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Conhece-te a ti mesmo

Uma das principais bases de todos os sistemas morais e religiosos da Terra, é a busca e a compreensão do autoconhecimento. Podemos perceber tal figura como supedâneo em uma série de sistemas filosófico-religiosos, como os preconizados por Sócrates, Sidartha Galtama, Krishna, Confúcio, Lao Tse, etc.

Aliás, interessante atentarmos ao fato de que a frase ‘conhece-te a ti mesmo’ estava escrita no frontispício do oráculo em homenagem a Apolo (deus Sol), em Delfos, na Grécia, já no século VI, a.C.

Em nossas vidas, quase que diariamente nos deparamos com situações contraditórias e de conflito. Na trajetória da Terra, faz-se imprescindível que vivenciemos determinadas situações a fim de que possamos, a partir delas, fazer o aprendizado necessário para nossa evolução espiritual. A principal finalidade da vida na Terra consiste no aperfeiçoamento, e este aperfeiçoamento só se alcança através do autoconhecimento.

A única forma de se atingir o autoconhecimento é através da busca individual pela sua própria essência. Isso se faz através de uma série de indagações que devem ser feitas diariamente, como uma espécie de autoavaliação do dia que se passou.

A primeira indagação que deve ser feita é a seguinte: “O que eu posso fazer para mim neste momento?”. Importante perceber que não se trata de busca pelo individualismo, mas, devemos ter em mente que quando a pessoa está bem consigo mesma, poderá aceitar e compreender o próximo, dentro de suas características e limitações peculiares.

Outras questões podem ser colocadas para que se atinja níveis satisfatórios de autoconhecimento, tais como: “Quem sou?” “De onde vim?” “Para onde vou?”.

Todos nós temos, ainda que inconscientemente, uma noção do papel que devemos desempenhar no trânsito terreno. A avaliação constante de tais perguntas contribui sobremaneira para que as respostas a elas tornem-se cada vez mais claras em nossas mentes.

Ainda, em nível de avaliação individual, é importantíssimo questionar-se se naquele dia que passou, faltamos alguma vez com nosso dever. Também é salutar nos perguntarmos se alguém teria algo para se queixar de nós e de nossas atitudes.

Por mais que não tenhamos feito nenhum mal evidente naquele dia, cabe nos questionarmos se praticamos todo o bem que poderíamos ter praticado ou se tais atitudes foram apenas tomadas de forma parcial e buscando algum benefício próprio.

Qual a melhor forma de fazermos esse julgamento individual das boas e más atitudes? Como saber se estamos caminhando em busca de um aprimoramento espiritual efetivo? A resposta a esse questionamento pode parecer simples, mas sua aplicação prática necessita de muita reflexão.

Ora, uma vez que Deus é soberanamente justo e bom e não tem duas medidas para a justiça, quando estivermos indecisos sobre o valor de nossas ações, devemos nos perguntar como compreenderíamos aquela ação, se tivesse sido tomada por outra pessoa.

Em nosso cotidiano, tendemos a ser bastante rígidos com os defeitos dos outros, ainda que estes sejam mínimos, ao passo que, muitas vezes, sequer notamos nossas próprias falhas, por maiores que sejam. Tal atitude pode parecer bastante cômoda, porém, em verdade, é totalmente equivocada, eis que avessa à necessidade incontestável de se alcançar o desenvolvimento individual.

Aquele que se autoconhece, é condescendente para com o próximo e duro para com suas próprias atitudes, eis que tem plena consciência de que deve compreender e respeitar ao próximo dentro de suas limitações, dentro do possível de cada indivíduo. Por outro lado, quando se trata de avaliar as próprias atitudes, a postura crítica é imprescindível ao aprimoramento.

Evidentemente que a tarefa não é fácil e o desafio proposto é bastante complexo. Contudo, devemos corajosamente buscar dar o quanto antes o primeiro passo necessário ao início de qualquer jornada. Mãos à obra!

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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