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Mansos e pacíficos

A trajetória de todos nós aqui na Terra é necessariamente permeada por uma série de percalços, de inúmeros desafios que não são apresentados justamente para que deles possamos tirar as lições necessárias para seguir da forma mais firme possível no caminho do progresso e da evolução.

As provas e expiações que cada um deve suportar são adaptadas de forma exata a cada indivíduo, sendo comum percebermos situações em que algo para nós pode parecer extremamente singelo – eis que já fizemos aquele aprendizado e internalizamos aquele conhecimento em algum momento pretérito –, enquanto para outrem pode significar uma grande e extremamente valiosa lição. Não podemos nunca esquecer que o nosso fardo é exatamente do tamanho que conseguimos carregar, nem maior nem menor.

Muitos de nós, talvez não se apercebendo de tal realidade, acabam perdendo a linha a cada pequeno pedregulho que surge ao longo de sua jornada. Às vezes, por muito pouco, se desesperam e se desequilibram, Internamente são como um vulcão de angústias, lamentos e incompreensão, sempre prestes a entrar em erupção e causar grande estrago ao redor.

Quer nos parecer que essas atitudes extremadas e destemperadas são típicas daqueles que tem uma percepção limitada e deturpada de suas existências, que justamente por estar baseada em pressupostos equivocados, não lhes traz a segurança necessária para superarem co firmeza os desafios que certamente lhes serão apresentados.

Aqueles que são capazes de perceber a realidade por um viés espiritual, e não somente aos turvos olhos da matéria, conseguem gradativamente alcançar um estágio de equilíbrio interior tal que lhes permite agir e reagir em todas as situações de forma plenamente equilibrada, em harmonia e consonância com as Leis Cósmicas.

Basta fazermos um breve passar de olhos por aqueles que ficaram conhecidos ao longo da história por serem pessoas espiritualizadas, para percebermos o grande exemplo de equilíbrio e serenidade que eles nos trazem, independentemente das árduas condições que muitas vezes lhes foram impostas. Certamente, tais pessoas nos servem de exemplo sobre o que representa esse estágio de ataraxia, de extremo equilíbrio interno que lhes permitiu enxergar mais longe e atingir grandes feitos para a humanidade.

Evidentemente que essa condição não se conquista da noite para o dia, e que deve ser buscada através de uma construção diária, lenta e gradativa. A grande chave para alcançarmos essa postura de impassibilidade é a prática do autoconhecimento.

Quem se conhece de forma suficiente, sabe exatamente seus limites e suas virtudes, possui objetivos claros de curto médio e longo prazo traçados para sua vida e delineou estratégias para atingi-los. Certamente sabe que os caminhos para alcançar tais desideratos são por vezes tortuosos, mas também tem consciência de que são exatamente essas pedras que surgem em seu caminho que enriquecem sua jornada e enchem de mérito os êxitos alcançados. Age com comedimento e moderação, independentemente da situação, e certamente não se exaspera ante qualquer percalço.

A vida na Terra não é fácil para absolutamente ninguém. Todos nós certamente teremos que passar por inúmeras contingências, e quanto a este fato a melhor escolha que podemos fazer é sobre a forma que iremos reagir a esses momentos de possível perturbação.

Quando Jesus disse em seu sermão da montanha que bem-aventurados são os mansos porque possuirão a Terra e os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus, a nosso ver estava justamente se referindo a esses indivíduos que conseguiam compreender a vida aos olhos do espírito, que conseguiam perceber a si mesmos e à realidade de forma suficientemente clara para que haja o que houvesse pudessem sempre seguir de forma equilibrada, respeitando a maravilhosa harmonia e justiça existentes nas Leis que regem o Cosmos.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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