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“Anjos” – eles são como nós

“Anjos” – eles são como nós

Por Mara Andrich – reportagem publicada na edição 15 da revista SER Espírita impressa

Os chamados “anjos” têm um outro entendimento dentro da Doutrina Espírita. Entenda um pouco mais sobre isso.

Quando se pensa em anjos, logo vêm à cabeça aqueles seres com carinhas rechonchudas, vermelhinhas e com cabelos loiros e encaracolados, munidos de asas e de uma auréola. Mas no Espiritismo, os chamados “anjos” não são entendidos desta forma.
A Doutrina Espírita ensina que eles nada mais são que seres mais evoluídos e que, portanto, são chamados pelo codificador da Doutrina, Allan Kardec, de “espíritos puros”. Talvez seja por isso que eles são representados como crianças na iconografia tradicional, já que elas representam a inocência e a virtude. Então, pode-se considerar que os “anjos” na crença de outras religiões seriam, para o Espiritismo, seres bem mais evoluídos ou “espíritos protetores”, preparados para nos auxiliar.
Portanto, a ideia de que estes espíritos são seres diferentes, privilegiados por Deus ou coisa parecida não faz sentido. O que faz sentido é que eles não são perfeitos, e que são incumbidos, ou se dispõem, a proteger outros espíritos, sejam eles encarnados ou não. A palavra “anjo” vem do latim angelus e do grego aggelos, que significa “mensageiro” (para os cristãos, o mensageiro de Deus). Como afirma Kardec no capítulo intitulado “Anjos e Demônios” de O Livro dos Espíritos, a palavra anjo revela, geralmente, a ideia da perfeição moral.
Como explica o presidente do centro espírita Doutor Leocádio José Correia, de Campo Largo (PR) – centro filiado à Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) –, Eliel Valério Scussel, estes espíritos protetores não cuidam das pessoas somente quando elas estão encarnadas. “Frequentemente, eles também as seguem depois do desencarne na vida espiritual e, mesmo em várias existências corporais, porque estas existências são apenas fases bem curtas em relação à vida do espírito”, observa Scussel.
Indo mais além, será que, levando em conta que eles protegem, espíritos evoluídos, como Jesus Cristo, também não seriam “anjos” que encarnaram na Terra? Evidente que isto pode ser considerado. E ainda há os tão falados “anjos da guarda”. Segundo o teólogo espírita Waldomiro Koialanskas, a diferença entre o simples anjo” (espírito mais evoluído, para os espíritas) e o “anjo da guarda” não é tão grande. O “anjo da guarda”, explica o estudioso, é aquele espírito que entra em sintonia com a pessoa porque ambos têm a mesma frequência de pensamento. Esta frequência pode ser determinada porque eles já se conheceram em outras encarnações, foram amigos ou pertenceram à mesma família material. Koialanskas considera, então, que os “anjos” são caracterizados pela proteção individual que fazem, e também pela proteção de um planeta inteiro.
Para o presidente do Centro Espírita Ismael, de São Paulo (SP), Sérgio Biagi Gregório, por mais que as pessoas tenham seus espíritos protetores específicos, nada impede que outros espíritos venham auxiliá-las nos momentos difíceis, sejam encarnados ou não, e que estes encarnados também podem ser considerados “protetores”. “Por exemplo, os pais deixam uma criança ir para a escola sozinha. Para chegar lá, ela precisa atravessar a rua e um estranho a ajuda. Fazendo uma analogia, este estranho funcionou como um ‘anjo da guarda’ naquele momento”. Ou seja: pessoas extremamente boas, que vivem na Terra no caminho do bem seriam “anjos” encarnados. Sendo assim, chega-se à conclusão de que a bondade que caracteriza os anjos é um atributo de todos os espíritos, sendo por estes revelada através do processo evolutivo.

“ANJOS” E “DEMÔNIOS”
Para Kardec, não é possível admitir que Deus tenha criado os chamados “demônios”, ou seja, seres que praticam somente o mal. Kardec lembra que considerar a existência de um “demônio” é o mesmo que considerar um Deus punitivo, maldoso, vingativo, injusto. Para a Doutrina Espírita, Deus é sempre justo; cada pessoa é que determina seus pensamentos e atos e constrói o seu próprio caminho.
O historiador Will Durant relata no livro Nossa Herança Oriental, que a tradição de anjos e demônios pode ter vindo da Índia para a Pérsia, passando posteriormente para a mitologia judaica e cristã. A história conta que celebrações para os anjos iniciaram na Espanha, no século V, juntamente com a festa do Arcanjo Miguel. Em seguida, o papa Clemente X teria dedicado o dia 2 de outubro a uma festa do anjo de cada pessoa. Na Inglaterra, há relatos que festas dedicadas a anjos ocorriam desde o ano 800. Os gregos antigos também acreditavam em um espírito familiar protetor chamado de daemon, assim como os romanos e os japoneses.

PROTEÇÃO, SEM INTERFERIR NO LIVRE-ARBÍTRIO
Apesar de os espíritos mais evoluídos protegerem outros espíritos
(encarnados ou não), eles não podem modificar o exercício do livre-arbítrio de ninguém. O que inclui todos os espíritos, portanto, nós encarnados. Somos livres e sempre responderemos por nossas escolhas. E mesmo havendo espíritos protetores que se dediquem a nos auxiliar, somos nós que vamos buscar a sua ajuda. O que ocorre, segundo os estudiosos, é uma sintonia de acordo com a frequência de pensamento. Por exemplo: se a pessoa tem pensamentos bons, é natural que sintonize com espíritos de igual ou semelhante grau evolutivo. E o contrário também pode ocorrer; pensamentos não construtivos entram em sintonia com pensamentos semelhantes. Por isso a importância da orientação “orar e vigiar”. Mas, como explica o escritor espírita Richard Simonetti, ninguém fica desamparado, mesmo os criminosos. “O problema é que estas pessoas comprometem-se de tal forma em caminhos escusos que perdem a sintonia com eles”, observa. E ele lembra ainda que não é possível pensar que as pessoas estariam imunes ao mal simplesmente por terem espíritos protetores. “Estes espíritos não são babás. Eles nos ajudam nos momentos de dificuldade, com suas inspirações, desde que estejamos sintonizados”, explica. A prece seria um grande mecanismo de manter a sintonia positiva.

 

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