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DORMIR BEM faz toda a diferença

DORMIR BEM faz toda a diferença

Por Jaqueline Silva – reportagem publicada na SER Espírita impressa n. 10

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A francesa Jeanne Calment foi considerada uma das pessoas mais velhas no mundo. Quando ela desencarnou, tinha 122 anos e 164 dias de vida. A exemplo de Jeanne, podemos viver muito. Mas tenha calma, não precisamos chegar aos 100 anos de idade. Podemos, sim, prolongar a nossa longevidade com atitudes saudáveis, como alimentação regrada, prática de exercícios físicos e pensamentos e atos positivos. Entretanto, existe algo que auxilia a vivermos por mais tempo, além de melhorar a nossa qualidade de vida, e que a maioria das pessoas talvez ainda não tenha se dado conta: a qualidade do sono. Uma boa noite de descanso é importante para o desenvolvimento de atividades cotidianas, para o funcionamento do sistema biológico e para a longevidade.
“Quem dorme melhor, vive mais”, afirma o fisioterapeuta Roberto Quintana. Só que no ambiente tão conturbado em que vivemos, no qual o ritmo de vida é agitado, a qualidade do sono cai. Como lembra o escritor Nuno Cobra em seu texto “A Importância do Descanso”, a vida do homem moderno “parece um videoclipe, cheio de luzes, poluição e perigo para todos os lados”. E é justamente aí que os problemas começam. “Noites mal dormidas causam mau humor no dia seguinte, irritabilidade, diminuição da capacidade de concentração, diminuição do rendimento no trabalho, etc.”, analisa a médica Lucimara Baggio. Além disso, a falta de uma noite de sono adequada pode causar também, em níveis mais avançados, doenças como diabetes do tipo 2, obesidade e até hipertensão arterial.
Para Nuno Cobra, o estresse é outro problema relacionado à falta de descanso e ao ritmo frenético dos dias de hoje. Para ele, um dos fatores que leva o estresse ao homem moderno é a busca incessante pelo consumo. “E uma pessoa estressada tem as portas escancaradas para todo tipo de doença”, diz ele.
Existem atitudes que podem ser modificadas e até evitadas para melhorar a qualidade do sono. Segundo Quintana, não há um tempo certo para dormir. Geralmente, recomenda-se de sete a oito horas de repouso. Porém, é preciso ficar atento ao seu corpo para descobrir a quantidade mais adequada para cada um. “Uma pessoa pode dormir quatro horas e sentir-se bem, enquanto que para outra é necessário mais tempo”, avalia Quintana.
Lucimara relata que o descanso noturno não é uma atividade passiva, pois mesmo quando a pessoa dorme seu cérebro está em atividade, selecionando o que deve ficar na memória e o que deve ser desprezado daquilo que vivenciou durante o dia. Por isso é tão importante dormir bem. Segundo Nuno Cobra, já que nos dias de hoje é difícil fugir do estresse, da correria, então é primordial a qualidade do descanso noturno. “O estresse é como o elástico. Você pode esticá-lo, mas tem de afrouxá-lo para que possa esticá-lo novamente”, brinca o escritor, que estudou Educação Física, Psicologia, Fisiologia e Sociologia.

UMA BOA NOITE DE SONO
Um dos pontos fundamentais para se ter qualidade no sono é a regularidade na hora de deitar-se. Conforme o fisioterapeuta Quintana, é importante estipular um horário para se deitar e, de preferência, para acordar também. Desta forma o organismo estabelece um funcionamento melhor para o relógio biológico. A diminuição do ritmo das atividades antes de dormir também auxilia a relaxar e a estabilizar um horário fixo. “Disciplina é a chave de tudo”, afirma ele. Aparelhos eletrônicos no quarto prejudicam a qualidade do sono, segundo o fisioterapeuta. “
O quarto foi feito para dormir”, observa. Portanto, computadores, televisores, rádios, videogames e até mesmo a leitura de livros ou revistas devem ser evitados antes de dormir. A ingestão de alimentos também deve ser reavaliada. Álcool, chá mate, cafés e refrigerantes não são recomendáveis para serem consumidos à noite, sendo também importante observar as quantidades ingeridas. “É preciso comer pouco à noite e não beber muito líquido para não ficar acordando para ir ao banheiro, pois, assim, há uma ‘quebra’ no relógio biológico, o que afeta o sono”, conta Lucimara.

RESPIRAÇÃO E POSTURA
Há uma dica essencial para uma ótima noite de sono e que, por muitas vezes, passa despercebida: a respiração. “Concentrar-se em respirar já vai induzir a pessoa ao repouso”, argumenta Quintana. Nuno Cobra diz que a respiração é a base da vida.
Como explica Quintana, é preciso realizar a respiração diafragmática, pois é ela que utiliza toda a parte pulmonar e, como consequência, a qualidade do descanso aumenta. A utilização de um travesseiro correto e as posições assertivas na hora de dormir são fatores que influenciam na hora de repousar, além de respeitarem a anatomia do corpo humano.
O travesseiro, por exemplo, deve estar na mesma altura de seu ombro e sua cabeça. Isso permite que não haja um deslocamento do pescoço. Dormir com uma perna em cima da outra, por exemplo, pode desgastar as cartilagens entre os ossos devido ao mau posicionamento. O mais indicado é dormir com o travesseiro no meio das pernas para evitar que isso aconteça. O processo para se ter uma boa noite de sono é uma etapa de adaptação. Portanto, é necessário começar aos poucos e ir observando a resposta de seu corpo. “Passamos 1/3 de nossas vidas dormindo. É muito tempo! Se você faz 90 anos, significa que você passou 30 anos dormindo”, compara Quintana. Quem sabe este seja um dos segredos da francesa Jeanne Calment, já que ela passou 41 anos da vida descansando.

FASES DO SONO
O sono pode ser dividido em cinco fases. Na primeira ocorre o aumento da liberação de melatonina, que é responsável pela sonolência. Na segunda ocorre a diminuição das frequências cardíaca e respiratória, além de uma leve redução na temperatura corporal. Essa seria a fase do sono leve. A terceira e quarta fases são responsáveis por liberarem o hormônio de crescimento (chamado de HGH), que possui como finalidade a redução do acúmulo de gordura, o combate à osteoporose e a manutenção do tônus muscular. Além desse hormônio, é liberada a leptina, que controla a sensação de saciedade, e o cortisol, que é um regulador do sistema imunológico. A quinta e última fase é a do sono REM (termo originário do inglês, que significa “movimento rápido dos olhos”). Nesta fase ocorrem o pico da atividade cerebral e os sonhos. Segundo Lucimara, os neurofisiologistas afirmam que os sonhos estimulam a criatividade e que pesquisas recentes indicam que “é difícil lembrar deles, pois são imagens da memória recente, de curto prazo, mas que podem ser utilizados para avaliar nossos comportamentos e sentimentos”. A médica diz ainda que as pessoas que têm dificuldades para respirar – desvio de septo nasal, apneia do sono, hipertrofia das amígdalas ou adenóides – podem ter dificuldades para atingir o sono REM, e assim não conseguem ter uma boa qualidade no sono e, consequentemente, acordam cansadas.

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