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A melhor versão de mim a cada momento

A Doutrina dos Espíritos trabalha como um de seus principais fundamentos a ideia de Lei de Progresso. A partir da compreensão de tal lei cósmica, uma série de desdobramentos de extrema relevância podem ser realizados, especialmente naquilo que concerne à nossa trajetória evolutiva. Vejamos:
Cada um de nós foi creado por Deus em um idêntico grau de simplicidade e ignorância, mas todos tendentes à máxima perfectibilidade possível. Ao longo de incontáveis encarnações vamos nos depurando intelectual e moralmente, tendo sempre em conta a ideia de que o progresso – por tratar-se de uma lei natural – não pode deixar de ser realizado, ou mesmo ser desfeito.
Ou seja, em hipótese alguma poderíamos involuir, ou mesmo ficar estagnados já que a marcha faz-se necessariamente no sentido da evolução. O que ocorre é que cada um de nós, cada espírito – seja encarnado ou desencarnado – vai progredir a seu tempo e a seu modo. Alguns o farão de forma mais lenta e tortuosa, enquanto outros conseguirão acelerar várias dessas etapas. Contudo, em algum momento absolutamente todos chegarão no mesmo ponto máximo de evolução possível, alguns antes e outros depois.
É também importante lembrar que mesmo enquanto desencarnado, o espírito continua a ser exatamente a mesma pessoa que era enquanto encarnado, sendo equivocada a conclusão a que alguns chegam de que pelo simples fato de estar desencarnado, o espírito já seria perfeito e tornar-se-ia novamente imperfeito quando de uma nova encarnação. Evidentemente que essa ideia seria um absoluto contra-senso, não tendo nenhuma sustentação.
Também não podemos olvidar que o progresso não é somente individual, mas também social. Nesse sentido, se analisarmos nosso atual estágio civilizatório por um contexto mais amplo – sem abordar exclusivamente um determinado aspecto – perceberemos até com certa facilidade que em linhas gerais, enganam-se aqueles que afirmam constantemente que determinada civilização ou determinada época pretérita seriam muito mais evoluídos do que nós, ou que só vêem defeitos no momento presente, ficando sempre presos a um saudosismo de uma época ideal que sequer chegou a existir.
Evidentemente que nossa sociedade tem inúmeros pontos negativos, e todos eles devem ser combatidos e, na medida do possível, superados. Contudo, equivoca-se quem acredita que as coisas nunca estiveram piores, já que, repita-se, se analisarmos o contexto geral de todos os avanços que já atingimos, inclusive no que tange ao respeito à pessoa humana e às liberdades públicas, torna-se evidente o enorme progresso já realizado.
Outro ponto que também merece destaque é o fato de que – tendo sempre em mente a Lei de Progresso – cada um de nós atingiu na presente encarnação o auge de sua evolução já alcançada e, exatamente nesse instante, está também provavelmente em seu melhor momento possível. Para aqueles que têm grande curiosidade de saber o que foram em encarnações pretéritas, resta uma certeza: agora estou no meu melhor. Ou seja, mesmo se considerarmos todos os nossos defeitos e imperfeições – que certamente não hão de ser poucos – este foi o melhor que já conseguimos alcançar e certamente tínhamos ainda mais defeitos e imperfeições em momentos anteriores.
Feita essa constatação, logo em seguida certamente perceberemos que ainda temos um imenso caminho a percorrer, já que apesar de estarmos em nosso melhor momento, há em cada um de nós imensas limitações.
Mais do que isso, resta-nos uma conclusão que deve sempre nortear todos os nossos pensamentos e atitudes: apesar de nesse instante eu ser a melhor versão de mim – já que sou a resultante de tudo aquilo que já passei, aprendi e vivenciei – devo me empenhar cada vez mais e mais a fim de que possa seguir firme em minha trajetória evolutiva eis que a caminhada a percorrer ainda é extremamente longa e o resultado atingido será diretamente proporcional ao esforço realizado.
Tendo isso em mente, poderemos canalizar nossos pensamentos e ações para vivenciar e fomentar sempre valores positivos, com vistas ao nosso progresso pessoal e coletivo e certamente deixaremos de desperdiçar nosso precioso tempo com questões pueris e comezinhas.
Ficam aqui algumas indagações: já exatamente agora estou no auge da minha evolução já alcançada, será que estou conseguindo dar o melhor de mim? Será que estou fazendo as ponderações necessárias para me superar a cada momento?
As respostas a essas questões e às tantas outras que surgirão são de cunho absolutamente pessoal. Contudo, uma coisa é certa: é sempre tempo de retomarmos as rédeas de nossas vidas e fazermos as necessárias correções de rota a fim de que possamos ter a mais plena certeza de sermos a cada instante a melhor versão de nós mesmos.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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