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A FÉ MOVE MONTANHAS?

A FÉ MOVE MONTANHAS?

Por Simone Mattos

Publicado na edição da SER Espírita impressa n.21

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Não adianta ficar deitado na cama repetindo: “eu vou vencer!”. É preciso levantar, arregaçar as mangas e trabalhar. “Tudo começa na mente, mas sem ação ficará apenas na mente. É preciso pensar, planejar, ter fé e agir”, afirma o consultor e escritor Alan Schlup Sant ́Anna. Estudante da Doutrina Espírita há 13 anos, ele cita uma frase psicofonada pelo espírito Antonio Grimm, por meio do médium Maury Rodrigues da Cruz, que confirma seu discurso: “Quem não age não é”.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec define a fé como uma força de vontade direcionada para certo objetivo. Mas, fé sem obra, não vale nada. Portanto, é preciso por em prática ações que levem a alcançar os objetivos, materiais e espirituais, sem ficar apenas esperando que a fé traga sozinha os resultados esperados. É preciso começar a agir. O vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), Geraldo Campetti Sobrinho, cita o mais renomado físico da história da humanidade para ilustrar o seu pensamento. “Albert Einstein afirmou que `nada acontece até que algo se mova ́”, comenta. Nascido em berço espírita, Campetti estuda a Doutrina desde a infância. “Para o alcance de qualquer objetivo na vida, é preciso ter atitude”, resume.
Portanto, para atingir uma meta, em sua avaliação, são necessários quatro requisitos fundamentais. O primeiro seria a vontade. “É necessário querer, estar interessado”, comenta.
O segundo ponto obrigatório, para Campetti, é a perseverança, “para que não se desista ante a primeira dificuldade”. Ele cita o espírito Emmanuel, que disse, por meio de psicofonia, de Chico Xavier que “a perseverança é a base da vitória”. O terceiro requisito fundamental para alcançar um objetivo, segundo o vice-presidente da FEB, é a fé em si. “É preciso acreditar, confiar, esperar, ter certeza de que sou capaz e que posso contar com o auxílio de encarnados e desencarnados que estão prontos para me ajudar”, diz.
A paciência, para saber esperar as respostas da vida, é o quarto ponto destacado por Campetti. Ele ressalta que é indispensável saber observar os sinais que a bondade de Deus nos envia diariamente, como convites ao nosso despertar espiritual. “A fé é esse combustível que nos faz mover em direção a realizações para a conquista da plenitude.”
Campetti afirma ainda que ter fé é acreditar, confiar e estar certo de que o amparo divino
jamais nos faltará. “Mas é preciso estar consciente de que, para ser merecedor, precisamos fazer a nossa parte, a começar pelo esforço cotidiano de nossa reforma íntima”, diz. Essa atitude promoveria, em definitivo, a renovação social de toda a humanidade, conforme nos diz O Livro dos Espíritos, organizado por Allan Kardec

CONEXÃO COM O UNIVERSO
Ter fé em algo é fundamental para a construção e sustentação de um mínimo
de confiança e coragem que nos permite avançar, segundo afirma Alan Sant ́Anna.
“Eu, pessoalmente, tenho fé em Deus, em mim e na humanidade”, explica. O escritor
comenta que, ao acreditar em Deus, crê num Universo justo, inteligente, em evolução.
“Seria difícil viver em um Universo diferente disto”, diz ele. “Tendo fé em Deus eu espero,
entre outras coisas, ser feliz”, afirma.
Para a assistente administrativa Elisabeth Curi, estudiosa da Doutrina Espírita há mais de 20 anos, fé significa a força, a base, a nossa sustentação interior. “Fé é a presença de Deus em mim, em todos e em tudo”, resume Elisabeth. “É permitir e perceber internamente a força da creação nos dando a sustentação”. Além de outras funções na casa espírita, Elisabeth é coordenadora, há mais de uma década, de um grupo que escreve cartas de conforto e orientação a presidiários, o que a faz exercitar constantemente a fé. “Eu tenho fé de que não vivemos no tempo, mas sim para a eternidade”, diz. “Com a fé, busco o meu equilíbrio, a certeza e a confiança do meu
potencial no alcance da felicidade em todos os momentos da vida”, diz. A fé, portanto, não é um ato isolado, nem extrínseco às pessoas. Quem afirma é a terapeuta corporal, professora de Educação Física e coordenadora de grupos de estudos espíritas há 11 anos, Ana Rosa Rocha. “Acreditar é ter esperança, que também faz significado quando materializada em ações que fortaleçam e dignifiquem a pessoa humana”, comenta. Ou seja, não se pode simplesmente ter fé esperando que tudo se resolva como num passo de
mágica ou em forma de milagre. “É preciso, para se alcançar as coisas esperadas, que
se fortaleça na fé para que nossas atitudes possam ir de encontro com nossos desejos”,
diz a terapeuta.

BUSCA INTERIOR
Mas onde e como encontrar a fé? Esta é a pergunta que muitos fazem insistentemente. “A fé está, invariavelmente, dentro de nós, nos recônditos da nossa essência”, garante Ana Rosa. Para ela, ter fé é acreditar no melhor, é ter esperança e transcender no pensamento. “A fé alcança um valor maior dentro de nós, nos aproxima de Deus, pois com fé a direção dos nossos atos vai de encontro ao sucesso”, afirma. O vice-presidente da FEB destaca que a fé pode ser humana ou divina. No primeiro caso, para exercitá-la, é preciso acreditar nas próprias potencialidades e capacidade de realizar.
“Nesse quesito, é necessário um esforço constante para adquirir competências, ampliar o acervo de virtudes que me faltam e diminuir a quantidade de vícios que me
sobram nas atitudes, pensamentos e palavras”, comenta Campetti. Mas ele afirma que, apenas esta fé, não basta. “É indispensável que a ela seja somada à fé espiritual”, explica. E, para exercitá-la, a sugestão é acreditar e confiar que o amparo dos espíritos jamais faltará. “Assim, rogo auxílio ao guia protetor, aos amigos espirituais, a Jesus e a Deus,
compreendendo convicto de que posso fortalecer-me diariamente”.

FÉ RACIONAL
“Duvidar de tudo e crer em tudo são duas soluções igualmente convenientes
que nos livram de ter que pensar.” Assim escreveu Henri Poncaré, em sua obra “A
Ciência e a Hipótese”. “A fé cega é aquela que carece de reflexão, análise, avaliação
e que aceita como verdade ou dogma um conjunto de ideias provenientes de uma
fonte supostamente infalível”, define Alan Sant ́Anna. Ele explica que a fé racional,
proposta pela Doutrina Espírita, não condena, mas, pelo contrário, estimula o pensamento e a avaliação. “A Doutrina trabalha o conceito de verdade construída e em processo de aprimoramento, mas não o de verdade absoluta e imutável”, explica.
O vice-presidente da FEB afirma que a fé cega o surpreende. “Fico admirado
pelas pessoas que a alimentam. Não sabem aonde vão, no entanto, acreditam em algo além”, comenta Campetti. Por outro lado, ele considera a fé raciocinada reveladora, pois oferta a lucidez necessária para entender melhor os desdobramentos da vida. “Ela fortalece as ações no bem”, resume.
Elisabeth Curi comenta que ter fé cega é o mesmo que acreditar que milagres existem e que o extraordinário pode acontecer. “Em contrapartida, fé é a certeza de que
a razão e o poder estão em nós mesmos”, afirma. Para quem quiser se aprofundar no
estudo do assunto, ela sugere um livro que provocou mudanças significativas em sua
maneira de pensar sobre a questão: “A fé: Poemas e Reflexões – Metafísica Espírita”,
pelo espírito Antonio Grimm (psicografado pelo médium Maury Rodrigues da Cruz). “Depois que li este livro, pude me aproximar um pouco mais da grandiosidade que é a fé. Percebi, com a leitura, essa essência dos seres e do mundo na minha vida, dentro da vida de cada ser e a força desta sintonia com o Universo”, explica.

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