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CENTRO ESPÍRITA: UNIVERSIDADE DO POVO

CENTRO ESPÍRITA: UNIVERSIDADE DO POVO

Por Vilma Kuckel – publicado na edição n. 12 da revista SER Espírita impressa 

A vida é uma oportunidade diária para aprendizados que permitem maior coerência no pensar e agir. As casas espíritas têm cada vez mais valorizado os grupos de estudos como ferramentas fundamentais nesse processo.
O ensinamento espírita auxilia no aumento da responsabilidade das pessoas sobre suas atitudes e pode produzir uma reforma íntima por meio da transformação para o bem. O estudo da Doutrina Espírita, através de temas e condições que conduzam à reflexão sobre a importância da melhoria
moral, proporciona uma visão clara e aprofundada sobre os princípios do Espiritismo. A maior parte dos centros espíritas do país propõem os estudos como uma ferramenta para essas melhorias no indivíduo. Não se estuda apenas a Doutrina Espírita, que traz instrumentos e instruções para que cada pessoa tenha condições de mudar atos e pensamentos, ma também há debates, conversas, dinâmicas de grupo, leituras e preces durante os estudos na casa espírita.
A diretora da Federação Espírita Brasileira (FEB), Marta Antunes Oliveira Moura, ressalta o valor cognitivo da Doutrina dos Espíritos revelada ao homem, em função do conhecimento que a pessoa adquire dos princípios doutrinários do Espiritismo, suas propostas e finalidades. Tudo isso por meio da participação em grupos de estudos espíritas. “O participante aprende porque se encontra aqui, de onde veio e qual a sua destinação”, diz.
É fundamental que dentro do grupo de estudos cada sujeito seja preparado para desenvolver a concepção de que a evolução compreende o sentido universal da vida. À medida que o ser humano desenvolve esse potencial, avança em conhecimentos que propiciam a verdadeira liberdade de pensar e agir, atingindo a coerência em seus valores, sentimentos, pensamentos e ações, construindo no seu ser a serenidade e, assim, a paz interior. Para tanto, Marta explica que “o indivíduo compreende a necessidade de trabalhar pela sua melhoria espiritual, como esforço em combater as imperfeições ou más tendências que a pessoa ainda traz consigo e, ao mesmo tempo, investir no desenvolvimento de virtudes. “A melhoria espiritual é viabilizada pela prática do bem”, comenta. Marta completa lembrando a máxima de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que diz que “fora da caridade não há salvação”.
É importante atentar que a ‘salvação’ proporcionada pela caridade não é um ato de protecionismo de Deus, mas sim um ato de justiça, dentro da Lei de Causa e Efeito e da lógica do pertencimento. Fazer caridade, como consta em O Evangelho Segundo o Espiritismo, vai além da doação de bens materiais, trata-se de uma expressão autêntica do homem em equilíbrio.

RESPONSABILIDADE E EVOLUÇÃO
A coordenadora de Recursos Humanos, Nielma Ferreira dos Santos, conta que aprendeu muito com a participação em grupos de estudos espíritas no Recife (PE) e que, inclusive, mudou comportamentos e atitudes. “Para mim, a Doutrina Espírita é mais que uma religião. É uma doutrina de vida que me conforta e me fortalece para vencer as dificuldades do dia a dia. Cada vez que a estudamos descobrimos que ainda estamos longe dos ensinamentos de Cristo, esse pensamento me fez mudar a forma de pensar e agir em várias situações da vida”, afirma.
A mudança de comportamento é muito difícil para Nielma. Porém, ela admite que todos devem se esforçar para isso. E só o esforço já é um grande passo. “É um processo lento, mas eu tento não desistir nunca, e me cobro muito esta mudança moral”, conta Nielma.
Na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) – que possui núcleos em várias cidades do Brasil – a filosofia dos grupos de exercícios mediúnicos é alcançar o princípio básico da vida, que é o espiritual. Em encontros semanais, os grupos trocam experiências, informações e, através de estudos e pesquisas, buscam construir o conhecimento que leva a um objetivo maior: a valorização da vida. Na SBEE, os espíritos orientam os médiuns sobre o estudo permanente, tanto das obras espíritas – principalmente da codificação, como O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, entre outros – como sobre os conhecimentos culturais que englobam o cotidiano de cada médium e do centro espírita. Os espíritos também orientam sobre a manutenção de um olhar atento sobre novos conteúdos científicos.
O plano político-pedagógico é fundamental dentro da SBEE, e nele é baseada toda a filosofia dos grupos. O espírito Marina Fidélis, uma das orientadoras da SBEE, lembra sempre da importância desse plano metodológico para a realização eficiente e séria dos estudos.
A advogada e professora do curso de Teologia Espírita da Faculdade Dr. Leocádio José Correia (Falec), de Curitiba, e coordenadora de grupos de estudos da SBEE, Danielle Rocha, ressalta que a Doutrina Espírita está em constante mudança, e que na SBEE isso é enfatizado nos grupos. “A Doutrina é viva, movente como o conhecimento, eterna como cada um de nós. Não preenchemos nossos espaços de indagação com entulhos que não acompanham a evolução da ciência e da ética conquistadas pela humanidade. A Doutrina dos Espíritos se solidifica todos os dias na compreensão, no conhecimento e no aprendizado contínuo do espírito”, diz a advogada.

TRABALHO E AUTOCONHECIMENTO
Nos grupos de estudos espíritas as pessoas são estimuladas a se conhecerem melhor para enfrentar as oportunidades, desafios e contradições do cotidiano. “Os estudos instrumentalizam o participante para o autoconhecimento, para enxergar a si mesmo e o mundo em que vive sobre a ótica da responsabilidade dos desdobramentos de sua escolha, compreendendo que cada ato, pensamento e sentimento possuem força para alterar o mundo em que vive”, explica Danielle.
O médico Marcelo Garcia Kolling, que é responsável pela Coordenadoria de Estudo da Doutrina Espírita da Federação Espírita do Paraná (FEP), apresenta três pontos que julga fundamentais serem tratados dentro do centro espírita, tanto em atendimentos quanto nos grupos de estudo. São eles: autoconhecimento, vida social e trabalho. Para o médico, estimular o autoconhecimento é sinônimo de ajudar o indivíduo a ser melhor. A vida social, explica Garcia, dá ao “espírito as oportunidades para se realizar na convivência, nutrindo-se ao mesmo tempo em que oferece de si. A Lei de
Sociedade é uma Lei Natural (O Livro dos Espíritos) e aquele, pois, que se isola priva-se do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se’ (O Evangelho Segundo o Espiritismo). É na vida social que desenvolvemos as virtudes, as perfeições. As virtudes estão em estado latente; elas são a sementeira divina em cada um de nós. A absoluta maioria das virtudes só se desenvolve na relação com os outros. Humildade, caridade, tolerância, perdão, generosidade, entre outras, são virtudes relacionais. Por isso, o contato com o outro é importante, inclusive e sobretudo, para que nos conheçamos”.
E o trabalho serve para a conscientização e realização do sentido existencial. “
Muitos imaginam que primeiro precisam encontrar o sentido, para depois partir para a tarefa, mas esquecem de que a tarefa em si é terapêutica, oferecendo ensejo para as reflexões que ajudam a encontrar o próprio sentido”, ressalta Garcia.
Marcelo Garcia ressalta que as instituições espíritas têm o papel de auxiliar as pessoas a serem melhores em pensamentos e ações. “As instituições espíritas podem e devem colaborar com os indivíduos, criando um ambiente que favoreça esses três pilares, suas atividades podem dar substrato a profundas reflexões e ao autoencontro. À medida em que as pessoas mergulham na compreensão da vida e das leis que a regem; podem ler e principalmente discutir em grupos de estudo os princípios que devem nortear suas vidas”, lembra.

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