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Finitude versus perenidade

Finitude versus perenidade

     Na medida em que alcançamos certa maturidade, é natural e inerente à nossa própria condição humana que passemos a nos fazer uma série de profundos questionamentos de ordem existencial que nos permitem – gradativamente – alcançarmos uma visão de mundo cada vez mais ampla, profunda, e consentânea com a harmonia das Leis Cósmicas creadas e regidas por Deus.
     Por estarmos cada um de nós em distintos estágios evolutivos (decorrentes da resultante de nossas experiências e esforços pretéritos) o alcance que nos é dado fazer é particular, tornando-se da mais extrema importância conhecermos a nós mesmos de forma bastante para que possamos entabular planos de ação adequados às nossas potencialidades e necessidades.
     Uma constatação essencial que devemos fazer, e donde se desvelam inúmeros outros desdobramentos é a de nossa natureza espiritual. Ao contrário do que muitos podem – inadvertidamente – imaginar à primeira vista, nós não somos corpos que possuem espíritos, mas sim espíritos que estão temporariamente se valendo de corpos materiais – assim como uma veste – para desempenharem uma dada experiência encarnatória.
     Tal certeza já é por si só suficiente para alterar profunda e diametralmente nossa visão de mundo, abrindo caminho para uma compreensão mais facilitada das razões de nosso existir e das vicissitudes que nos afligem em profusão ao longo de nossa trajetória telúrica.
     Quando imaginamos que a vida se limita ao interregno entre nosso nascimento e ‘morte’ material, torna-se muito mais difícil compreendermos a sublime justiça e a harmonia que permeiam a todo o Cosmos. Por limitarmos de uma forma extremada o foco de nossa análise tanto no tempo quanto no espaço, nos faltam elementos para um alcance satisfatório das questões que nos afligem, o que evidentemente pode levar a um grave quadro de angústia e incompreensão, ou mesmo fazer com que muitos optem por focar sua existência somente em aspectos mesquinhos do ter, como lamentavelmente sói acontecer.
     Por outro lado, ao nos apercebermos como espíritos e notarmos que, como tal, somos perenes, eis que tivemos uma origem, uma gênese, mais que continuaremos a existir e evoluir indefinidamente, ascendendo sempre a novas paragens sem nunca cessarmos ou deixarmos de existir, certamente somos capazes de rever nossos objetivos e prioridades de modo a adaptar nosso agir a esta realidade mais ampla.
     Aprendemos, por exemplo, a perceber nossas experiências na Terra como oportunidades de aprendizado e superação sempre com vistas a um fim maior. Compreendemos que os bens materiais são meios, e não fins, e que a riqueza que devemos perseguir é a de bens morais, posto que somente essa não perece  e nem é efêmera.
     Como bem se pode perceber, a forma como concebemos, percebemos e conscientizamos a realidade altera diametralmente nossa forma de enxergar as coisas e de superar cada um dos incontáveis desafios que a vida nos apresenta. É preciso nos habituarmos a nos deter um pouco mais em nossos solilóquios com esses questionamentos existenciais, metafísicos e transcendentais, pois somente assim conseguiremos caminhar um pouco mais no sentido da compreensão da realidade, bem como alcançar a serenidade daí decorrente.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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