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Uma revolução moral

Uma revolução moral

     Ao realizarmos uma detida análise da realidade social em que estamos insertos, notamos até com certa facilidade que as iniquidades e os desvios morais grassam muito além da conta. A todo o momento vislumbramos ao nosso redor um sem número de pequenas e grandes atitudes desviantes que, somadas, originam e potencializam os graves problemas sociais que ora enfrentamos.
     Vivemos um momento peculiar em nossa história em que as inúmeras inovações científicas e tecnológicas ainda não se fizeram acompanhadas da necessária evolução moral. As velhas respostas que possuíamos já não mais se adéquam às novas perguntas que surgem diariamente. Essa crise de valores enseja uma perda de referenciais que acaba por desencadear um processo tentacular de licenciosidade, excessiva permissividade e relativização de questões morais de relevada importância.
     Nesse ínterim, notamos que muitos daqueles que tinham por dever que zelar pelo bem comum aproveitam para locupletar-se à custa do empobrecimento e da opressão de uma maioria a quem deveriam proteger. Pior do que isso, chegam também a ameaçar as liberdades públicas conquistadas a duras penas, flertando com um embrutecimento e um retrocesso que não podem ser aceitos pelas pessoas de bem.
     Quando um certo furor revoltoso começa a pulular em vários focos distintos de nosso país e de todo o globo, é preciso que todos se ponham a refletir conjuntamente sobre as causas desse desequilíbrio e, em especial, sobre as formas de superá-lo. Conquanto não possamos nos calar ante a opressão e a injustiça, também não podemos nos render a uma sanha incontrolável que nos tolheria a razão e causaria perniciosas convulsões sociais.
     Antes de qualquer coisa é preciso que tenhamos em mente que o mundo é como é porque as pessoas são como são. A mentalidade dominante decorre do somatório das atitudes e pensamentos individuais. Enquanto formos coniventes com os pequenos desvios do dia-a-dia, enquanto buscarmos sempre uma forma de tirar vantagem sobre os demais, enquanto não aprendermos a fazer com os outros somente o que gostaríamos de ter para nós próprios, continuaremos a alimentar e dar sustentação a essas posturas desviantes que tanto mal já causaram.
     Já houve em nossa história outros grandes capacitores do vulto de Jesus ou Gandhi que souberam fazer de suas vidas um reflexo da sociedade que desejaram e suas atitudes aparentemente singelas mas sobremodo fortes foram capazes de empreender algumas das grandes revoluções morais já experimentadas pela humanidade.
     É preciso percebermos que as transformações efetivas se operam de dentro para fora e que a única revolução que devemos almejar é uma revolução moral. Mais do que isso, é preciso que cada um a seu tempo aprenda a se livrar dos grilhões da turva, míope e limitadíssima visão de mundo exclusivamente material e aprenda a enxergar a vida com os olhos do espírito.
     Ao nos determos em reflexões de ordem metafísica e transcendental vamos gradativamente alcançando uma melhor compreensão das razões de ser da existência e nos tornamos capazes de experimentar a serenidade necessária para seguirmos como agentes fomentadores do bem, como faróis na escuridão que ajudam a trazer à lume todos os demais.
     A caminhada pelo bem não é fácil posto que exige grande capacidade de renúncia, firmeza de convicções, paciência e disciplina. Contudo, esse é o único caminho capaz de trazer uma efetiva satisfação a curto, médio e especialmente a longo prazo.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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