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DOR, UMA QUESTÃO DE COMPREENSÃO

DOR, UMA QUESTÃO DE COMPREENSÃO

Indagação existencial: QUEM SOU? DE ONDE VIM? PARA ONDE VOU?

Porque o outro? Eu? Muitos? A dor?

Eis, meus irmãos, a Terra, a existência do homem, o testemunho da humanidade. A vida do homem é a realidade da dor. A Terra é passagem cheia de misérias, desilusões, onde a dor é um fato tão geral e universal que não é possível duvidar da sua existência, desconhecer a sua atuação, deixar de indagar para entender o seu significado.

A dor está no lar, no trabalho, na vida, na atmosfera que o homem respira. Por toda a parte há dores, desenganos, conflitos, ânsias, desilusões, desgostos, enfermidades.

Pobre mortal! Por que a vaidade, a maldade, o luxo, a desigualdade, a falta de caridade, o orgulho, quando todos somos iguais e estamos sujeitos às mesmas tensões, frequentam a mesma escola da vida? Qualquer passo humano e os espinhos escondidos dilaceram-lhe as carnes impondo lágrimas, suores, e muito sangue. Da breve passagem do berço ao túmulo, a dor se faz presente como expoente de mudanças, é energia buriladora do caráter.

O primeiro grito na reencarnação é de socorro.

O primeiro esforço do espírito sobre a matéria é uma tortura, a caminhada é contínua, o aprendizado é constante. A alma vai vencendo as faixas etárias, aprendendo pela experiência a encontrar o significado da vida. Com o suor do rosto rega o seu pão, seu coração parece feito para sofrer, o exercício da emoção é contínuo, são saltos e sobressaltos para manter o equilíbrio. Quando tudo está bem, cria males, torturas imaginárias: que interminável luta! O corpo é fraco, basta olhar e constatar que o homem é o ser da dor. A esse testemunho une-se o testemunho da humanidade, reflexo de cada indivíduo. Todos os povos cantaram e cantam a sua dor numa expressão viva do ser individual e do ser social.

A dor não é uma ironia do destino, muito menos do Creador. É desvio do espírito humano. É transgressão da lei maior – O AMOR. Não é castigo, mas encontro com o caminho, a verdade e a vida.

A dor é um cinzel que forma as obras-primas entre os homens; são os espíritos vigorosos que ultrapassam a prova, alcançando a generosidade, a consciência crítica pelo conhecimento de si mesmo, a grandeza pela identidade com o próximo, a imortalidade, o bem, a justiça, a verdade e a plenitude da vida pelo Evangelho de Cristo, pela fé racional em Deus.

Não há nada mais forte que a dor para mudar comportamentos, para indicar novos horizontes, para ajustar o ontem ao hoje, o hoje com o amanhã. Do que era matéria bruta, à força de golpes, apareceu a obra prima da arte, a maravilhosa harmonia do belo, a identidade e os traços firmes do ser, do conhecer, do fazer, do encontrar a vaidade.

A dor, no espírito forte, nobilita o caráter, desenvolve a virtude, sublima a vida, elevando o homem acima das mazelas da Terra, promovendo o verdadeiro significado do existir pelo exercício do conhecer-se.

Meu amigo, na vossa caminhada terrena não achareis nunca uma beleza mais sensível e tocante que uma alma em luta com a dor. Nada se compara à grandeza, à lucidez, à dignidade, à determinação, à consciência crítica dos mártires da humanidade.

Meus irmãos, a dor ilumina, a dor cura, a dor expia, a dor desprende, a dor engrandece, a dor eleva, a dor educa o espírito. É a reflexão, é a caminhada, é o ser na evolução.

O homem só banirá a dor da Terra quando alcançar o conceito e a praticidade da liberdade, da independência, da justiça social, da identidade de todos os homens, do direito sobrepondo-se à força, da universalidade, da paz.

Amor, fraternidade, igualdade, são palavras simples, mas profundas. Significam equilíbrio, consolo e cura de todas as dores; representam a compatibilidade do espírito com a matéria.

Paz, luz, reflexão, felicidade.

Trecho extraído do livro, “No Cenário da Vida”

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