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Escolhas e consequências

Escolhas e consequências

     Ao constatarmos que não estamos sujeitos a nenhuma espécie de determinismo ou predestinação naquilo que concerne aos eventos de nossas vidas – estando cada um de nós sujeitos a uma lei de causalidade complexa segundo a qual aquilo que se passa em nosso dia-a-dia é resultado direto da conjunção de nossas escolhas atuais e pretéritas – uma infindável série de novas possibilidades se descortina e nos leva a perceber cada vez mais a grande responsabilidade que temos sobre nossas decisões e atitudes.
     A ideia de destino – por muitos ainda propalada – sucumbe ante uma análise crítica, posto que contrária à qualquer noção comezinha de Justiça. Haveria algum sentido acreditarmos que independentemente de nossas atitudes e vontades, aquilo que deve nos ocorrer acontecerá invariavelmente, haja o que houver?
    Seríamos meros fantoches de um enredo já desde sempre pré-definido e de resultados já milimetricamente tracejados de antemão? Se assim fosse, qual seria o sentido de nos esforçarmos tanto para atingirmos determinados objetivos? Bastaria sentarmos e esperarmos que quando a hora chegasse o resultado simplesmente aconteceria de alguma forma.
    Ora, direis! Não é difícil percebermos que essa ideia de ‘sentar e esperar’ para que determinado evento ocorra de forma automática é algo ingênuo e contrário a qualquer análise empírica.
    A Doutrina dos Espíritos trabalha a ideia do livre-arbítrio como um de seus princípios basilares. Nosso principal objetivo em nossa existência é de aprendizado e evolução, e esta se dá como a resultante direta de nossos esforços e da qualidade das escolhas que fazemos.
    Sabemos que essa espiral evolutiva não estagna ou retrocede. Contudo, a intensidade e a velocidade da transformação dependem de nossos esforços e de atitudes concretas no sentido da transformação pretendida.
    Evidentemente que não se pode queimar etapas nesse processo de crescimento e que muitas vezes há inúmeros outros fatores envolvidos em determinado evento além de nossa simples vontade individual. Dada a complexidade das relações sociais, é fácil constatarmos que os eventos se devem no mais das vezes à resultante da interação entre dezenas, milhares, milhões de escolhas individuais que, somadas, produzirão determinado resultado. Ainda assim, são nossas escolhas que nos levarão a seguir em frente e escolher os caminhos a serem tomados.
     Para que possamos realizar boas escolhas, o essencial é termos elementos suficientes para embasar nossas decisões. Precisamos conhecer nossos limites e potencialidades e tracejar nossos objetivos imediatos e mediatos para obtermos melhores resultados nessa trama.
     É aí que entra a importância do autoconhecimento, desse processo de constante introspecção e avaliação íntima que nos possibilita alcançar uma visão mais límpida e concreta de nós mesmos, da vida e de suas razões.
     Ao nos conhecermos de forma suficiente, somos capazes amainar a revolta e a angústia característicos daqueles que não sabem aonde querem chegar e esperam por alguma mágica que lhes transforme. Alcançamos um estágio de plena sintonia com a vida e o Cosmos e não nos deixamos fraquejar ante as tribulações do dia-a-dia. Percebemos que somos responsáveis por tudo o que já nos ocorreu, e que é sempre tempo de fazermos as necessárias correções de rotas para evitar novos reveses e desilusões.
     Já vai passando o tempo de deixarmos de nos fazermos de vítimas e terceirizarmos a culpa sobre tudo o que de pesaroso nos ocorre. É preciso entendermos a crucial importância de nossas escolhas, bem como alcançarmos as formas de tomarmos as melhores decisões possíveis. Somente assim alcançaremos a felicidade verdadeira.
Rodrigo Fontana França

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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