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Livre Arbítrio ou Limitações, de que lado ficar?

Livre Arbítrio ou Limitações, de que lado ficar?

O conceito de Livre Arbítrio pode ser entendido como o fato do espírito sempre expressar, através dos seus sentimentos e pensamentos, o que ele “é” naquele momento. Ou seja, podemos ver como uma lei natural que a expressão de cada espírito seja o produto do seu interior, e somete do seu interior.

Por este ponto de vista a expressão do que se é nunca será violada. Estaremos sempre sendo, através de nossos sentimentos e pensamentos, o que somos em verdade naquele momento. Assim somos “livres”, pois não expressaremos nada diferente do que temos dentro de nós.

Entretanto podemos, em função de contingências, achar que não somos livres.

O filósofo Mário Sérgio Cortella traz um pensamento que pode ser utilizado para diferenciar o livre arbítrio das situações contingenciais. Ele escreve assim: “a escuridão pode me impedir de enxergar, mas não de querer ver”.

Avaliando essa frase conseguimos perceber que o livre arbítrio se expressa no “querer ver”, mesmo quando não é possível em função das contingências (a escuridão).

Porém, em várias situações optamos por ceder às dificuldades e pensar algo como: apesar de eu querer, a escuridão me impede de enxergar, logo não sou livre.

Ou podemos tomar como referência a característica indissociável do ser, que é sempre expressar o que sente e pensa, e compor o seguinte pensamento: não vou deixar que as contingências me impeçam para sempre; vou agir para contorná-las, e realizar o meu querer.

Essa mudança de referencial, que toma como base para a vida a característica natural e justa de sempre expressarmos o que somos, é facilitada quando avaliamos o significado das contingências que encontramos ao longo do caminho.

Temos contingências culturais. Elas são, por exemplo, referenciais sociais, hábitos, modelos que nos limitam. Se olharmos as mudanças sociais nos últimos 100 anos vamos ver inúmeras mudanças que foram ocorrendo justamente para adaptar a cultura a novas expressões que não eram acolhidas. O respeito à homo-afetividade é um exemplo. A mudança da condição da mulher na sociedade é outro. Ainda temos o estatuto da criança e do adolescente, os tratados em torno do meio ambiente, e assim por diante. Ou seja, as contingências inicialmente limitantes foram sendo alteradas pelos agentes humanos, justamente por que representavam limitação à implementação prática da expressão original de pessoas.

Ainda no âmbito das contingências culturais temos exemplos estruturais ou de recursos. Usando o exemplo do filósofo Mário Sérgio Cortella, quando alguma limitação do ambiente nos impede de realizarmos nossas intenções, com pesquisa e trabalho achamos um meio. Inventamos a lâmpada, o automóvel, os equipamentos médicos, os aviões, a telefonia móvel, o airbag, os automóveis elétricos, os medicamentos, etc. Ou seja, pessoas não se renderam às limitações do contexto, e identificaram formas de “acender luzes na escuridão”, e assim conseguiram realizar a “vontade de enxergar”.

Por fim encontraremos contingências vinculadas a processos naturais, e um exemplo a esse respeito é o desencarne. Em nosso estágio evolutivo o desencarne ainda é um desafio para a maioria das pessoas. Agimos em nosso comportamento e através da ciência para postergá-lo, mas o desencarne continuará a ocorrer, por ser uma lei natural. Neste caso, conforme o tempo passar e caminharmos em nosso processo evolutivo, ampliaremos o nosso entendimento sobre as leis naturais, e cada vez mais nos compreenderemos como parte de um sistema. Os processos naturais, como o desencarne e tantos outros, deixarão de ser percebidos como aspectos limitantes, e serão tratados como condições existenciais às quais nos adaptaremos. Ou seja, não vamos mudar a lei natural e fazer o desencarne deixar de existir. Vamos compreendê-lo e resignificar o nosso tempo antes e depois dele, de tal forma a vivermos melhor com esta lei natural.

Portanto, cabe a cada um de nós…

– Escolher o Livre Arbítrio: Apegar-se à consciência de que somos livres na expressão do que somos, e que podemos agir tanto na depuração do que somos quanto na implementação de nossas convicções, ou…

– Escolher as Limitações: Render-se às limitações que as contingências transitórias e a falta de entendimento das leis naturais podem trazer às nossas vidas.

Nelson José Wedderhoff

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Sobre o Autor

Nelson José Wedderhoff

Nelson José WedderhoffEngenheiro Eletrônico; Professor Acadêmico na Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC); Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas; e Conselheiro Editorial da revista SER Espírita.

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