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A Universidade do Povo

A Universidade do Povo

     É sempre de grande importância buscarmos nos aprofundar em reflexões sobre os mais variados temas de modo que possamos alcançar uma compreensão cada vez melhor da realidade, assim como contribuir com novas ponderações que nos permitam enxergar mais longe.
     Devemos nos deter ainda com mais vagar naqueles tópicos que podem ser considerados estruturantes, a partir dos quais um sem número de outras considerações podem emergir sempre no sentido de contribuir com o nosso incessante ascender evolutivo. Tal é o caso do Centro Espírita.
     O Centro Espírita é, por excelência, o lugar propício para seguirmos adiante no sentido de busca da verdade, de alcance da unidade cogente do conhecimento, ou seja, de ciência, filosofia e religião. Muito mais do que um simples templo de adoração, de misticismo ou de fanatismo, os espíritos orientadores nos ensinam que o Centro Espírita é a Universidade do povo, um espaço privilegiado de prática sistemática de ensino, pesquisa, extensão e transdisciplinaridade.
     Se formos capazes de compreender o Centro Espírita como sendo essa Universidade do povo, naturalmente concluiremos inexistir espaço para processos meramente repetitivos e pasteurizados de práticas dogmáticas, místicas, sacras ou exotéricas. Tais práticas representariam estagnação e o Centro Espírita irá sempre propor um sentido dinâmico e evolvente de assimilação, compreensão e prática de um pensamento novo.
     Esse repensar constante da real função do Centro Espírita e da melhor forma de alcançarmos toda a sua complexidade irá permitir não cairmos na esparrela de os tornarmos estruturas engessadas, anacrônicas e alheias à realidade social, pois essa paralisação significaria perecimento posto que tornaria datados todos os esforços realizados.
     “Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente suas funções e significações, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra.” É com essas palavras lapidares que José Herculano Pires – um dos grandes pesquisadores espíritas que já viveu no Brasil – inicia sua obra acerca do tema e é exatamente com esse ímpeto investigativo que devemos todos – em especial os frequentadores e dirigentes de Centros Espíritas – aprofundar nossas reflexões.
     Nesse sentido de alcançarmos uma visão mais profunda das funções do Centro Espírita, facilmente notamos não haver espaço para aquela visão nutrida por alguns incautos de que o Centro Espírita se resumiria em um mero espaço de evocação dos ‘mortos’. O Centro Espírita não pode ser visto como um lugar lúgubre e misterioso, mas sim como uma casa de saber sempre aberta para agenciar o conhecimento e possibilitar a confluência entre a teoria e a prática desta verdade alcançada.
     O próprio Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, já asseverava em 1862 em suas viagens de divulgação que muito mais importante dos que os fatos mediúnicos são os princípios e as consequências morais da doutrina por si estruturada. Tal deve ser o fio condutor de todo o pesar e agir dos trabalhos realizados no Centro Espírita.
     É, pois, de suma importância que estejamos atentos a toda a complexidade e a relevância dos estudos e trabalhos realizados na Universidade do povo – o Centro Espírita – tendo sempre em mente o fato de que um dos grandes objetivos preconizados pelo Espiritismo é o de aprendermos a pensar, e não simplesmente sermos condicionados a pensar desta ou daquela maneira.
Rodrigo Fontana França
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1. HERCULANO PIRES, José. O Centro Espírita.4.ed. São Paulo: Paideia, 2010. p.09.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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