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Cuidados com crianças

Cuidados com crianças

Por Aline Messias

Reportagem publicada na SER Espírita impressa n.23

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A vida de Raquel Oracic Villela, de 24 anos, se transformou quando soube que estava grávida de Larissa, há três anos. A princípio, sua gravidez era de risco e ela teve de ficar de repouso por três meses. Depois do susto veio a alegria, pois a principiante contava com o apoio dos amigos e da família. Após o nascimento de Larissa, sua rotina mudou: os dias passaram a ser dedicados exclusivamente ao bebê. “Antes eu saía bastante à noite, mas agora quero apenas ficar com ela, seja em casa ou passeando, mas sempre juntas! Os programas de televisão também mudaram muito, chego em casa e fico até tarde assistindo aos desenhos com ela”, conta a mãe.
Após dois anos e meio dedicados exclusivamente à maternidade, Raquel voltou a trabalhar em um emprego fixo, deixando Larissa aos cuidados de sua mãe, pois ainda não conseguiu colocá-la em uma escolinha. “O ponto negativo de trabalhar é que sinto muito a falta da minha filha e fico me culpando o tempo todo por não poder ficar com ela. Nos fins de semana, faço de tudo para suprir a falta que faço na semana. O ponto positivo é que trabalhando ocupo mais a minha cabeça e ainda tenho dinheiro para comprar tudo que minha filha quer”, confessa Raquel.
A olhos vistos, as crianças estão se desenvolvendo com uma rapidez impressionante. Do nascimento à infância, da infância à adolescência, convivem com a enorme quantidade de informações e com o universo a um simples toque ou clique em computadores, tablets e celulares. Mas até que ponto essa rapidez está contribuindo para a educação dos pequenos?
Segundo a psicóloga e arte-terapeuta, membro da Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas (Abrape), Nádia Regina Miranda Teixeira, elas ainda são precoces, ou seja, pode-se dizer que há alguns anos as crianças eram ‘mais crianças’. “Elas corriam, brincavam, podiam se sujar e se relacionavam umas com as outras. Os pais tinham tempo para passar valores, educar e criar seus próprios filhos. A escola era uma instituição preocupada em preparar bons cidadãos, e não apenas prezava para que passassem de ano”, analisa Nádia.
A psicóloga aponta a falta de tempo dos pais como o principal problema. “Nos dias atuais, os pais deixam que os filhos aprendam com os jogos virtuais e/ou com os programas de TV. O consumismo já faz parte da vida desses pequenos desde cedo. Eles acham que por meio do choro e da birra podem conseguir o que querem e os pais, por terem dificuldades de educar, cedem”, critica Nádia.
Na opinião da professora e formanda em Pedagogia, Luciana Samos Ribeiro, a criança tem voz dentro da família, pode interpelar e opinar quando quiser, mas isso não impede que o adulto coloque limites. “A própria escola estimula a autonomia e isso se reflete no comportamento dos pequenos.
As nossas crianças têm habilidades especiais, desenvolvem as questões profundamente e têm grande imaginação”, observa Luciana.
Aliás, limites são necessários sempre, na opinião da jornalista, educadora espírita e autora do livro Comece pelo Comecinho – Educação Espírita Infanto Juvenil: uma Proposta de Trabalho, Martha Rios Guimarães. Para ela, é dever dos pais impor limites aos filhos. “Há pais que querem compensar a falta de tempo e atenção deixando os filhos fazerem o que quiserem. Especialistas, contudo, alertam para os perigos dos excessos. As crianças precisam entender que não podem fazer ou ter tudo o que querem, mas sim, o que precisam”, alerta. Martha acredita que o fato das crianças de hoje serem mais indagadoras e ‘espertas’ é uma grande evolução.
Vejo nesse comportamento algo de positivo, uma vez que isso leva – ou pelo menos deveria levar – ao diálogo entre pais e filhos”, comenta. Na sua análise, antes a relação respeitosa dos filhos para com os pais era confundida com uma relação de medo.

NÃO É TÃO DIFÍCIL QUANTO SE IMAGINA
O nascimento de uma criança causa muitos impactos na vida do casal. Em muitos casos, ambos precisam trabalhar para sustentar o lar e o novo integrante da família. Pai e mãe acabam tendo que adaptar a carreira à nova rotina para receber o pequenino e educá-lo ao longo dos anos. Luciana afirma que a responsabilidade sobre a vida desse ser que acaba de nascer já é, por si só, um grande impacto. A rotina que se estabelece a partir desse momento é outra, mas com amor, respeito e atenção especial é possível atentar às necessidades dos pequenos de forma satisfatória. “A parceria entre família e escola é fundamental.
A família é a primeira instituição onde a criança se socializa nos primeiros anos de vida e a escola vem para complementar e abrir possibilidades de aprendizagem. Respeitar a criança e seu tempo de aprendizado é o grande diferencial para conviver e educar os pequeninos”, recomenda Luciana. A psicóloga acredita que o bom exemplo é sempre o mais recomendável. “Um projeto familiar deveria começar com bons exemplos mostrados às crianças, por meio de mais gestos e atitudes e menos palavras. Ou seja, pais falam de uma forma, mas agem de outra, apenas confundindo as crianças que estão em desenvolvimento”.
Como exemplo, Nádia conta a história da família reunida para um passeio ao ar livre. As crianças são orientadas a não levar seus jogos virtuais e a aproveitarem o momento para brincar e correr, mas os pais não deixam de levar seus celulares e tablets e não participam desse momento em família. “A convivência familiar é um grande desafio nos dias atuais, mas de grande importância para que estes pequenos possam se desenvolver fisicamente, mentalmente e espiritualmente”, conclui Nádia.
Já a jornalista e educadora espírita Martha acredita que o importante é planejar. Planejando, segundo ela, torna-se viável o convívio com as crianças, mesmo que a família – os pais, principalmente – esteja atribulada com seus afazeres. Então, tempo não é desculpa, segundo Martha. Ela lembra que há pais que ficam o dia todo na companhia dos filhos e nem por isso têm um convívio satisfatório. “Podemos transformar um período curto em algo memorável para todos”, salienta. “O importante é que os pais organizem sua rotina diária contemplando um período – ainda que curto – para reunir a família. Para isso talvez seja necessário abrir mão de alguma coisa – de um programa de TV, por exemplo”, orienta. Ou, propiciar pequenos momentos nas refeições – mesmo que curtos –, estipular um dia para a família se reunir para fazer algo educativo – jogar, por exemplo –, ou mesmo fazer o Evangelho no Lar. “Nesses momentos, o diálogo proporcionará uma maior aproximação entre os entes e possibilitará com que os pais saibam o que está acontecendo na vida de seus filhos”, lembra Martha. Para ela, a mensagem espírita nestes casos pode ser muito esclarecedora. “Através da fé raciocinada passamos a ter uma visão mais ampla da vida e dos acontecimentos que ela nos traz”, diz.
Oferecer outros tipos de diversão aos filhos que não seja apenas a TV também é recomendável. “Demonstrar a eles o prazer da leitura, levá-los a museus, livrarias, bibliotecas é interessante”, exemplifica. Em relação à
TV ou à internet, é preciso impor limites também. A ideia, segundo Martha, é estipular um tempo para elas se dedicarem a estas atividades e sempre ter conhecimento dos programas de TV que estão assistindo ou dos sites da internet que estão acessando.

MENSAGEM

Se nos propomos a edificar o futuro com o Cristo de Deus, é necessário auxiliar a criança.
Se desejamos solucionar os problemas do mundo de maneira definitiva, é indispensável ajudar a criança.
Se buscamos sustentar a dignidade humana, abolindo a perturbação e imunizando o povo contra as calamidades da delinquência, é preciso proteger a criança.
Se anelamos a construção da Era Nova, na qual as criaturas entrelacem as mãos na verdadeira fraternidade, em bases de serviço e sublimação espiritual, é imprescindível socorrer a criança.
Entretanto, convenhamos que os grandes malfeitores da Terra, os fazedores de guerras e os verdugos das nações, via de regra, foram crianças primorosamente resguardadas contra quaisquer provações na infância. E ainda hoje os jovens transviados habitualmente procedem de climas domésticos em que a abastança material não lhes proporcionou ensejo a qualquer disciplina, pelo conforto excessivo. Urge, pois, não só amparar a criança, mas educar a criança e induzi-la ao esforço de construção do Mundo Melhor.

Mensagem do livro Mais Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo espírito de Batuíra, pioneiro da imprensa espírita em São Paulo.

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