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Quem não compreende a vida, não aceita a “morte”

Quem não compreende a vida, não aceita a “morte”

     Uma das poucas certezas que temos ao encetar uma nova encarnação na Terra é a de que invariavelmente haveremos de deixá-la. Nossas experiências com a matéria são sempre – e necessariamente – fugazes e não há nada que possamos fazer a esse respeito posto que essa é a essência da própria dinâmica da existência.
     Com os avanços da tecnologia e da medicina podemos – quando muito – prorrogar um pouco a presente experiência em relação à média das gerações que nos antecederam. Ainda assim, continua sendo certo que iremos desencarnar.
     Conquanto se trate de algo tão sério e tão certo, para muitas pessoas esse assunto continua sendo um tabu que deve ser evitado a qualquer custo. Desesperam-se a cada vez que são obrigados a conviver com a ‘morte’ de algum ente querido e evitam ao máximo se conscientizar de que eles próprios passarão por um momento semelhante.
     Quer nos parecer que essa não seja a atitude mais inteligente a ser adotada diante de algo tão certo. Não faz sentido nos negarmos a aceitar e sequer refletirmos sobre algo que acontecerá necessariamente com todo os que estão a nossa volta e inclusive com nós mesmos.
     Para que possamos fazer o melhor proveito da presente oportunidade reencarnatória, é preciso antes de tudo que saibamos conviver com algo assim tão natural quanto o momento da partida. Se não há como combatê-lo, só nos resta compreendê-lo.
     Ao nos debruçarmos sobre o tema, também não parece haver grande sentido em nos perdermos em lucubrações fantasiosas e ilações falaciosas. Da mesma forma, notamos que não há muito ganho em adotarmos posturas escapistas ou de deixarmos de aproveitar a vida pela simples certeza de que a presente experiência chegará ao fim.
     Se quisermos compreender a ‘morte’ e passar a conviver com tal certeza de forma mais serena e equilibrada, a primeira atitude que devemos adotar é a de tentarmos  com afinco compreender a vida – por mais paradoxal que isso possa soar. Ao realizarmos o processo de autoconhecimento, vamos gradativamente alcançando melhor não somente a nós mesmos, mas também aos mecanismos que regem toda a existência. Passamos a perceber o desencarne como algo natural, como mais um estágio, uma nova etapa a ser cumprida em nossa escalada evolutiva. Tornamo-nos aptos a compreender a vida em uma acepção mais ampla, pois desde que fomos creados, nunca deixamos de viver, quer estejamos encarnados, ou não.
     Aprendemos a valorizar cada momento, cada interação que nos é permitido fazer com aqueles a quem queremos bem. Não deixamos mágoas ou ressentimentos, e nem o dito pelo não dito. Somos instados a perceber as vantagens de agirmos sempre como seres morais e promotores da dignidade humana, enfim, como fomentadores do bem e da causa de Deus.
     Quando constatamos que para compreender a ‘morte’ é preciso antes de mais nada entendermos a vida e as razões de ser da existência de cada um de nós, percebemos uma salutar mudança de foco em nosso dia-a-dia, que nos compele a sermos homens e mulheres de ação, que alcançam serenamente a força da dignidade daqueles que aprenderam a viver e sofrer a força de suas convicções, sem que tenham motivos para desespero ou exasperação.
     É preciso que os dirigentes e frequentadores de Centros Espíritas percebam a importância de se ter como foco central dos debates e preleções questões relacionadas à vida e ao seu pleno desempenho. Os espíritas não são pessoas taciturnas que cultuam a ‘morte’ e os ‘mortos’. Pelo contrário! Somos pessoas que buscam uma melhor e mais profunda compreensão da vida – aqui entendida em sua acepção mais ampla – e que valorizamos acima de tudo atitudes promotoras do bem, das virtudes cristãs e de uma existência mais plena.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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