melhorar (e certamente há), o faremos por mudanças de comportamento. Como tratar de sociedade é tratar de relações humanas, pautá-las nos referenciais éticos é o caminho mais seguro para compor um ambiente melhor para as pessoas. Entretanto essa caminhada demanda renúncia, e ela fica mais fácil quando conseguimos ver o valor da nossa própria vida expressa na outra pessoa, tendo como elemento de ajuda para este alcance a consciência de igualdade.
Nelson José Wedderhoff

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Sobre o Autor

Nelson José Wedderhoff

Nelson José WedderhoffEngenheiro Eletrônico; Professor Acadêmico na Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC); Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas; e Conselheiro Editorial da revista SER Espírita.

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