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Breves considerações sobre a reencarnação

Juntamente com Deus, Jesus, livre-arbítrio e a comunicação entre os polissistemas espiritual e material (mediunidade), a reencarnação (ou pluralidade de existências) é um dos cinco pilares que compõe a doutrina dos espíritos.

Tal princípio não é exclusividade da doutrina dos espíritos, estando consagrado em uma série de outros sistemas religiosos, principalmente os de origem oriental. Mesmo nas religiões ocidentais, vê-se que a reencarnação era, e, em algumas delas, ainda é, um de seus princípios elementares.

Entre os primeiros cristãos, tal ideia era bastante disseminada, tendo como um de seus expoentes Orígenes de Alexandria. Posteriormente, no século VI, com o segundo Concílio de Constantinopla, todos os teólogos reencarnacionistas foram excomungados, abolindo-se em definitivo – e por decreto – a ideia de reencarnação do catolicismo.

Ainda assim, tal questão permanece bastante viva em boa parte das demais religiões, e, como veremos a seguir, decorre de uma análise lógica, passível de ser realizada por qualquer um de nós.

O contraponto que se faz ao reencarnacionismo é a unicidade da existência, com a concepção do ‘céu’ para aqueles que agiram em conformidade com o bem e do ‘inferno’ para os que se portaram de forma indigna, sendo tais penas eternas e imodificáveis. Há, ainda, aqueles que consideram nada mais existir após o término da vida material.

Com o devido respeito aos que acreditam em algum desses posicionamentos, é bastante fácil percebermos que os mesmos são bastante frágeis.

Considerando que Deus é soberanamente justo e bom, não há como concebermos que a creação dos espíritos se faz para uma única existência corpórea e nada mais, sendo os mesmos punidos ou recompensados eternamente de acordo com suas atitudes. Considerar que não existe qualquer possibilidade de redenção ou de aprimoramento após uma existência carnal é o mesmo que negar a justiça divina.

Sob esse prisma, como explicar as desigualdades sociais, culturais e intelectuais entre os indivíduos? Como aceitar que algumas pessoas tenham limitações físicas, e outras não? Qual a razão para alguns passarem pelas mais árduas provações enquanto outros apenas gozam as benesses materiais? O que levaria um indivíduo a buscar progredir intelectual e moralmente se acreditasse que somente por não causar nenhum mal grava a outrem já poderá desfrutar do céu por toda a eternidade? Como explicar a diferença que existe entre o estado social atual e o dos tempos de barbárie? Como graduar o sentido de bem e de mal, de certo e errado? Como conceber a coexistência de pessoas de boa e má índole?

Aqueles que consideram tão-somente o modelo materialista, acreditando que a morte física implica na extinção do seu ser, adotam um paradigma absolutamente ineficaz para regular a vida social, eis que sua sanção é exclusivamente humana “e o homem só pode conhecer os atos exteriores e patentes, não podendo, portanto, a sociedade levar sua correção senão a tais atos, que são uma gota, em relação ao oceano de atos que se ocultam”[1]. Este limitado ponto de vista, acaba por defender a impunidade, desde que o erro não seja externado, o que se afigura um verdadeiro absurdo!

Para a Doutrina Espírita, todos os espíritos são creados, em um mesmo grau de ignorância e inocência, em identidade de condições e com os mesmos instrumentos de aperfeiçoamento, a fim de que em algum momento consigam alcançar o destino que lhes é comum: a máxima perfectibilidade possível.

Assim, não há que se falar em anjos e demônios, eis que o que existe são exclusivamente os variados graus de evolução de um dado espírito. Não há também que se cogitar a possibilidade de penas eternas, eis que além de absolutamente contrário à justiça Divina, tal fator impediria o aperfeiçoamento dos espíritos a elas submetidos.

O objetivo das encarnações sucessivas é justamente o de conceder a cada espírito a possibilidade de aprimorar-se de forma gradativa, de acordo com seus méritos e esforços pessoais.

O reencarne do espírito se dará sempre em virtude de um princípio de identidade de freqüências, ocorrendo de acordo com a sintonia que o espírito consiga fazer com o meio cultural, a localidade, a família e os demais fatores envolvidos.

Uma vez que os espíritos são dotados de livre-arbítrio, a partir da escolhas tomadas por cada um durante uma dada existência, o mesmo alcançará um determinado nível evolutivo, cumprindo, total ou parcialmente seu programa reencarnatório. Cabe, pois, a cada um de nós buscar otimizar e acelerar esse processo através da incessante busca pelo autoconhecimento e pelo caminho do bem.

 

[1] MENEZES, Bezerra de. Espiritismo, Estudos Filosóficos. v.III. São Paulo: FAE, p.81.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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