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A ação espírita e o dia a dia da vida

A ação espírita e o dia a dia da vida

Por Raul J. F. de Oliveira

Doutor em Ciências, professor acadêmico e coordenador de grupos de estudos espíritas.

 

Em 14/04/2000 Antonio Grimm, através do médium Maury Rodrigues da Cruz, expressou no seu discurso intitulado “Espiritismo e a visão crítica da ação espírita”, um trecho de suma importância para o entendimento da integração da ação do agente espírita com a vida.

Com este intuito, Grimm assim afirma:

É importante dizer que a Doutrina dos Espíritos procura conceituar, instrumentalizar e instrucionalizar os médiuns espíritas ao desenvolvimento, à praticidade da ação espírita, voltada para a integração com a vida, para a construção humana. No entanto, a Doutrina entende que só é possível uma ação espírita integrada com a vida quando o agente mediúnico alcançou o conceito de vida como sistema circular. Desta feita fica mais fácil a compreensão da lei de causa e efeito. (CRUZ, 2001, p. 33).

Observando cuidadosamente o contexto do parágrafo, inicia-se uma pequena discussão do seu conteúdo focalizando os termos instrumentalizar e instrucionalizar. Instrumentalizar, ou dar possibilidade a ter instrumentos, é uma das grandes questões da Doutrina Espírita na relação com os encarnados. Pois, a partir do fornecimento de instrumentos necessários (como a prece, o passe, o exercício mediúnico, etc.) o processo reencarnatório, que tem como característica fundamental a educação do espírito, ganha sustentação em momentos de dificuldades ou de manifestação de grandes desafios. Já o sentido da síntese instrucionalizar (já que o termo não existe nos dicionários da língua portuguesa) vem de encontro com o sentido de instruir o espírito através de princípios doutrinários que torne mais integrativa com o universo a sua caminhada evolutiva dentro do próprio processo educacional em que vive no momento presente.
No entanto, logo a seguir é importante esclarecer a questão da ação espírita, já que isto é o que a Doutrina propõe que o agente espírita realize. Esta ação é algo inerente ao praticante dos princípios doutrinários, pois, aquele que concentra em si todos os resultados das suas experiências vividas é o espírito, sendo desta forma o portador da sua cultura reencarnatória. Portanto, atua segundo o seu aprendizado, que está em constante evolução. Assim, é o ator e portador da cultura, que perante o estudo e o aprendizado da Doutrina realiza a sua ação segundo o cruzamento do seu possível cultural com os princípios que internalizou. Então, atua da melhor forma possível segundo o que vive do Espiritismo.
A integração com a vida e a construção humana estão diretamente relacionadas com os valores que a Doutrina propõe para o seu praticante. Instruindo-o a conjugar o seu comportamento com a edificação de toda a vida que o rodeia, procurando entender que a sua participação como ser vivo e inteligente tem muito a contribuir na harmonia com a lei universal, na relação do seu ser com a manifestação de Deus quando estabeleceu todas as coisas. Desta forma, este praticante da integração com a vida, promove a construção humana, pois se entende como conciliador do seu aprendizado com todos os outros seres inteligentes, compreendendo que cada qual se habilita a participar de certos momentos evolutivos quando alcança instantes de lucidez intensa, que ocorrem em circunstâncias diferenciadas para cada espírito.

SISTEMA CIRCULAR
A partir da segunda frase, Grimm faz um alerta quanto ao entendimento que a Doutrina manifesta para que os conceitos até agora discutidos e explorados venham a ter efeito. Declara que o agente mediúnico só irá praticar a ação espírita no sentido proposto quando alcançar o conceito de vida como sistema circular.
Digamos que neste momento se estabelece a chave para que o praticante espírita entenda a sua participação no processo de integração do seu ser encarnado no meio material em que se manifesta. Pois, a perspectiva da existência de um sistema estabelece a inter-relação que todos os seus integrantes carregam para compor a unidade deste sistema. O que implica que todos os integrantes conjugam para o bom funcionamento do sistema de forma harmônica, sem rupturas, subjugação ou discriminação de importância de cada componente. Um sistema é algo coletivo que trabalha ou está empenhado na manutenção do seu estado funcional efetivo.
Quanto ao adjetivo circular que é aplicado ao termo sistema, indica que no seu sentido de existência e manutenção liga tudo o que alcança ao seu próprio estado de ser. Ou seja, ao estabelecer relações e contatos reflete sobre si mesmo o comportamento que expressa nesta relação. Como o que ocorre num sistema re-alimentado, que toma o seu resultado como parte daquilo que reverte para si mesmo. Sente em si mesmo aquilo que produz para terceiros. Em outras palavras, tem que trabalhar para que tudo ao seu redor continue a promover fatores que possa utilizar na sua manutenção evolutiva, em conjunto, harmônico, conjugado com o meio.
Para encerrar, este último parágrafo traduz a expectativa do autor quanto ao entendimento do sentido de causa e efeito que as ações podem promover no agente espírita em ação. O reflexo que o resultado das causas provoca nos efeitos. A circularidade que um ato praticado percorre na relação com que o disparou. Enfim, a parcela do resultado que recai sobre o próprio executante do ato.

REFERÊNCIA:

CRUZ, Maury Rodrigues da. Doutrina Social Espírita – Cadernos de Psicofonias de 2000. (pelo espírito Antonio Grimm). Curitiba, Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas – SBEE, 2001.

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