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Ser mãe

Ser mãe

As meninas já despertam para o sentimento materno quando pequenas, com suas bonecas. Mas ser mãe “de verdade” não é brincadeira

Por Aline Messias – publicado na SER Espírita impressa n.13

A relação de amor, amizade e respeito que há entre a mãe Miriam Aparecida Esposito Molina e seu filho, Eduardo Henrique, tem como base a crença na Doutrina Espírita. “Ser mãe é um enriquecimento muito grande e uma experiência única. Nada que eu passei nesta vida antes disso me ensinou tanto”, confessa.
O caminho percorrido por ela até a gravidez, entretanto, foi longo. Apesar de não ter nenhum problema diagnosticado pelos médicos, Miriam relata que foi somente após dois anos de tentativas que teve êxito. O motivo? Para ela, a demora estava relacionada ao fato de ainda não estar realmente pronta para tal missão. Nessa fase, eram comuns sonhos em que via um bebê de rosto virado, o que lhe deixava um pouco assustada e com várias interrogações na cabeça. Quando finalmente ela aceitou a missão da maternidade, após seu marido convencê-la, teve a felicidade de gerar um ser em seu ventre. “Quando engravidei soube que era um menino, pois o via ao meu lado e sentia a sua presença”, conta.
Ser mãe, porém, não é uma tarefa fácil. É, sim, desafiadora. A teóloga espírita Karina Gryzinski diz que a mãe é a primeira educadora, matriz que gera e oferece seu útero para formar outro ser e que tem como responsabilidade o encaminhamento de seu filho ao bem. “O laço afetivo maternal deve equilibrar e orientar os filhos na caminhada evolutiva terrena, sem constrangimentos, mas com dedicação e seriedade na construção do saber intelectual, moral e espiritual da criança”, analisa Karina.
Desde pequenas as mulheres já demonstram a sensibilidade materna, cuidando e acalentando suas bonecas, a caminho do cumprimento da missão de serem mães. “No futuro, essa decisão deve passar pelo crivo da compreensão, responsabilidade e do livre-arbítrio, pois ser mãe não é uma vocação, mas o maior ato de doação que se pode esperar de uma mulher. O pensamento materno é: ‘Eu me doo de maneira inquestionável e com amor incondicional ao ser que me foi confiado como dádiva’”, analisa a psicóloga espírita Gilka Correia.

NÍVEIS EQUIVALENTES
Gilka relembra Heidegger (1981) que ensina que as mães devem estar “ao lado” dos filhos. Nem à frente, pois podemos não ser um bom guia; nem “atrás”, pois podemos não ter capacidade de acompanhar os seus passos, mas “ao lado de” – “lado a lado”, respeitando a diversidade e a individualidade e acompanhar os seus passos até, se necessário, corrigindo a sua rota, indicando novos caminhos, saindo de cena, algumas vezes, sem jamais sair do cenário. “Ser mãe é a missão, a ciência e a arte de se tornar dispensável e permanecer disponível”, conclui a psicóloga.
Miriam reforça que, antes de sermos mães, pais, avós ou tios, somos todos iguais, todos irmãos. Se ela é mãe agora, tem uma responsabilidade a mais que a do seu filho, pois veio primeiro para recebê-lo e Deus lhe deu essa graça de acreditar na sua competência de ajudá-lo e direcioná-lo. Porém, antes disso, sente-se como sua irmã. “Aprendi com o episódio do dedo na tomada. Eu dizia para ele não colocar o dedinho na tomada, simulava a dor até o dia em que eu não estava na sala e o ouvi gritar. Fui até lá e ele estava perto da tomada e tinha posto o dedinho. Isso vai ocorrer muito na vida, de eu não estar no momento. Ele vai dar cabeçadas às vezes e não vou poder impedir, ele é meu irmãozinho caçula, na verdade, que eu posso orientar, mas não mandar”, completa.
Gilka adverte que, ao lado dos encantos que a maternidade traz à vida da mulher, ela recebe, na mesma proporção, a vivência da dúvida, da preocupação, da angústia, da dor e do sofrimento, por nunca ter a certeza de que está agindo e tomando as melhores decisões. A teóloga Karina, por sua vez, salienta que o maior benefício que a maternidade traz é, sem dúvida, saber que plantou sementes do bem em seus filhos e que, um dia, eles próprios colherão seus frutos e plantarão também as mesmas sementes. “A satisfação de ver seu filho encaminhar-se dignamente pela vida traz a qualquer mãe o sentimento profundo de autorrealização e de missão cumprida”, afirma. “Só temos o trabalho de puxar a sua essência, colocar o que há de melhor neles para fora, porque o que há de pior virá e eles terão que trabalhar esse lado ruim, com a nossa assessoria. Temos que incentivar as qualidades para sobrepujar os defeitos”, finaliza Miriam.

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