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Verdades perenes

Ao buscarmos fazer um estudo mais detido Espiritismo, rapidamente percebemos os infindáveis desdobramentos que podem ser realizados a partir de tal sistema de ideias. Considerando que a Doutrina está sedimentada nos três grandes eixos da macro-cultura humana – quais sejam, ciência, filosofia e religião – se torna fácil notar que a visão de mundo espiritista abrange absolutamente todos os aspectos de nossa existência, propiciando a aplicação de tais lições a todos os aspectos de nossas vidas, e não apenas de forma fragmentada a um determinado segmento.
Para alguns isso pode até soar difícil já que o objeto de estudo se relaciona com tudo. Entretanto, devemos aprender a diferenciar o difícil do complexo. O fato de o Espiritismo ter um objeto de estudo amplo e variado não o torna difícil, mas sim complexo. Ademais, considerando que somos todos dotados de livre-arbítrio, cabe a cada um determinar, sempre de acordo com o seu possível, o alcance e o aprofundamento que pretende ter desses ensinamentos de elevada estatura moral.
O que não podemos perder de vista é que o advento do Espiritismo – que teve como marco inicial o dia 18 de abril de 1857 (data da publicação do “Livro dos Espíritos”) – não implicou em uma solução de continuidade em relação a todo o alcance moral que a humanidade já havia feito até então. Pelo contrário!
Esses saberes de ordem espiritual que norteiam nossa existência transcendem todas as épocas e culturas, e são sempre os mesmos para absolutamente todos os indivíduos não somente aqui na Terra, mas em todo o Cosmos.
O que variou (e ainda varia) grandemente ao longo de nossa história, foi o alcance que se fez dessas verdades perenes em cada período e em cada cultura, eis que por mais que em essência esses saberes tenham sido sempre os mesmos, as formas se adequaram ao possível de cada estágio de nosso aprendizado.
Ao fazermos um estudo comparado de outras religiões e outros sistemas morais, notamos até com certa facilidade a existência desse núcleo comum entre todas elas, que muitas vezes divergem quanto à forma, mas convergem quanto à essência dos ensinamentos. Como já destacamos alhures, em uma visão comparativa podemos considerar as diversas religiões como sendo diferentes caminhos para se atingir um fim comum.
Nesse sentido, importa notarmos que assim como Jesus Cristo asseverava aos seus contemporâneos que não viera para destruir a Lei, mas para dar-lhe cumprimento, da mesma forma o Espiritismo não tem a pretensão de colocar abaixo tudo aquilo de bom que já se havia alcançado. O que se pretende é buscar fazer uma compreensão mais completa, clara e precisa dessas verdades perenes, é demonstrar de forma irrefutável o que outrora se alcançava e forma ainda nebulosa, incipiente, somente através de alegorias, ou com interpretações eivadas de misticismo.
À medida que a humanidade vai se esclarecendo e evoluindo, importa que se faça uma releitura dessas ditas verdades perenes a fim de que as mesmas passem a ser compreendidas de forma cada vez mais clara, como é próprio da Lei de Progresso.
Da resposta dada pelos espíritos à questão nº 616 do “Livro dos Espíritos”, extraímos o seguinte trecho:
(…)não há para o homem estudioso nenhum antigo sistema filosófico, nenhuma tradição, nenhuma religião a negligenciar, pois em tudo há os germes das grandes verdades que, ainda que pareçam contraditórias, esparsas que estão em meio a acessórios sem fundamento, são muito fáceis de entender, graças à chave que o Espiritismo dá para uma multidão de coisas que puderam, até aqui, parecer sem razão e que, hoje, a realidade vos demonstra de uma maneira irrecusável. Não deixeis, portanto, de tirar dessas matérias assuntos de estudo; elas são muito ricas e podem contribuir muito para a vossa instrução.”
O entendimento dessas questões de ordem transcendental não se opera da noite para o dia, e nem através de saltos. Devemos, pois, para bem compreender a nossa própria época e as angústias que nos cercam, tentar pinçar de cada sistema religioso e de cada momento que nos antecedeu esses ‘germes das grandes verdades’. Com isso, faremos um melhor entendimento do próprio Espiritismo assim como de nós mesmos.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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