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A Fé de Tomás

A Fé de Tomás

     Quando nos propomos a refletir sobre temas de tamanha importância assim como a ‘fé’, julgamos importante aliar nossas reflexões à síntese daquilo que já foi produzido por alguns dos grandes capacitores que nos antecederam, que tiveram por missão justamente lançar – ou reforçar – os alicerces necessários para servir de base a todo o pensamento vindouro.
     Tomás de Aquino viveu no século XIII e foi um dos mais eminentes pensadores da época, sendo consenso que seus escritos foram de grande valia a todo o pensamento cristão realizado a partir de então. Dentre suas obras de maior vulto está a Suma Teológica, um denso tratado teológico e filosófico que significou um portentoso avanço para o pensamento da época e donde se pode haurir uma série de profundos ensinamentos. Em tal obra há um sem número de interessantes considerações acerca da visão que o eminente filósofo tinha acerca da fé, sendo tal material de grande valia para estudo, reflexão e contextualização.
     Há uma especial ideia sobre a ‘fé’ no pensamento tomista que chama atenção pela sua aparente simplicidade e pelos complexos desdobramentos que dela podem efluir. Vejamos:
     “Para alguém que tenha fé, nenhuma explicação é necessária. Para aquele sem fé, nenhuma explicação é possível.”
     À primeira vista poderia soar até paradoxal que alguém que dominava tão magistralmente a lógica aristotélica e utilizava tal método em profundas demonstrações teológicas pudesse chegar a essa conclusão de que a fé não é algo que possa ser simplesmente instituído, imposto ou demonstrado, mas que deve necessariamente alcançada no íntimo de cada um, constituída, construída de dentro para fora.
     Contudo, na medida em que vamos alcançando uma ideia da ‘fé’ como sendo uma sintonia fina com o Creador, aos poucos vai ficando mais fácil percebermos que a força da verdadeira fé se faz pelo alcance íntimo do sujeito e não por qualquer espécie de imposição ou demonstração, por mais interessantes que essas lições exteriores possam soar. Aos que não estão dispostos a fazer essa transformação íntima e esse despertar da consciência, nem todas as demonstrações possíveis seriam suficientes.
     Essas lições exteriores servem para incitar nossa reflexão e fortalecer o nosso alcance íntimo, mas jamais teriam valor de per si, se não acompanhadas de reflexão e desse alcance interior que um dia todos haveremos de fazer.
     Já tivemos a oportunidade de refletir um pouco sobre o tema em outras oportunidades, e não haveria motivo para nos alongarmos em repetições. Acreditamos, porém, que essas brevíssimas considerações sobre a ideia tomista acerca da fé sirva trazer novos elementos para futuras reflexões.
     No final de sua vida, Tomás de Aquino teve um insight noético, alcançou a revelação de uma verdade profunda em um momento de integração com o Creador. A partir daí, por ter feito esse alcance diferenciado da existência, parou completamente de escrever.
     Quando questionado sobre o motivo de ter deixado de escrever, disse que jamais poderia retornar a fazê-lo, posto que diante da revelação que tivera, tudo o que já publicou lhe soaria como palha, como algo efêmero e pueril. A despeito de toda a sua reconhecida – e merecida – genialidade, ele concluiu que não haveria palavras suficientes para expressar aquele momento de integração íntima que fora capaz de alcançar.
     Exatamente por ter, ele próprio, alcançado essa integração profunda com o Creador, foi capaz de perceber por sua própria experiência que não haveria mais qualquer outra explicação necessária para a sublime vivência por si alcançada.
Rodrigo Fontana França
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1  http://www.serespirita.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=340:uma-questao-de-fe&catid=53:domingo&Itemid=56
2  http://www.serespirita.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=656:fe-sintonia-com-o-creador&catid=53:domingo&Itemid=56

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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