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Memento mori

Já nos diz a sabedoria popular que a única certeza que temos em nossa vida é a de que ela chegará ao fim. Aos olhos da matéria, tal afirmação está absolutamente correta, posto que temos um limite biológico e não há em toda a história da humanidade quaisquer registros de alguém que tenha permanecido encarnado por mais de alguns cento e poucos anos.

Uma segunda assertiva que decorre diretamente dessa primeira é a de que a nenhum de nós é dado saber o exato momento de nosso desencarne. Podemos quando muito traçar uma expectativa com base em estatísticas, mas, repita-se, ninguém pode garantir se viveremos mais uma semana, um ano, uma década ou qualquer outra quantidade de tempo. Mesmo com todos os avanços da ciência e da medicina, nossa expectativa de vida pode quando muito aumentar (como, aliás, vem acontecendo), mas nunca protrair-se indefinidamente.
Ainda assim é extremamente comum encontrarmos pessoas que desperdiçam a maior parte do tempo que lhes resta com frivolidades ou questões exclusivamente materiais, que não trarão nenhum benefício após seu desencarne. Agem muitas vezes de forma inconsequente, como se fossem capazes de realizar a façanha de serem os primeiros a viver eternamente na presente encarnação.
Conquanto seja comum, tal atitude é no mínimo extremamente contraditória, pois seja lá qual for a crença do indivíduo, não há como escapar da morte física.
Evidentemente que ao longo de nossa encarnação devemos buscar alcançar o máximo êxito possível em todas as searas e que não há mal algum em perseguirmos aquilo que nos apraz. Contudo, avaliar nossas escolhas apenas aos olhos da matéria e como se elas não fossem capazes de gerar conseqüências constitui-se em um equívoco sem tamanho, posto que estamos aqui na Terra somente de passagem.
É preciso começarmos a encarar as situações que nos são apresentadas sob um viés mais abrangente, qual seja, o espiritual. A cada instante, seja qual for a situação, é importante que tenhamos em mente que a realidade é muito mais ampla do que nossas mentes ora são capazes de alcançar e que tudo aquilo que fazemos enquanto encarnados constitui-se apenas em mais um dos inúmeros estágios necessários à nossa evolução. Feito isso, seremos capazes de fazer escolhas mais coerentes e adequadas à harmonia Cósmica.
Dizem-nos os historiadores que na época do Império Romano era comum que os generais – quando homenageados publicamente por uma vitória através de uma cerimônia chamada ‘triunfo’ – tivessem escravos encarregados de constantemente dizer-lhes as palavras “memento mori”, que na tradução do latim significam: lembre-se de que vai morrer. Naqueles momentos de grandes êxitos em que a empáfia possivelmente lhes subia à cabeça e eles se julgavam acima do bem e do mal, eram prontamente chamados a voltar à realidade e lembrados: “memento mori”.
Assim como os generais romanos, devemos sempre lembrar de que somos apenas seres humanos e que, queiramos ou não, em algum momento teremos que deixar a Terra.
Seria no mínimo sensato e prudente que buscássemos fortalecer ao longo de nossa estada aqueles valores que realmente tenham alguma valia, ou seja, os valores espirituais. De nada adianta nos apegarmos exclusivamente à matéria, pois em algum momento teremos que seguir em frente e tudo o que é da matéria ficará para trás.
Quando antes nos conscientizarmos de nossa estada aqui na Terra é absolutamente efêmera e de que devemos tirar o melhor proveito de cada instante (sempre com vista à realidade espiritual), tanto melhor será o aprendizado que conseguiremos fazer.

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Sobre o Autor

Rodrigo Fontana França

Rodrigo Fontana FrançaAdvogado e Coordenador de Grupos de Estudos Espíritas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE) e no Centro Espírita Antonio Grimm (CEAG)

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