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Avaliar o presente antes de culpar o passado

As tradições religiosas foram influenciadas pelo comportamento humano de buscar justiça pela retaliação como forma de colocar um pouco de ordem no caos social.

O artigo 196 do código de Hamurabi que pregava o olho por olho era uma forma de suavizar a violência da época. A proposta legal buscava limitar a punição ao nível do crime, visto que na época a punição era desproporcional e desumana. Antes do código imperava a vingança extravasando crueldade. Apenas um olho por um olho seria uma melhor maneira de compreender o objetivo deste artigo do antigo código babilônio.

Ao estudarmos a evolução do conceito de Deus que os povos antigos faziam, percebe-se que o mesmo evoluiu de um Deus voluntarioso, punitivo e vingativo para um Deus de justiça, bondade e perdão.

Infelizmente a crença generalizada de que Deus pune seus filhos continua. Expressões como crime e castigo; o castigo vem a cavalo; o que será que eu fiz para merecer isso; estão pagando alguma coisa, parecem inferir que as pessoas acreditam que possam estar sendo punidas por algo que fizeram em suas vidas anteriores.

Um segundo olhar pode nos permitir rever isso. Afinal um Deus infinitamente justo e bom não puniria quem não sabia o que fazia, assim como não punimos crianças pequenas que fazem algo que não compreendem. Tal pensamento poderia dar a impressão que se uma pessoa consciente dos prejuízos sociais das suas ações persiste no erro, seria punida por Deus, mas mesmo aqui, isto também não nos parece ser o caso. Exemplificando, mesmo que eu tenha tirado a vida de alguém em uma encarnação passada, isto não significa que alguém tenha que tirar a minha vida nesta encarnação, ou em uma encarnação futura para eu aprender a não matar. Em algum momento da minha trajetória evolutiva, por meio de alguma das contingências da vida aprenderei que a vida tem grande valor.

Segundo o princípio da reencarnação, um cidadão investido em uma posição de responsabilidade por verbas públicas, que em lugar de aplicá-las na melhoria do ensino e da saúde pública, por exemplo, prefere desviar para benefício próprio, estará causando seu próprio infortúnio futuro, pois ao reencarnar, encontrará os efeitos daquilo que por ação ou omissão permitiu que acontecesse. Note a justiça originada na lei de causa e efeito e a ausência da necessidade de punição.

Além disso, é comum encontrar pessoas que acreditam estar sofrendo hoje, efeitos dolorosos de erros em uma encarnação passada, quando na verdade as causas das suas dificuldades estão no seu momento presente, mas lhes parece mais fácil culpar o passado do que mudar comportamento no presente.

Um amigo se queixava de dificuldades nas articulações e achava que estava pagando algo. Depois que passou a ouvir seu médico, fez reeducação alimentar e perdeu peso, suas articulações pararam de causar problemas e sua qualidade de vida retornou.

Precisamos fazer um novo olhar sobre que podemos mudar em nosso comportamento presente antes culpar Deus por nos punir de algo em nosso passado. Não há punição exceto aquela que impomos a nos mesmos.

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Sobre o Autor

Paulo Henrique Wedderhoff

Paulo Henrique WedderhoffAdministrador; Professor Universitário na Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC); e Conselheiro Editorial da revista SER Espírita.

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