[kads group="topo-1"]


Sobre a efemeridade da vida

Sobre a efemeridade da vida

Diante de fatos lamentáveis como os ocorridos na última semana em que mais de 70 pessoas tiveram suas vidas abrupta e extemporaneamente ceifadas por conta de um acidente aéreo, algumas ponderações se fazem oportunas.

Em primeiro lugar, é preciso que fique claro que situações como a presente decorrem de um complexo encadeamento de fatores, de uma série de pequenos – e grandes – erros que, somados, levaram a esse resultado desastroso.

Infelizmente nos deparamos com análises açodadas e por demais singelas que, no afã de terem respostas prontas, simples e acabadas para tudo, olvidam-se de que o mais importante seria tentarmos alcançar quais as perguntas que valem a pena ser feitas no momento presente para que possamos – todos nós – encontrar amparo e equilíbrio.

A Doutrina dos Espíritos não pode servir de substrato para que se adotem posições idílicas e romantizadas da realidade. Aliás, é importante salientar que não somos – nenhum de nós, espíritas ou não – detentores do monopólio das virtudes e da verdade não sendo possível que algum estudioso do Espiritismo caia na armadilha de tentar justificar um fato desta magnitude em posições fantasiosas e análises simplistas, que não tenham em conta toda a complexidade da situação envolvida.

Falar-se em destino, acaso ou em uma necessária expiação conjunta de todos os que desencarnaram seria generalizar indevidamente uma situação cuja compreensão nos foge. Evidentemente que qualquer análise suficientemente séria e crítica não se deixaria levar por palpites ou ilações falaciosas, sendo certo que antes de firmarmos posições turvas e irreais, o momento seria propício para calarmos, orarmos e refletirmos.

Quando asseveramos que o Espiritismo está consubstanciado em ciência, filosofia e religião fica claro que qualquer abordagem deve ser sempre realizada segundo protocolos, taxionomias que permitam uma análise ponderada, coerente, crítica e racional do fato em questão.

Tragédias como essa poderiam e deveriam ter sido evitadas. O momento é propício para que todos repensem suas prioridades tanto no contexto individual quanto no social, e modo que possamos corrigir rotas antes que outras situações de semelhante magnitude ocorram. É necessário termos em mente a imensa responsabilidade que temos por cada ato nosso em uma sociedade, por cada escolha que fazemos, por cada caminho que optamos por seguir.

Ademais, em que pese termos todos ficado absolutamente atônitos com a gravidade do ocorrido, a triste situação nos remete a uma necessária reflexão sobre a efemeridade de nossa passagem pela Terra. Invariavelmente, quer queiramos ou não, todos nós teremos que deixá-la e não há como sabermos se isso se dará daqui alguns dias, meses, anos ou décadas.

Seja como for, o momento é válido para que, em nosso íntimo, possamos refletir sobre nossas atitudes e o aproveitamento que estamos fazendo dessa oportunidade reencarnatória. Diante da incerteza do momento de nosso desencarne, devemos nos policiar para fazer sempre aquilo que de melhor estiver ao nosso alcance de modo a não deixarmos arrependimentos.

Outrossim, apesar da profunda tristeza que paira sobre todos nós – certamente em especial sobre os amigos e familiares dos atletas e jornalistas desencarnados – a certeza de que a vida não se encerra quando deixamos a Terra nos serve de alento e permitirá superar o vazio deixado de uma forma mais serena.

Grandes transformações ocorrem pelo amor ou – infelizmente – pela dor. Nesse momento em que a dor sobrepuja qualquer outro sentimento é importante mantermos viva nossa fé em Deus e nos organizarmos para que esse triste fato em nossa história sirva de início para uma intensa mudança social no sentido do bem e da priorização da pessoa humana.

Compartilhe:

Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

Todos os Posts de: Rodrigo Fontana França