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Mais amor, mais resultados

Mais amor, mais resultados

Por Claudia Guadagnin

(publicado na SER Espírita impressa n.28)

O amor no trabalho é proporcional ao engajamento e aos resultados conquistados na profissão. Essa é a conclusão de uma pesquisa recente feita pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Segundo o estudo, pessoas que trabalham em um ambiente em que se sentem livres para manifestar sentimentos como compaixão, ternura, afeto e carinho pelos colegas ou a chefia são mais satisfeitas com seus empregos e elevam os níveis de comprometimento e resultados com as organizações.
O chamado “amor companheiro” seria capaz de contribuir e transformar
significativamente a vida pessoal e profissional do colaborador. Ouvir o colega, demonstrar
preocupação e interesse reais pela vida do outro, valorizar e sentir-se valorizado, além da disposição em ajudar, seriam algumas características desse comportamento. O levantamento ouviu 335 pessoas ligadas a uma instituição de saúde nos Estados Unidos e outros 3.201 profissionais da área de serviços financeiros para o setor imobiliário. Apesar de serem áreas diferentes, o resultado foi o mesmo.
Para o consultor de carreiras Bernt Entschev, uma pessoa com mentalidade positiva é capaz de alterar todo o ambiente, aumentando a qualidade de sua produção e contagiando os colegas a fazerem o mesmo. “O inverso também pode ocorrer. Um profissional pessimista e individualista também pode inspirar os outros a se comportarem assim, portanto, é preciso ter consciência sobre si mesmo e avaliar se estamos contribuindo para construir o ambiente que queremos”, sugere.
Segundo ele, a chefia tem papel determinante para garantir que sentimentos
nobres se manifestem ou não nas corporações. “Quando há excesso de controle por parte dos gestores, falta de liberdade para questionar ou sugerir ideias e a repressão de momentos de descontração entre os colegas é algo comum, as chances de os colaboradores entenderem o trabalho como uma obrigação aumentam significativamente. Muito dificilmente esse profissional vai pensar em uma solução para algum problema fora da empresa, em um fim de semana, por exemplo. A pesquisa destaca que as empresas
precisam superar a preocupação com valores mensuráveis e dar mais atenção à qualidade das relações de seus profissionais. Isso pode ser feito redobrando a atenção sobre as emoções compartilhadas com os colaboradores, já que o humor da chefia costuma definir o modo como os funcionários vão conduzir seus dias. Para Bernt, é essencial que as organizações se mostrem abertas a sugestões e críticas e estejam preparadas para lidar com o feedback negativo. “Ninguém melhor que o colaborador para perceber e relatar o que pode ser aprimorado na organização”, explica. Márcio César Ferraciolli, pesquisador
e professor de psicologia social da Universidade Federal do Paraná (UFPR), alerta para a importância de vigiar a ocorrência de uma característica demasiadamente humana: a competição. “Em algumas empresas, as pessoas trabalham em equipes que concorrem umas com as outras. Quando uma organização elege o funcionário do mês, está incitando
a competição. No próximo mês, caso ele não alcance a produtividade esperada, outro irá substituí-lo. Detalhes assim fazem com que a cordialidade e o amor entre as pessoas sejam sobrepostos por comportamentos egoístas”, alerta.
O professor também acredita que a chefia tem responsabilidade direta em
demonstrar o “amor companheiro” aos colaboradores. “Essa atenção deve vir na qualidade das condições de trabalho, seja valorizando um bom desempenho ou oferecendo condições ideais em termos de recursos físicos e ferramentais. Preservar a integridade do colaborador, jamais o expondo aos colegas é outra obrigação do gestor que espera
construir um ambiente de contribuição, generosidade, alegria e crescimento
permanente”, analisa.

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