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Família: primeiras lições da encarnação

Família: primeiras lições da encarnação

Por Ana Elisa Oliveira – publicado na SER Espírita impressa n.19

A Doutrina Espírita, por meio das obras básicas e de estudos psicografados de autores respeitados, nos ensina que a família é o ambiente mais propício para aprendermos o que nos foi planejado para esta reencarnação. É na família que encontramos as maiores dificuldades, mas também as melhores oportunidades de conviver com as diferenças, por meio da paciência, tolerância, resignação e caridade, entre outras virtudes.
Na mensagem “Casamento e Família”, psicografada pelo médium Divaldo Franco, Joanna de Ângelis diz que na família se encontra o maior objetivo da reencarnação. O expositor da Fundação Espírita Cárita, de Belo Horizonte (MG), Antonio Neto, afirma que “a família é grande canteiro de cultivo de virtudes, valiosa oficina da alma no desejo de domar seus impulsos e tendências inferiores e educandário garantidor de sua libertação espiritual”. Desta forma, compreende-se a importância da educação que um espírito recebe de seus pais ou responsáveis, mas também se percebe a reciprocidade de aprendizado entre todos os membros da família.
A psicóloga Lidiane Braga explica que um indivíduo aprende a se relacionar com o mundo à medida que este se relaciona com a família. “O conhecimento da existência das leis, das regras, do diálogo para negociações, é construído a partir da infância, e isso se inicia em casa com as primeiras referências que uma criança tem, os responsáveis por ela”, afirma. Para o Espiritismo, os pais têm a missão de auxiliar no desenvolvimento dos filhos pela educação, como descreve a questão 208 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec.
Espíritos reunidos como família
A pedagoga Mirian Bruzadelli tem seis filhos encarnados – uma desencarnada aos dois anos de idade – e conta que sente que esta é a encarnação mais proveitosa, iluminada e gloriosa que esse grupo de espíritos, reunidos como família, já pôde vivenciar. Mirian conta que ela e o marido se sentem satisfeitos com a educação que deram aos filhos, que têm entre 36 e 27 anos. “Aos nossos olhos míopes ainda, na apreciação desse resultado, podemos reconhecer que as sementes plantadas nos corações e consciências desses espíritos, através dos nossos exemplos, encontram solos férteis. Com a paciência e a perseverança que devemos cultivar em nossos propósitos, temos podido apreciar bons frutos gerados”, diz.
Mas, para a pedagoga, ainda há muito que aprender e ensinar, mutuamente, em sua família. Ela conta que, se pudesse voltar no tempo, nesta existência, gostaria de corrigir em si atitudes de querer proteger excessivamente os filhos e também de iniciá-los aos trabalhos manuais e ao zelo maior com a natureza.
Gabriel Bruzadelli, filho mais novo de Mirian, percebe nos pais exemplos que o influenciaram no relacionamento com os irmãos. “A união entre os dois nos ensinou a termos união entre nós, incondicionalmente, o que garante uma segurança constante de que sempre podemos contar com a amizade e apoio entre nós”, afirma. Gabriel conta que, em tudo o que os irmãos fazem, sempre tem como referência os outros.

Aprendizado mútuo
O expositor da Fundação Espírita Cárita, Antonio Neto, lembra que todos nós somos convidados a convivermos para nos desenvolvermos mutuamente, como instrumentos de aperfeiçoamento espiritual uns dos outros. Mas, além dessa tarefa primária, somos programados para desenvolver papéis com responsabilidades previamente definidas. “Neste sentido, o papel de pais diz muito respeito à educação dos que lhe são confiados, à formatação de valores morais e impregnação de hábitos alinhados a uma vida mais consciente e, por isso, mais feliz”, afirma.
Estudioso do assunto, Neto aprecia a visão do autor Vinicius, em ‘O Mestre na Educação’, que revela que o processo de educar consiste em “tirar de dentro para fora, e não introduzir de fora para dentro”. Essa visão considera as faculdades que todos temos e que precisam ser desenvolvidas para alavancar o nosso progresso espiritual. No mesmo sentido, a psicóloga Lidiane Braga explica que é de grande importância para os pais entender qual o lugar que os filhos ocupam em seus desejos. Essa é uma tarefa que exige desviar totalmente do orgulho, pois é nesse momento que os pais devem perceber o quanto são fundamentais na criação de uma personalidade, ainda que já tenham passado por outras existências. “Isso pode vir a influenciar o funcionamento psíquico da pessoa, aumentando ou diminuindo as expectativas que os filhos têm do próprio futuro”, afirma Lidiane.
Neto reforça esse posicionamento quando lembra que, em ‘O Livro dos Espíritos’, o conceito de educação consiste na “arte de formar os caracteres, à que incute hábitos”. O expositor entende que diante dessa perspectiva, cabe aos pais, desde a mais tenra idade, propiciar aos filhos o cultivo de hábitos salutares que, somados, condicionarão uma consciência mais ampla ante os desafios a serem enfrentados ao longo da caminhada na atual encarnação. “Assim, serão os filhos estimulados a desenvolverem aqueles poderes latentes pelo exercício contínuo de novos hábitos renovadores”, conclui.

Desenvolvendo para a sociedade
Gabriel Bruzadelli, filho de Mirian, considera a educação que teve em sua família o fator diferencial para todos os campos da sua vida. “A partir dessa base tive a oportunidade de conhecer, aprimorar e fortalecer o despertar da consciência moral, principalmente nas escolhas e nas relações pessoais ao longo da minha jornada”, diz. Na visão de Lidiane Braga, é justamente nas suas primeiras relações com a mãe, com o pai e/ou com quem cria que a personalidade de uma pessoa começa a ser construída para se relacionar com os outros. “O modo como nos relacionamos com os filhos pode os direcionar para um modo de relação que eles terão com as outras pessoas”, diz.
É o que o autor Herculano Pires, outro estudioso do assunto pesquisado por Antonio Neto, explica na obra “Pedagogia Espírita”. Para ele, a educação, encarada em uma perspectiva espírita, “nos apresenta dois aspectos fundamentais: é o processo de integração das novas gerações na sociedade e na cultura do tempo, mas é também o processo de desenvolvimento das potencialidades do ser na existência, com vistas ao seu destino transcendente”.
Neto reflete sobre o pensamento de Herculano Pires quando explica que o desenvolvimento das potencialidades de cada individualidade a quem se dedica uma ação renovadora por meio do processo educativo impacta positivamente na sociedade e cultura de determinado tempo. “A mudança de um influencia a mudança do todo: é o que chamamos de solidariedade, onde se observa que o progresso do indivíduo, que cumpre a parte que lhe toca no processo da criação universal, concorre para o progresso da humanidade”, afirma.

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Teu filho
Emmanuel – (Mensagem do livro “Família”, psicografado pelo médium Chico Xavier)

Observa a flor tenra que desabrocha no jardim de teu lar…
Espírito extasiado, exclamas ante o hóspede frágil que te pede refúgio ao coração:
– Meu filho! Meu filho!
E sentes o suave mistério do amor que te renova as forças para o trabalho, enriquecendo a alma, com estímulos santos.
Dessa criaturinha leve e doce que ainda não fala, recolhes poemas inarticulados de esperança e ternura…
Desse anjo nascituro que ainda não caminha, recebes sugestões silenciosas de coragem para marchar com destemor, dentro da luta em que te refazes para a vida Maior…
Bênçãos intangíveis do céu te coroam a fronte, e aprendes a suportar, com heroísmo, o cálice de fel que o mundo te apresenta e a cultivar a humildade que te faz mais humano e melhor à frente dos semelhantes…
Contudo, não te esqueças, é ao som dessa música renovadora, que teu filho será amanhã teu retrato e que nele estamparás teus próprios ideais e teus próprios impulsos, plasmando-lhe o novo modo de ser.
Sem dúvida, não é um estrangeiro em tua casa, nem um desconhecido ao teu afeto…
É alguém que chega de longe, como acontece a ti mesmo.
Alguém que te comungou as experiências do passado e que se liga ao teu caminho pelos laços luminosos do amor ou pelas duras algemas da aversão.
Recebe-o, assim, com doçura e reconhecimento, mas não olvides o dever de amá-lo com elevação espiritual necessária ao combate que, amanhã, lhe cabe ferir…
Ajuda-o, equilibra-o e ampara-o com trabalho digno e com o estudo edificante.
Ama-o e educa-o, oferecendo-lhe o melhor de tua alma, porque, cumpridas as tuas obrigações no lar, ainda mesmo que teu filho não te possa compreender a nobreza do sacrifício e a excelsitude da abnegação, receberás do eterno senhor, nosso Pai Celestial, a bênção da alegria e da paz, de vez que, diante d’Ele, todos somos filhos e tutelados também.

 

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