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Eslética: a paz pela valorização do diferente

Eslética: a paz pela valorização do diferente

Paulo Rathunde –

Relações pacíficas exigem respeito, atenção, consideração, acolhimento e cuidado. Parece não ser o que se encontra por aí. Segundo De Bono, expert nos campos da criatividade e pensamento lateral, a sociedade humana desenvolveu um tipo de pensamento chamado de “clash system” (sistema de confronto), conforme o qual, antes mesmo de se pensar numa mudança, tende-se a combater as ideias existentes. Este sistema de pensamento está presente no que chamamos de dialética, sustentada nos axiomas da lógica formal, resultado do mapeamento aristotélico do jeito humano de pensar. E pensamos de forma dual: Ou é um copo ou uma xícara. Não pode ser as duas coisas ao mesmo tempo e não há uma terceira coisa que seja copo e xícara. Parece óbvio. Não é? É óbvio porque nossas sinapses cerebrais se constituíram assim, para pensar de forma aristotélica. E funciona muito bem com a objetividade material.

Mas a lógica formal é desastrosa nas relações humanas onde prevalece a subjetividade. Se eu estou certo, obrigatoriamente você está errado, pois não há outra possibilidade. É o princípio de todo conflito, de toda guerra. É bonito ou feio? É bom ou ruim? É certo ou errado? Tudo depende de avaliações subjetivas. Mas quando prevalece a forma de pensar aristotélica, tende-se a confrontos dialéticos em que boas ideias desaparecem por força de argumentações ou de poder de uma das partes, como num jogo competitivo em que para um ganhar o outro necessariamente deve perder. Resultado? Veja você mesmo nos jornais.

Mas como poderia ser diferente? Como poderíamos criar um mundo pacífico? Se o jeito tradicional criou um mundo violento, necessário se faz pensar de um jeito que favoreça a dialógica, o saudável convívio do diferente. Quando o diferente passa a ser visto como regra, não como exceção, o julgamento é substituído pela curiosidade diante do que o outro tem a oferecer, sem expectativa de ganhar ou medo de perder, sem necessidade de convencer ou de se chegar a consensos. As relações se transformam de competitivas para colaborativas. Os pontos de vista alheios ajudam a ampliar a própria compreensão sobre o tema. Isso se chama eslética. É o contraponto da dialética e se fundamenta na lógica quântica que admite a possibilidade de ser ao mesmo tempo onda e partícula, bom e ruim, certo e errado, frio e bonito, dependendo da perspectiva do olhar para a questão.

Apenas a título de exemplo, se a chegada dos europeus nas Américas tivesse sido um processo eslético, teríamos hoje, certamente, uma cultura muito mais rica e diversificada. Infelizmente, a cultura europeia se impôs dialeticamente e mutilou as demais aqui existentes. Uma pena! Homem e mulher são antropologicamente diferentes e só o posicionamento eslético pode criar uma relação harmoniosa. Cabe a cada um investigar como andam suas relações familiares, de amizade e profissionais.

A paz começa pelo acolhimento respeitoso do que é naturalmente diferente para valorizar o que ali existe de melhor, possibilitando a transcendência de si num jogo em que todos são ganhadores.

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Sobre o Autor

Paulo Rathunde

Paulo RathundeFormação em Engenharia Civil; Me. em Organizações e Desenvolvimento; MBA em Gerenciamento de Projetos; Esp. em Psicologia Transpessoal, Administração de Empresas e Geoprocessamento; Autor dos livros Artesão do Meu Futuro e Peregrino; Eletricitário e Coordenador de Grupos de Estudos na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE).

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