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Um segundo olhar

Um segundo olhar

     No decurso de nossa encarnação, somos por várias vezes instados a tomar uma série de decisões segundo nossas vontades, aptidões ou mesmo fatores que nos são alheios. Estas escolhas são absolutamente salutares eis que inerentes à própria lógica da vida sendo da mais extrema relevância para que possamos desempenhar o papel a que nos propusemos e aprender o máximo possível, cada qual segundo suas possibilidades.
     A qualidade dessas escolhas será diretamente proporcional à amplitude e à profundidade da análise que formos capazes de fazer sobre a vida em si e suas razões de ser, bem como da quantidade de variáveis que formos capazes de analisar em nossos raciocínios.
     Há uma série de filtros que ajudam a moldar a forma com que nos relacionamos com a realidade, tais como, por exemplo, a cultura em que estamos inseridos (filtros sociais), e os nossos cinco sentidos (filtros biológicos). Estes filtros são inerentes à experiência humana, mas é importante que saibamos que eles existem até para que tenhamos a humildade de perceber que não nos é dado compreender toda a realidade – ao menos no estágio evolutivo em que nos encontramos.
     Daí porque é importante estarmos sempre em busca do novo, de fazermos novos entendimentos, novos aprendizados, para que pouco a pouco possamos ir ampliando e aprofundando a forma como enxergamos a nós mesmos, a nossa sociedade, o mundo, o Universo e o Cosmos. Por mais que um alcance pleno e derradeiro da verdade não nos seja ainda permitido, a nossa força motriz é justamente essa necessidade de fazermos um constante reordenamento de nossas ideias e atitudes de modo que possamos seguir sempre intensamente nossa senda evolutiva.
     Ocorre que é muito comum limitarmos cada vez mais a forma como concebemos, percebemos e conscientizamos a realidade, o que apequena sobremodo nossa visão de mundo e torna menos rico e interessante o aprendizado que nos seria possível.
     Alguns de nós acabam impondo a si mesmos outros filtros que acabam por tornar desnecessariamente ainda mais turva e limitada a visão que conseguem ter da realidade. Há os que somente enxergam caos, desarmonia e destruição, que em virtude e seu pessimismo deixam de perceber o quão belos são os mecanismos da existência e ainda acabam por – lamentavelmente – contagiar outras pessoas com essa visão deturpada da realidade.
     Existem também os que setorizam suas vidas de tal forma que só conseguem interpretar qualquer coisa aos olhos – por exemplo – da religião que professam ou da profissão que exercem e se afastam das demais searas da vida, deixando para trás uma série de oportunidades de aprendizado e superação.
     É preciso que estejamos atentos para tentar sempre e cada vez mais pluralizar a vida, ou seja, analisarmos cada situação de acordo com a sua complexidade e a multiplicidade dos fatores envolvidos, buscando sempre tentar alcançar os mais variados pontos de vista e toda a ampla gama de soluções que podem ser propostas para qualquer desafio. Devemos nos acostumar a fazer sempre um segundo olhar, uma análise crítica acerca de cada situação em que nos envolvermos, buscando nos afastar ao máximo possível dessa perniciosa setorização excessiva da vida que alguns optam por seguir.
     Se formos capazes de analisar uma dada situação sob diversos pontos de vista, tendo em conta sempre toda a complexa relação causal que lhe originou, conjuntamente com as consequências de cada nova escolha adotada, certamente encontraremos mais felicidade e satisfação nos momentos ulteriores de nossa passagem pela Terra. Não faz sentido impormos na forma como enxergamos a realidade filtros desnecessários e limites que somente servem para limitar ainda mais aquilo que deveria estar constantemente sendo repensado e aprofundado: nosso alcance da vida e da verdade que tanto perseguimos.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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