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A escola da vida

Em algum momento de nossa existência, todos nós haveremos de nos fazer a seguinte questão: afinal, qual a razão de ser de minha existência aqui na Terra? Por que tive que passar por determinada situação enquanto outras pessoas – às vezes próximas a mim – experimentaram tantas outras aparentes benesses ou tantos desafios ainda mais árduos do que os meus?
Se analisarmos tais questionamentos somente sobre a perspectiva da atual encarnação, por aquilo que – dentro de nossa limitada percepção sensorial – alguns chegam a acreditar tratar-se da única realidade, certamente a tendência é jamais encontrarmos respostas a essas indagações e até nos revoltarmos imaginando não haver justiça em nossas vidas.
Isso se deve à nossa absoluta incapacidade de compreender a realidade sob um ponto de vista suficientemente amplo, de nos libertarmos dos grilhões da matéria e passarmos a perceber a existência sob uma perspectiva muito mais ampla, a perspectiva espiritual.
Na medida do possível, é imprescindível que procuremos fazer uma visão mais alongada da existência, que tentemos deixar de lado a perspectiva simplista de nossa visão materialista das coisas para pouco a pouco tomarmos contato com essa visão espiritual, que nos permite analisar em seu sentido mais amplo esse fenômeno tão complexo que é a vida.
Este despertar de consciência deve necessariamente ser realizado de dentro para fora, ou seja, não pode ser imposto por absolutamente ninguém, e nem pode estar condicionado a quaisquer fatores externos. Logo, depende essencialmente de uma profunda reflexão, de um amplo processo de autoavaliação, de um diuturno processo de autoconhecimento, que certamente possibilitará o equilíbrio necessário para esse convívio mais harmônico com as Leis que regem o Cosmos.
Tal percepção ampliada da realidade não se faz da noite para o dia – como que em um passe de mágica. Pelo contrário! Devemos ter em mente que trata-se de um processo e que aludida percepção será tanto mais ampla quanto maior for o esforço realizado e o grau evolutivo atingido. Como em qualquer caminhada, é sempre necessário coragem para darmos o primeiro passo.
Uma comparação bastante interessante que pode facilitar esses nossos primeiros passos na ampliação de nossas percepções, seria pensarmos a Terra como sendo uma escola.
Todos nós que aqui estamos encarnados, precisamos passar um determinado período nessa escola, a fim de que possamos fazer o aprendizado necessário ao nosso aprimoramento. Através do intenso convívio social esse aprendizado poderá ser constantemente testado e colocado em prática, a fim de que as lições sejam bem fixadas e o aprendizado possa se traduzir em mudança de comportamento.
Como em qualquer escola, há os que aprendem mais rápido e os que têm maior dificuldade em uma determinada lição. Há também o convívio entre pessoas que estão em diferentes séries, ou seja, em diferentes graus evolutivos, alguns ainda em estágios iniciais, e outros um pouco mais avançados. Com isso, o respeito e a tolerância tornam-se facilitados, já que as diferentes percepções que existem entre os indivíduos decorrem dos distintos graus evolutivos em que cada um se encontra.
Se não fizermos o aprendizado necessário em uma determinada encarnação, retornaremos à essa escola tantas vezes quanto forem necessárias, certos de que em algum momento conseguiremos fixar aquela lição.
Sob essa ótica, as situações aparentemente adversas pelas quais todos nós passamos nada mais são do que desafios a serem superados, justamente de modo a aprendermos aquilo que é necessário a cada um de nós.
Não podemos deixar de perceber que absolutamente todos nós temos muito a aprender e também muito a ensinar aos demais, já que as experiências que já vivenciamos são absolutamente únicas e podem certamente servir como auxílio aos nossos ‘colegas’ da escola da Terra. Logo, devemos humildemente buscar tirar a melhor lição possível de cada situação que vivenciamos e de cada interação que fazemos com outras pessoas, pois absolutamente todas elas significam aprendizado.
Após termos feito todo o aprendizado necessário aqui na Terra – o qual, repita-se, se realiza através de inúmeras encarnações – seguiremos em nossa trajetória evolutiva rumo a uma nova escola na qual teremos lições cada vez mais aprofundadas.
Conquanto seja extremamente singela, essa metáfora entre a encarnação na Terra e uma escola possibilita fazermos algumas percepções e algumas reflexões de caráter inicial que possibilitarão uma série de desdobramentos, importantes para nossa compreensão da vida em sua acepção mais ampla.
O que fica sempre claro é a necessidade de procurarmos a todo momento fazer o melhor possível, de acordo com o nosso alcance, a fim de procurarmos não desperdiçar as oportunidades que nos são apresentadas.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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