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Alfândega rigorosa

Alfândega rigorosa

Uma das únicas certezas que todos temos aqui na Terra é que em algum momento teremos que deixá-la. Tal constatação não distingue gênero, credo, status social, posição geográfica,… O desencarne atingirá absolutamente todos, quer gostemos ou não. Ainda assim, há um imenso contingente de pessoas que enxergam tal assunto como um enorme tabu, evitando ao máximo mencioná-lo ou ao menos pensá-lo.

Ora, não seria um contrassenso fugirmos e nos afastarmos daquilo que é inevitável? Certamente teremos que conviver várias vezes ao longo de nossa trajetória com o desencarne de pessoas a quem queremos bem, e em algum momento nossa vez também chegará o que faz com que seja no mínimo prudente nos questionarmos constantemente sobre essa realidade inexorável.

Independentemente de nossas crenças, há outra constatação que também é absolutamente universal: ao deixarmos a Terra, seja lá o que vier a seguir, não carregaremos conosco absolutamente nenhuma de nossas posses materiais, mas certamente levaremos em nosso ser – o espírito – todas as nossas virtudes, o aprendizado que fizemos, o aproveitamento que soubemos fazer das oportunidades e o bem que fizemos ao próximo.

Em um sentido metafórico, poderíamos considerar nossa passagem pela Terra como sendo uma viagem, que assim como qualquer outra nos permite fazer novas experiências que contribuem imensamente com o nosso crescimento.

Toda viagem tem começo, meio e fim, e, ao término dessa importante viagem, retornaremos ao lugar de onde viemos muito mais enriquecidos com novos aprendizados, novos amigos, novos entendimentos, etc.

Seguindo esse sentido metafórico, podemos considerar que para retornar à nossa origem, precisaremos passar por uma alfândega rigorosíssima, na qual só é permitido seguir adiante aquilo que guardamos em nosso ser, ou seja, aquilo que somos. Absolutamente todos os nossos bens materiais ficam retidos, não havendo possibilidade de seguirem conosco em nosso retorno. Assim é a Lei e ela é cumprida de forma plena.

Como bons viajantes que somos, e sabedores de que os bens espirituais serão importantes em nosso retorno, enquanto os bens materiais serão invariavelmente deixados para trás, nos parece fácil perceber quais devem ser buscados com mais afinco ao longo de toda a nossa trajetória e quais são de importância reduzida, eis que serão utilizados por alguns poucos dias, meses ou anos, e serão absolutamente irrelevantes para o resto da eternidade.

Lamentavelmente, por mais que esse sentido ilustrativo torne as coisas ainda mais claras, notamos que muitas pessoas continuam a privilegiar o TER em detrimento do SER, e que tantas outras tentam enganar a si mesmas ao fingirem não perceber que a sua viagem está a cada dia mais próxima do término.

Já é chegado o momento de nos apercebermos de que a realidade é muito mais ampla do que aquilo que conseguimos enxergar com os limitados olhos da matéria. Quanto antes formos capazes de despertar nossa consciência para a realidade espiritual, melhores serão as escolhas que faremos nessa nossa viagem, eis que saberemos dar prioridade àquilo que tem real valor e que seguirá conosco para toda a eternidade.

Do contrário, se continuarmos a privilegiar somente aquilo que é da matéria e pouco nos importarmos com o desenvolvimento das virtudes e do conhecimento, o prejuízo será imenso já que, como vimos, a alfândega para o outro lado é rigorosa.

Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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