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Aprender a pensar

Algumas pessoas imaginam os Centros Espíritas como sendo oráculos onde poderiam encontrar respostas para absolutamente todos os questionamentos que possam surgir, por mais triviais que sejam. Crêem-se detentoras de algum mérito especial que as possibilita obter a qualquer instante informações privilegiadas advindas dos espíritos manifestantes, sobre os assuntos mais diversos.
A qualquer desfio mais intrincado que a vida lhes apresentar, não pensam duas vezes antes de correr ao Centro Espírita, ansiando lograr respostas prontas sobre qual o caminho a ser seguido. Há, inclusive, quem deixe de tomar qualquer decisão importante em sua vida, imaginando que a cada momento poderão valer-se dos espíritos para saber como deverão proceder em seu dia-a-dia.
Ledo engano!
Em primeiro lugar, não podemos olvidar que – ao lado de Deus, Jesus, reencanação e comunicação entre os polissistemas cultural material e espiritual – o livre-arbítrio é um dos 05 (cinco) princípios básicos do Espiritismo, a partir dos quais defluem absolutamente todos os desdobramentos pertinentes. Logo, seria de uma ingenuidade sem tamanho entender como adequado qualquer tipo de ‘constatação’ que tenha como decorrência a anulação do livre arbítrio, como por exemplo imaginar que seja dado aos espíritos manifestantes imiscuir-se em questões de ordem particular e tomar decisões em nosso lugar. Pensar dessa maneira seria a negação do próprio Espiritismo eis que em hipótese alguma o livre-arbítrio pode vir a ser desconsiderado ou anulado.
Ademais, devemos ter sempre em mente de que as manifestações dos espíritos servem para nos fornecer instrumentos e instruções para que possamos – nós mesmos – tomar as decisões necessárias para nosso aprendizado e nossa evolução.
Logo, equivoca-se quem pensa que a Doutrina Espírita vem trazer respostas prontas. Seu verdadeiro escopo é possibilitar que possamos buscar compreender as perguntas pertinentes para – a partir daí – partirmos em busca da construção das respostas adequadas.
Nesse sentido, nos parece de extrema relevância o seguinte apotegma proferido pelos espíritos orientadores da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE):
“O Espiritismo ensina a pensar, e não o que pensar”
Bem se vê que o que se espera dos espiritistas não é de forma alguma que pensem o Centro Espírita naquele sentido utente, de busca por respostas prontas e de conselhos particulares. Pelo contrário!
O que se almeja é justamente fomentar esse sentido de reforma íntima, de possibilitar que cada indivíduo, a partir da prática do auto-conhecimento consiga se perceber como uma engrenagem componente do Cosmos e consiga, de per si, traçar seus próprios objetivos, sempre tendentes à prática do bem.
A Doutrina Espírita quer que cada um seja um agente capaz de se compreender e se administrar, e não que seja um paciente sempre à espera de que algum fator externo e alheio à sua vontade o coloque nos eixos; quer que os médiuns espíritas – ou seja, cada um de nós – sejam capazes de refletir, e não de simplesmente repetir; quer que cada um possa tomar decisões conscientes e embasadas, e não que sejam meras ovelhas em um rebanho a balir sem rumo seguindo cegamente imposições trazidas por outrem.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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