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Vida e vida

Vida e vida

Em algum momento todos nós teremos que deixar a Terra.
Em que pese a obviedade da afirmação, há muitas pessoas que são bastante reticentes ao abordar tal tema, e quando o fazem é num sentido de temor, profundo pesar e imensurável tristeza, como se algo assim tão natural fosse alguma espécie de castigo ou negação das Leis Divinas.
Se temos absoluta certeza da efemeridade da existência de nosso corpo físico, é da mais extrema importância que o tema ‘morte’ deixe de ser visto como um tabu e passe a ser analisado e compreendido como algo natural, como um estagio necessário e essencial à dinâmica da existência.
Aliás, a própria utilização do vocábulo ‘morte’ já carrega consigo essa desconfortável significação de finitude, o que para muitos já dá azo a intensos calafrios. Daí porque – ao menos dentro da concepção Espírita – soe mais arrazoado e tecnicamente mais preciso falarmos em ‘desencarne’ quando nos referimos ao término da existência material.
Urge percebermos que nós não somos corpos que possuem espíritos. Em verdade, somos exatamente o contrário! Somos espíritos que se valem temporariamente de um corpo material para a realização de determinados propósitos tendentes à nossa depuração. Não há sentido imaginarmos que o esgotamento de nosso invólucro, de nossa veste, nos causaria alguma forma de diminuição em nossa essência ou poderia ser contrário às Leis naturais que regem todo o Cosmos.

 

Importa lembrar que na natureza tudo está em absoluta e constante transformação e só o que permanece são as mudanças. O mesmo ocorre com a nossa vida – aqui compreendida em seu sentido mais amplo que vai desde a nossa gênese, de nossa creação por Deus, passando por todas as nossas incontáveis encarnações, para toda a eternidade.
Enquanto individualidades todos tivemos um começo, mas jamais teremos fim, não havendo, pois, razão para temermos o desencarne, que nada mais é do que uma mudança de estágio que já foi por nós experimentada várias e várias vezes.
Evidentemente que quando alguém desencarna, deixa em seus entes queridos um profundo sentimento de saudade. Contudo, ao nos apercebermos de que a dinâmica da vida é exatamente assim – de idas e vindas – não há sentido em traduzirmos essa saudade em tristeza ou luto, posto que temos a certeza de que dito afastamento é somente momentâneo e que a pessoa a quem tanto queremos bem não deixou de existir ou de ser aquilo que sempre foi – ela mesma.
O testemunho trazido por inúmeros espíritos de que a vida continua após o nosso desencarne e que não perdemos a nossa essencialidade (pelo contrário, a intensificamos) serve de alento aos que sofrem com a perda daqueles a quem querem bem e abrem um imenso e intenso campo de estudo e de novas deduções àqueles ávidos por uma melhor compreensão das razões de ser da existência.
Aqueles que aceitarem o desafio de se aprofundar nesses estudos certamente se sentirão recompensados ao perceberem que conseguiram alcançar uma visão mais serena e equilibrada da existência, e de que não faz sentido a dividirmos em vida e morte, em começo e fim, sendo muito mais coerente passarmos doravante a falar em vida e vida, em constantes transformações que são naturais e necessárias ao nosso propósito evolutivo.
Desde que saibamos fazer a compreensão da vida por esse viés mais amplo, perceberemos que encarnados ou não, estaremos sempre vivos, sempre passando pelos vários estágios que a vida comporta

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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