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Alma gêmea existe?

Alma gêmea existe?

Por Ana Elisa Oliveira – publicado na edição impressa da SER Espírita n.17

Passamos boa parte das nossas vidas procurando, como se diz na expressão popular, a nossa ‘tampa da panela’, a ‘outra metade’ ou a ‘alma gêmea’. A ideia de que, antes de nascer, um ser é dividido em dois e cada parte é encaminhada para a Terra, para que o destino as una mais tarde, faz com que muitos busquem incansavelmente essa pessoa perfeita.
Mas será que a chamada ‘alma gêmea’ existe mesmo na concepção espírita? De acordo com o expositor da Federação Espírita do Estado de São Paulo (Feesp), Reinaldo Alves dos Santos, um homem não pode ser metade de uma mulher, não é criado para ela e vice-versa. Inspirado com as elucidações de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, ele explica que, se um espírito fosse a metade do outro, quando separados, ficariam incompletos. “Existem espíritos simpáticos entre si, somente isso”, opina.
Segundo a psicóloga Cristiane Marim Fernandes, a premissa básica para as almas gêmeas é a existência de uma forte ligação e sintonia energética, não somente entre os casais, mas também entre mãe e filho, irmãos e até amigos, ou seja, qualquer espírito que seja semelhante, independentemente de parentesco, pode se encaixar na ideia da alma gêmea. “É um encontro de almas que pode ou não ser uma continuação do que aconteceu em outra vida, mas é certamente fruto da conspiração do Universo que os uniu para aprenderem e viverem experiências pertinentes às suas caminhadas evolutivas”, explica a psicóloga.
Um exemplo de almas afins é o casal Carlos Ernesto dos Santos e Terezinha Bezerra de Araújo, ambos com 62 anos, voluntários da Feesp. Adeptos da Doutrina Espírita há cerca de 30 anos, são eternos namorados. Santos arrisca dizer que nos 36 anos de relacionamento nunca houve uma briga. “O casamento é uma bênção, pois com a convivência temos a possibilidade de, por meio do amor da família, colocarmos para fora tudo aquilo que há de bom dentro de nós”, afirma. Quanto à existência de almas gêmeas, ele acredita que fomos criados simples e ignorantes e buscamos a nossa evolução e crescimento como seres individualizados, ou seja, cada um de nós possui uma identidade, ninguém é parte de ninguém. “Devemos procurar uma pessoa que esteja afinada conosco, que pense como nós. Não adianta eu gostar do azul e procurar alguém que goste do vermelho, pois vamos ficar nos atritando”, aconselha.
É importante lembrar que estamos na Terra para aperfeiçoamento, portanto, se duas almas forem iguais em sua maneira de pensar, falar e agir, que aprendizado poderão oferecer ao companheiro ou companheira? Não é com o diferente que fazemos o mais rico aprendizado?

REFORMA ÍNTIMA
Todos sabem: não é nada fácil encontrar uma pessoa que esteja disposta a desenvolver uma relação afetiva. A dica da psicóloga Cristiane durante a procura do grande amor é a seguinte: ao invés de se preocupar com a busca desenfreada pela alma gêmea, é mais importante preocupar-se com o relacionamento que você estabelece consigo mesmo. A necessidade de estar pleno para dar e receber e que não se deve colocar a própria felicidade nas mãos de outra pessoa, pois isso seria dar muito poder
ao outro. “Tanto a Psicologia quanto o Espiritismo concordam que cada ser é único. Você não é ‘meio ser humano’ buscando sua outra metade e não pode ser ou estar dividido ao se relacionar”, esclarece.
Cristiane acredita que não é de crucial importância saber se o homem ou a mulher com quem está se relacionando é sua alma gêmea. É preciso, sim, fazer dessa relação um encontro especial, rico em aprendizagem sobre si mesmo, sobre o outro e sobre o amor, potencializando os objetivos reencarnacionistas de ambos. “Ame-se, goste-se, respeite-se, tenha autoestima e se disponha a viver novas experiências. Essa é a melhor maneira de você atrair alguém com quem possa ter um relacionamento evolutivo, pleno e especial e encontrar a sua ‘alma gêmea’”,
conclui a psicóloga.

AMOR ETERNO?
Como dizia o compositor Vinicius de Moraes, “que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”. Ou seja, podemos interpretar essa frase como a importância de aproveitar cada momento com o espírito que está ao seu lado nessa existência.
O expositor da Feesp ressalta que dois espíritos podem reencarnar diversas vezes como companheiros, mas tudo vai depender da sintonia vibratória que existe entre eles. “Pode ser que um seja mais evoluído que o outro, onde pode haver um tempo sem contato, porém, um deles, o mais evoluído, poderá ser o anjo da guarda, ajudando e incentivando aquele que permanece ainda em duras provações e/ou expiações”, esclarece Reinaldo. A obra Há Dois Mil Anos, psicografada por Chico Xavier – mensagens de seu mentor espiritual, Emmanuel –, conta a história de amor entre o senador Públio Lentulus, reencarnação passada do autor espiritual, e Lívia, sua companheira, na época em que Jesus Cristo esteve na Terra. Nela, Lentulus escreve poemas que falam sobre almas afins.
CADA UM POR SI
O capítulo VI de “O Livro dos Espíritos” traz informações sobre relações simpáticas e antipáticas do espírito. A questão 298 da obra indaga: “As almas que se devem unir estão predestinadas a essa união desde a sua origem, e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, a sua metade, à qual algum dia se reunirá fatalmente?”. E a resposta é clara: “Não; não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre os espíritos, mas em graus diferentes, segundo a ordem que ocupam, a perfeição que adquirem: quanto mais perfeitos tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males humanos, da concórdia resulta felicidade completa”. Na questão 301 do mesmo livro, Kardec pergunta: “Dois espíritos simpáticos são o complemento um do outro, ou essa simpatia é o resultado de uma afinidade perfeita?”. Os espíritos respondem que “a simpatia que atrai um espírito para outro é o resultado da perfeita concordância de suas tendências, de seus instintos; se um devesse completar o outro, perderia a sua individualidade.

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