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Aonde quer que vá, estará sempre consigo

É curioso percebermos como algumas pessoas parecem estar constantemente insatisfeitas com absolutamente tudo o que lhes acontece. É como se uma nuvem eternamente negra e chuvosa as seguisse a todo instante, impedindo que possam enxergar o lado bom das coisas, a grande maravilha que é o simples fato de existirmos.

Tais indivíduos tendem a se sentir perseguidos, enxergando problemas mil em fatores externos, sobre os quais muitas vezes não têm qualquer possibilidade de interferir. Muitas vezes, procuram empreender grandes mudanças em suas vidas levando em conta apenas objetivos externos – quase sempre materiais – achando que com isso conseguirão livrar-se de todas as suas angústias. Adotam uma postura de escapismo acreditando que encontrarão alhures a felicidade que não conseguem perceber no lugar em que se encontram.

“- Somente serei feliz quando comprar um carro novo.”

“- Minha vida não presta por culpa dessa cidade que só me dá azar.”

“- Esse país é mesmo uma porcaria! Vou sair daqui o quanto antes…”

Talvez falte a essas pessoas a percepção de que qualquer mudança, para ser bem implementada, deve partir de dentro para fora e que antes de colocarem defeitos em absolutamente tudo o que se encontra à sua volta, devem pensar em realizar uma revolução de cunho pessoal. Para tanto, devem conhecer a fundo todas as suas potencialidades e limitações, devem traçar objetivos de curto, médio e longo prazo, bem como viabilizar os meios necessários para alcançar tais desideratos.

Sêneca – o grande intelectual romano (que foi contemporâneo de Jesus) – em carta dirigida à seu amigo Lucílio nos traz uma importante lição a esse respeito:

Que novidade pode trazer percorrer todas as terras? Ou conhecer muitas cidades e lugares? Toda essa agitação é desnecessária. Perguntas-me por que não sentes nenhum alívio na fuga? É porque foges levando-te contigo. É preciso primeiro depor o fardo que sobrecarrega tua alma; antes disso, nenhum prazer te será aprazível.”[1]

Ou seja, de nada adianta procurarmos o equilíbrio e a felicidade externamente enquanto internamente formos um turbilhão de angústia, desilusão e incompreensão.

Daí porque uma das grandes propostas do Espiritismo seja a de fazermos um olhar mais alongado sobre a realidade, de procurarmos compreender as coisas sob um viés mais amplo, sob uma perspectiva que não seja mecanicista, materialista e extremamente simplificada, mas sim que leve em conta a grande complexidade dos fatores que regem as Leis Cósmicas.

Para tanto, um dos principais fatores que devemos tentar perscrutar é o autoconhecimento. Tendo isso em mente, devemos inquirir a nós mesmos – a todo o momento – sobre as razões de ser de nossa existência e sobre o papel que temos a desempenhar de modo a, pouco a pouco, nos tornarmos aptos a enfrentar da forma mais equilibrada possível os desafios que a vida nos coloca.

Evidentemente que nossa trajetória na Terra é na grande maioria das vezes tortuosa. Exatamente por isso é que é tão importante procurarmos estar internamente alinhados, de conseguirmos nos perceber e nos auto-afirmar, de alcançar uma harmonia com o Cosmos.

Tentar alcançar esse estágio de equilíbrio interno, de extrema serenidade e maturidade, certamente não impedirá que tenhamos desafios a enfrentar – já que tais desafios são necessários à nossa caminhada de progresso e é justamente nas grandes tempestades que se pode conhecer os bons marinheiros. Contudo, servirá para facilitar grandemente a rápida superação de tais desafios, e permitirá que, onde quer que estejamos, seja em qual situação for, consigamos nos sentir bem e bastantes conosco mesmos, emanando equilíbrio para o meio e, assim, contribuindo para a construção de um mundo melhor.

 

[1] SÊNECA. Sobre os Enganos do Mundo. São Paulo: Martins Fontes, 2011. p.14.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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