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Colheita obrigatória

Colheita obrigatória

Um dos cinco pilares que compõe a base de sustentação do Espiritismo é o livre-arbítrio. A partir de tal ideia, podemos fazer um sem número de desdobramentos que são da mais extrema importância para bem podermos nos conhecer e compreender as razões e objetivos de nossa existência.

Uma das primeiras – e mais importantes – lições que podemos tirar dessa regra geral é a de que não faz sentido falarmos em ‘destino’ ou ‘predestinação’. Ora, se temos liberdade para, a partir de nossa avaliação, tomar ou não tomar determinada atitude, ir ou não ir para algum lugar, virar à esquerda ou à direita, etc., evidentemente que não há como concebermos que o nosso ‘destino’ irá acontecer invariavelmente, independentemente de nossa vontade ou de nossas escolhas anteriores, como se fôssemos marionetes guiadas por uma força caprichosa e desconhecida.

Basta fazermos uma rápida reflexão para percebermos que tudo aquilo que somos e alcançamos em nossas vidas é fruto de nossas escolhas pretéritas, das oportunidades que soubemos (ou não) aproveitar e da forma como reagimos aos percalços que certamente já surgiram em nosso caminho. Isso se dá mesmo se considerarmos a vida em seu sentido mais amplo, desde a nossa creação, passando por todas as nossas encarnações até o presente momento, somos sempre a síntese de nossas escolhas e do aproveitamento que soubemos fazer das oportunidades que tivemos.

Evidentemente que as situações de nossas vidas no mais das vezes decorrem de relações complexas, nas quais há diversas variáveis envolvidas, influenciadas por escolhas de outras pessoas que contribuem para determinado resultado ou mesmo por fatores que à primeira vista sequer entendemos. Contudo, mesmo que não se possa falar em um determinismo e que existam variáveis além do nosso controle, sempre nos é inerente a liberdade de escolhermos o caminho que seguiremos.

Ao nos convencermos de que somos dotados dessa ampla liberdade de escolha, devemos imediatamente perceber que isso só aumenta nossa responsabilidade pelos nossos atos posto que há uma razão direta entre a qualidade de nossas escolhas e o êxito alcançado.

Em preleções realizadas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) através do médium Maury Rodrigues da Cruz, o espírito Leocádio José Correia constantemente nos lembra de que aqui na Terra a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Ou seja, tudo aquilo que plantarmos, haveremos invariavelmente que colher.

Esta interessante (e importante!) metáfora nos chama a atenção justamente para a grande responsabilidade que temos sobre nossas atitudes e para as consequências daí advindas. Se semearmos o bem, o equilíbrio e a fraternidade, certamente é isso que iremos colher. Por outro lado, se optarmos por semear a mentira, a inveja e a desarmonia, não podemos esperar algo diferente como consequência.

Logo, ao invés de nos queixarmos de termos ‘azar’ em determinados segmentos de nossas vidas, ou continuarmos a atribuir ao ‘destino’ os rumos de nossas existências, devemos procurar gradativamente nos afastar dessas ideias fantasiosas e assumir a responsabilidade que temos pelos nossos atos e pelos rumos de nossas vidas.

Vamos, doravante, tomar o cuidado de procurar semear somente coisas boas, pois assim certamente faremos uma colheita bem mais proveitosa.

Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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