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Jesus, o maior de todo os médiuns

Aproxima-se o período das festas de final de ano, e com isso cresce a necessidade de refletirmos sobre o grande exemplo trazido por Jesus Cristo. Tornaremos a tratar desse tema em outras oportunidades, mas entendemos desde logo necessárias algumas ponderações de cunho inicial que merecem ser sopesadas.

Através da doutrina por si revelada há pouco mais de dois mil anos, a humanidade teve despertada e alavancada a base do ensinamento moral que, posteriormente, serviria de suporte para o seu desenvolvimento espiritual.

Para bem podermos compreender a natureza e o papel dos ensinamentos trazidos por Cristo, mister se faz analisarmos a lei do progresso, a qual rege todo o Cosmos.

É consabido que as revelações Divinas fazem-se gradativamente, de acordo com o grau de adiantamento e de desenvolvimento intelectual e moral da humanidade, ou seja, de acordo com a mentalidade e o alcance possível em cada momento. De nada adiantaria que as coisas ocorressem de outra forma, pois a semente semeada antes do momento correto não encontraria solo fértil para frutificar.

Se todas as razões de ser da existência fossem reveladas de uma só vez a um povo de raso desenvolvimento intelectual e noções morais primitivas, o resultado prático alcançado seria pífio e as revelações feitas causariam tamanho deslumbramento que trariam resultado diverso do pretendido, sendo aplicadas em sentido diametralmente oposto.

Desta forma, é fácil percebermos que os ensinamentos trazidos por Jesus vêm em complemento aos que já haviam sido expostos por outros espíritos missionários, em tempos pretéritos.

Podemos traçar uma linha cronológica das principais revelações Divinas a partir de Abraão, quando a capacidade de compreensão e discernimento daquela população eram ainda bastante rudimentares. Naquele momento, a revelação possível era tão-somente a da unicidade de Deus. O que hoje pode parecer certo e incontestável, à época significou um enorme avanço.

A seguir, quando a humanidade já se encontrava apta a receber ensinamentos mais elevados, revelaram-se a Moisés as verdades do decálogo.

Posteriormente, aprimorada a faculdade compreensiva da Terra, fez-se possível a vinda de Jesus, trazendo revelações mais profundas e depuradas, de modo a dar cumprimento aos preceitos preconizados por Moisés.

Portanto, Jesus teve por missão revelar à humanidade valores universais únicos, baseados na lei do amor, que causaram profundas alterações culturais, sociais, políticas e econômicas na humanidade, tendo seus reflexos se espraiado por mais de vinte séculos.

Vê-se que os ensinamentos trazidos por Jesus são em sua maior parte feitos através de linguagem figurada, de parábolas. Isso se deve ao fato de que o possível da humanidade àquela época ainda não permitia que as revelações fossem feitas de súbito, sendo, portanto, salutar trazê-las de um modo que pudesse ser compreendido, ainda que parcialmente, já naquele momento.

Perceba-se, outrossim, que Jesus foi o sintetizador de uma série de pensamentos que, em maior ou menor grau já estavam em voga na Terra. Assim, notam-se enormes semelhanças entre alguns princípios de Jesus e aqueles trazidos por Sócrates e Platão na Grécia antiga; os de Lao-Tsé, que originaram o Taoísmo; os de Confúcio, que serviram de base ao confucionismo; assim como os de outros grandes capacitores da humanidade. Novamente percebe-se aqui a aplicação da lei maior do progresso, notando-se que Jesus, junto com diversos novos ensinamentos, sintetizou outros que já eram conhecidos, mas estavam esparsos e revelados apenas de forma incipiente.

Daí porque se pode perceber com facilidade que mesmo Jesus não trouxe todas as revelações possíveis, estando nítidas em diversas passagens do Evangelho as afirmações de Jesus de que ele trazia apenas as revelações que poderiam ser compreendidas àquela época, havendo, ainda, muitas outras coisas que seriam oportunamente reveladas.
Para a Doutrina dos Espíritos, a grande importância de Jesus está em seu exemplo de vida e em seus ensinamentos morais de amor, humildade, caridade, fraternidade, abnegação, etc.
Conquanto tenha desempenhado uma missão de caráter absolutamente singular e da mais extremada importância, enquanto encarnado Jesus foi um ser humano assim como todos nós, tendo sido concebido de forma natural e superado angústias e desafios comuns a qualquer de nós.

Jesus também não fazia milagres. Ele apenas colocava em prática seu conhecimento superior e sua elevada capacidade mediúnica, valendo-se de meios absolutamente naturais que, à época, por serem desconhecidos, eram interpretados como algo sobrenatural. O caráter essencial de um milagre, no sentido teológico, é ser uma exceção às leis da natureza, sendo, portanto, inexplicável. Se à época em que viveu os feitos de Jesus eram qualificados como milagres, isso se deve ao fato de que a humanidade ainda não tinha capacidade de compreender e explicar suas ações. Hodiernamente há como se explicar as ações empreendidas por Jesus de forma totalmente racional e científica, não havendo que se falar em milagres.

Também não há que se confundir Jesus com a encarnação de Deus já que em diversas passagens do Evangelho o próprio Jesus afirma de forma peremptória que era apenas um difusor da mensagem Divina. Confundir a creatura com o Creador seria retirar de Jesus uma característica fundamental: a de que seu exemplo pode ser alcançado.

Assim, reitera-se a idéia de que a grande importância de Jesus está em seu exemplo de vida e nos profundos ensinamentos de cunho moral trazidos por um espírito elevadíssimo que teve a importante missão de trazer tal revelação a toda a humanidade.

Todas as constatações realizadas, em nada diminuem a força da mensagem de Jesus ou lhe trazem algum demérito. Pelo contrário! Ao percebermos Jesus como o espírito mais evoluído que já passou pela Terra, sem com isso confundi-lo com o Creador, ou imaginarmos que sua vinda tenha ocorrido em desobediência às leis cósmicas aplicáveis aos demais, podemos tê-lo, mas do que nunca, como um exemplo de evolução a ser alcançado. Um objetivo absolutamente tangível, ainda que para a maioria de nós ainda muito distante.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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