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A qualquer momento, a prece

A qualquer momento, a prece

A prece é uma oportunidade sem igual de interação e integração íntima com o Creador. Através de tal ferramenta, fortalecemos nossa identidade e nossa noção de pertencimento à humanidade e ao Cosmos.

Para o Espiritismo, a prece não significa mera repetição de fórmulas prontas ou argumentos de difícil compreensão, mas sim uma profunda reflexão e introspecção que nos permite fazer unidade com o Creador. Logo, ela deve ser o mais possível clara, simples e concisa. Sua eficácia é mensurada pela sinceridade do pensamento, e não pela sua duração, pelo local em que é realizada ou pelo rigor formal a uma solenidade pré-determinada.

Ao fazermos uma prece, é muito comum realizarmos uma série de pedidos (a maior parte deles geralmente associados exclusivamente às nossas necessidades de progresso material), e olvidarmos daquilo que seria mais elementar, que é expressar a nossa gratidão pelo simples fato de existirmos e de podermos experimentar tantas oportunidades de aprendizado. Várias pessoas têm por costume até mesmo prometer coisas em troca a Deus se tiverem suas preces atendidas.

Será mesmo que o sentido da prece seria esse de barganhar com Deus para tentarmos obter algum proveito que julgamos necessitar? Seria crível imaginarmos que o Creador se comprazeria em suspender momentaneamente as Leis que regem o Cosmos exclusivamente para nos conceder algum benefício em troca de um pequeno sacrifício ou de uma oferenda?

Quer nos parecer que a humanidade já superou há muito tempo essa visão assaz limitada de Deus e que a oração tem um significado muito maior e mais sublime do que esse de mera barganha.

Ao invés de pedirmos, devemos aproveitar os momentos de prece para agradecer, assim simplesmente. Agradecermos por cada instante de nossa existência e, mais do que isso, agradecermos por termos tanto a agradecer e tão pouco para pedir. Basta refletirmos um pouco para percebermos tudo aquilo de bom que conseguimos alcançar (muitas vezes não sem grandes esforços) em nossas vidas, enquanto há irmãos nossos que sofrem nesse exato instante provações duríssimas, como guerras, fome ou graves problemas de saúde.

Ao percebermos esse quadro de tantas dificuldades que se passam ao nosso redor, talvez fique um pouco mais fácil adotarmos essa humilde postura de agradecer muito mais do que pedir.

Ademais, se parecer necessário realizarmos algum pedido, que seja para termos a força e a clareza de raciocínio necessários para superar os desafios que certamente surgirão, que seja para conseguirmos progredir moralmente tanto quanto seja possível, que seja para que Deus zele por aqueles que enfrentam dificuldades muito maiores do que as nossas.

Quando em prece, estabelecemos uma conexão profunda com o Creador que nos permite, ainda que por um instante, enxergar a realidade som um enfoque diferenciado, o viés espiritual.

A proposta que deixamos é justamente a de começarmos a pensar a prece através dessa percepção diferenciada e, quem sabe, ao invés de fazermos preces somente esporádicas (usualmente nos momentos de grande necessidade), buscarmos pouco a pouco intensificar essa conexão com o Creador até que cheguemos ao ponto de estar sempre em prece, ou seja, de mantermos esse nosso canal de comunicação com Deus absolutamente ativo a todo instante.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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